Remonta a 1985 a adesão de Portugal à CEE, tendo-se caracterizado por uma lufada de ar fresco no setor da Ciência. Os fundos Europeus dedicados à investigação e ao melhoramento das instalações de investigação possibilitaram o surgimento de mais centros de investigação. No entanto, existem financiamentos para a compra de material, mas não existem para a sua devida manutenção; existem financiamentos para o melhoramento dos espaços, mas não existem para contratar pessoal. E é neste último ponto que reside o mais preocupante e o mais descuidado problema por parte do poder político, em especial o Governo Regional dos Açores, que parece não querer ver.

No inquérito da Direção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência quanto ao potencial científico e tecnológico nacional – IPCTN18 – diz-nos que em 2018 existiam 47.652 investigadores. Todos estes promovem o progresso da Ciência em Portugal e colocam-nos na rota dos países que mais contribuem para o melhoramento do conhecimento. Em 2017, e segundo dados da PORDATA, foram concedidas 1.387 bolsas de Doutoramento e estavam em execução 4.817 bolsas na FCT.

No que toca às despesas em atividades de investigação e desenvolvimento, em 2018 e segundo a PORDATA, a despesa nos Açores cifrava-se nos 13.516€, em oposição aos 19.006€ investidos na Madeira. Ainda que este investimento seja menor do que no arquipélago vizinho, não existe um aproveitamento nem a criação de condições necessárias para a manutenção da tão falada geração com a mais alta taxa de formação. O Governo investe milhares de euros na formação de pessoas que, depois, simplesmente abandona ou não dá o devido aproveitamento.

Uma contratação faseada e não em bloco são alguns exemplos de como resolver este problema de uma geração que espera anos a fio por ver a luz ao fundo do túnel. É necessário que estas contratações sejam feitas em função da excelência do currículo dos candidatos e não por antiguidade. Os investigadores deverão ser contratados para fazer investigação; os professores deverão ser contratados para dar aulas, e não para fazer trabalhos administrativos, como muitos se queixam ou reclamam com toda a razão. É com um sistema científico que podemos permitir a manutenção de quadros altamente qualificados na Região e um melhoramento dos ganhos para a Universidade dos Açores, que tem feito um trabalho excelente nesta área, tendo em conta as ferramentas que lhe são atribuídas.

Os Açores têm recursos naturais, uma posição geoestratégica e locais de estudo únicos no mundo (de realçar as nossas fontes geotermais, as estruturas vulcânicas ou até a possibilidade de estudo dos movimentos tectónicos que deveriam ter nos Açores um expoente máximo) mas que são completamente ignorados. Temos uma agricultura, a pecuária e as pescas a par – neste momento – com o turismo, a ser dos sectores económicos com maior relevo e importância. Um Governo Regional sério precisa olhar para a Ciência, inovação e conhecimento de forma a potenciar como uma nova área económica de desenvolvimento social e isto tem de ser encarado com pragmatismo e segurança. Vamos lutar com confiança por um presente e por um futuro melhor sem nunca baixarmos os braços. Cuidem-se!

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