Durante três dias, a Ribeira Grande voltou a receber o Wine in Azores, um evento que, além dos mais de 1000 vinhos que colocou à prova, teve também, este ano, uma parte gastronómica com diversos chefs presentes.

 

 

Entre 8 a 10 de outubro, o Pavilhão de Exposições da Associação Agrícola de S. Miguel, recebeu mais uma edição do mítico evento Wine in Azores, uma iniciativa da Gorgeous Azores que reuniu mais de 1000 vinhos de cerca de 70 produtores regionais e nacionais, num total de 150 stands.

Este ano, além da degustação de vinhos, espumantes e licores, o evento contou com uma componente gastronómica, com 15 momentos de showcooking e a presença de vários chefs conceituados, como explicou o organizador Joaquim Coutinho Costa. “Este ano reforçámos a componente de gastronomia, aliada aos vinhos como tem sido nosso apanágio. Além de alguns chefs já bem conhecidos dos açorianos e algumas novidades”, explicou.

No certame estiveram presentes os chefs Renato Cunha do Restaurante Ferrugem, Francisco Gomes da pastelaria A COLONIAL, Luís Portugal da Tasca José Tuga, Pedro Jorge do Masterchef Júnior, Luís Miguel Barradas Chef Executivo no Okah Restaurante & Rooftop em Lisboa, Gil Fernandes Chef do Fortaleza do Guincho, Hugo Brito do Boi-Cavalo Restaurante e Joaquim Saraiva Leal da Taberna Sal Grosso. Contudo, o grande destaque foi para Daniel Galmiche, Chef Consultor vencedor de 4 Estrelas Michelin desde 1990 e conhecido como o “campeão da Cozinha clássica com um toque de contemporaneidade”.

Além disso, o Wine in Azores contou ainda com a presença de artistas locais, como tem sido habitual ao longo dos anos. Nesta edição, os visitantes tiveram oportunidade de assistir ao trabalho de cerca de 10 artistas do grupo Arte Viva, que pintaram ao vivo temas alusivos ao vinho.

“Tem sido um momento muito difícil para qualquer agente cultural ou empreendedor. Nós sentimos e vivemos essas dificuldades e, por isso, não podemos ficar indiferentes a outras áreas que também viram as suas atividades paradas no último ano e meio. A criação de um bom vinho, de um bom prazo é em si uma arte, porque não trazer para o Wine in Azores mais formas de arte?”, explicou o organizador.

Ao longo dos seus 13 anos de existência, o Wine in Azores tornou-se num dos eventos de maior sucesso, dando a certeza a Joaquim Coutinho Costa de que esta “é uma aposta que valoriza a região”. “O setor vitivinícola tem um enorme impacto económico e um enorme potencial de promoção sendo necessário continuar a trabalhar e inovar numa conjunção de esforços para prever o desenvolvimento e estrutura dos produtos. Estamos aqui simultaneamente a apresentar a diversidade de produtos vitivinícolas nacionais, mas sobretudo a estruturar a oferta ao nível dos vinhos regionais já existentes com elevadíssima qualidade. Trata-se por isso de um fator valorizador da nossa oferta e pela sua natureza e potencial deveria ser do interesse de todos”, referiu.

Por tudo isto, Joaquim Coutinho Costa apela a “uma maior ajuda do Governo Regional na adoção de mais medidas destinadas a apoiar as empresas e a economia açoriana”, acrescentando que a organização do Wine in Azores significou um grande esforço financeiro e pessoal, na ordem dos 700 mil euros.

“São muitos os desafios, por isso, é urgente que o Governo dos Açores, as Câmaras Municipais, as empresas público-privadas e os empresários locais sejam nossos parceiros ativos, pois os objetivos são compatíveis e complementares. Temos de nos sentir apoiados para continuar a desenvolver a nossa atividade e assim dar o nosso contributo para o desenvolvimento da economia regional. Trabalharemos com muito empenho e dedicação para levar em frente o Wine in Azores”, referiu o organizador, acrescentando ainda que o próximo evento, o Wine in Terceira, que se realiza de 19 a 21 de novembro, não conta com o apoio da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. “Trata-se de um evento de igual sucesso naquela ilha, pena ser subestimado por aquela entidade”.

Apesar das medidas mais restritivas devido à pandemia de Covid-19, nomeadamente a apresentação obrigatória de certificado digital ou teste negativo nas últimas 72 horas, foram muitos os que marcaram presença neste evento, como Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande que se mostrou bastante satisfeito com o regresso dos grandes eventos ao concelho.

“Estamos a falar do regresso dos grandes eventos à Ribeira Grande e, com eles, o regresso à normalidade possível nesta altura depois de superados momentos difíceis devido à pandemia. Este é o primeiro grande evento que se realiza no concelho no pós-pandemia, situação que nos apraz registar”, afirmou o autarca.

Alexandre Gaudêncio realçou também o facto de este ser um evento com mercado consolidado. “Apesar das circunstâncias atuais e do momento ainda não ser semelhante ao de 2019, o Wine in Azores deste ano está a dar boas indicações de retoma. A venda de bilhetes superou as expetativas iniciais e a presença de cerca de 70 expositores regionais e nacionais é prova de que aguardavam pelo momento certo para voltar a expor e dar à prova os seus produtos.”

Também Pedro Furado, vice-presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, elogiou a organização do evento e defendeu que este tipo de certame tem de ser apoiado sempre. “Este evento é de grande notoriedade e com uma organização impecável. São poucos os eventos nos Açores que conseguem ter a capacidade de encher o pavilhão. Desde logo é visível da real dimensão e da organização que está subjacente a tudo isto. E o crescimento dos vinhos dos Açores também há uma quota parte de responsabilidade do Wine in Azores. Tem servido de embaixador dos vinhos dos Açores no exterior. É uma aposta ganha e aposta de futuro e que tem de merecer de todas as entidades sem exceção um apoio inexcedível, até ao limite das possibilidades”, afirmou.

Presente no certame esteve também Mário Mota Borges, Secretário Regional dos Transportes, Turismo e Energia, em representação do Governo Regional, que destacou, igualmente, a importância do evento para toda a região. “O Wine in Azores é um caso de particular sucesso sobretudo pela sua dimensão experiencial e sensorial criando oportunidades de excelência para a nossa dinamização turística e para a promoção das nossas produções de referência. É uma montra de excelência para toda a região que reforça a transversalidade do turismo com outras áreas económicas”.

Mário Mota Borges adiantou ainda que o Governo dos Açores está a desenvolver e promover “novas rotas temáticas, uma delas subordinada ao tema das vinhas, procurando uma qualificação de toda a envolvência do turismo associado à cultura da vinha, à produção de vinho e à sua degustação e valorização enquanto produto regional de referência”.

“Há uma clara aposta no enoturismo. E é notório o entusiamo que os Açores despertam neste âmbito, de facto o turismo de vinhos e gastronomia é um dos segmentos onde reconhecemos um potencial imenso ainda por explorar na nossa região. Quer ao nível da diversificação da experiência, quer ao nível da dispersão dos fluxos turísticos por mais ilhas, quer ainda ao nível da mitigação da sazonalidade. Estes têm sido méritos conquistados pelo Wine in Azores que é realizado fora da época alta e já com edições em duas ilhas. É por isso que apoiamos diretamente este evento”, rematou.

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