11 DE SETEMBRO 2025

É fácil encontrar imagens, na imprensa nacional e europeia, das Torres Gémeas, dos aviões kamikazes e da poeira deixada em Nova Iorque, nesse fatídico dia para os americanos. Já não é tão fácil encontrar imagens do outro 11 de setembro, do Chile, e do avião da FACH (Força Aérea do Chile) a bombardear o Palácio de La Moneda.

Segundo dados oficiais no total, considera-se que 2.996 pessoas morreram no atentado: 246 nos quatro aviões (dos quais não houve sobreviventes), 2.606 em Nova York e 125 no Pentágono.

É difícil estabelecer dados oficiais sobre o Golpe de estado no Chile, devido a que durante 17 anos a ditadura militar escondeu e destruiu documentos, dinamitou corpos no deserto de Atacama, e foram lançados ao mar prisioneiros vivos ou moribundos com o intuito do desaparecimento, mas mesmo assim se estima que nos primeiros meses da ditadura e do período de terror, os partidos foram dissolvidos, milhares de opositores presos, muitos deles torturados em centros de detenção como o Estádio Nacional. Estima-se que mais de 3 mil pessoas tenham sido mortas ou desaparecidas e outras dezenas de milhares obrigadas ao exílio. Cerca de 40.175 pessoas foram executadas durante a ditadura do general Augusto Pinochet, e ainda há 1.469 pessoas vítimas de desaparecimento forçado, das quais 1.092 foram detidas e desapareceram, enquanto 377 foram executadas e os seus restos mortais nunca foram devolvidos.

As tragédias não se medem apenas em números, ainda devemos contabilizar, quando é possível, no sofrimento dos exilados, dos desterrados, dos detidos nos campos de detenção e a perseguição dos opositores.

É um dever dos chilenos e democratas do mundo não esquecer, que a história não se repita, sobretudo agora quando sopram internacionalmente ventos saudosos de regimes totalitários e xenófobos.

A Independência do Chile, aconteceu graças, e como consequência das invasões napoleónicas, os criollos não aceitaram o novo regime instaurado na Península e começaram por toda América os movimentos de liberdade. No dia 18 de setembro de 1810, se realiza a primeira Junta Nacional de Governo/ Assembleia do Governo do Reino do Chile (18 de setembro de 1810 – 4 de julho de 1811), também conhecida como a Primeira Reunião do Governo, foi a organização criada para governar o Chile pós-colonial após a deposição e prisão do rei Fernando VII da Espanha por Napoleão Bonaparte. Foi o primeiro passo na luta chilena pela independência, e é comemorado como o dia nacional do Chile. Após a derrota das forças napoleónicas, se inicia em América, as Guerras da Reconquista, no caso do Chile, foi o período que começa com o fim da Batalha de Rancagua em 2 de outubro de 1814 e termina com a vitória chilena na Batalha de Chacabuco em 12 de fevereiro de 1817. Durante este período, os defensores do Império Espanhol restabeleceram seu domínio no Chile depois que aquele país se separou da Coroa Espanhola. Os “patriotas”, como os chilenos eram chamados, tentaram difundir as ideias de independência nos setores populares devido à crescente influência monarquista espanhola, função desempenhada pela ação guerrilheira de Manuel Rodríguez.

As Festas Pátrias, comemoram-se nos dias 18 e 19 de setembro, nestes dias são muitas as atividades culturais de memória e história aqui ficam algumas atividades:

Do jornal La Tercera, uma compilação das canções de uma tragédia: as composições inspiradas no 11 de setembro de 1973.No aniversário do golpe militar que terminou com o governo da Unidade Popular, na Culto, uma seleção de canções que abordam o tema do que aconteceu nesse dia e posteriormente. Há canções chilenas, mas também do estrangeiro, de Silvio Rodríguez a U2, de Pablo Milanés a Los Tres. El cancionero de una tragedia: las composiciones inspiradas en el 11 de septiembre de 1973 – La Tercera

“Se todos estão silenciosos é porque todos estão aterrorizados”: o livro sobre cartas do exílio – 25 de março- El Mostrador – Intitulado “O tempo do silêncio. As cartas do meu avô durante o exílio (insílio)”, de Leticia Martínez Vergara, o livro foi apresentado em 26 de março, na sala Rubén Darío da Universidade de Valparaíso. Um livro baseado nas cartas da sua família durante o exílio. As cartas do meu avô durante o exílio (insílio)”, a autora, designer e investigadora cresceu no México. Os relatos mergulham na análise da escrita epistolar e testemunhal trocada pelo avô da autora, Hernán Martínez, e seu filho exilado, entre 1974 e 1987, e da própria autora neta de Hernán e filha de Juan, com o objetivo de determinar como essas narrativas contribuem para a reconstrução da memória do exílio no Chile. A obra centra-se na experiência de uma família fragmentada pela ditadura cívico-militar chilena. “Si todos están silenciosos es porque todos están aterrorizados”: el libro sobre cartas del exilio

Ainda no campo da literatura e das artes, Leitura de relatos de memórias do exílio e do regresso. Em comemoração dos 53 anos do golpe cívico militar no Chile, a ONG, Filhas e Filhos do Exílio, realizou uma atividade no dia 9 de setembro, em conjunto com a organização Literatura em Casa, uma leitura de relatos de memórias do exílio e do retorno de infâncias vulneradas na ditadura. Foram apresentados trabalhos realizados nos ateliês de bordados em arpilleras/sarapilheiras que esta ONG promove. Lectura de relatos de memorias del exilio y del retorno

Reposição do filme documentário realizado (2023) por um cineasta alemão sobre filhos do exílio – Após realizar entrevistas em Berlim e Friburgo, o diretor Thomas Grimm esteve no país em março de 2023, para realizar filmagens.  O filme foi já exibido na televisão pública do país germânico em 2023, no contexto dos 50 anos do golpe militar, juntamente com um livro que servirá como material pedagógico para as escolas. «Alguns tiveram muita sorte, porque conseguiram estabelecer-se como profissionais e na sua vida pessoal, tanto na Alemanha como no Chile. Mas outros perderam o rumo, devido ao exílio são incapazes de conseguir um vínculo estável ou de encontrar o seu lugar no mundo, e oscilam sempre» entre os dois países. «O exílio deixa sempre marcas, de qualquer forma. São momentos da vida que marcam e não desaparecem». Cineasta alemán filma en Chile un documental sobre hijos del exilio

E como não pode haver festas sem teatro a reposição de dois grandes êxitos do teatro chileno:

“A Pérgola das Flores” (*): chega o clássico musical chileno com 25 intérpretes e música ao vivo- A icónica comédia musical, de Isidora Aguirre, regressa aos palcos no âmbito do 10º Ciclo Memória e Património do Teatro Mori, com representações de 17 a 21 de setembro, oferecendo ao público a oportunidade de desfrutar de um dos clássicos mais queridos do teatro nacional. Considerada um verdadeiro fenómeno cultural desde a sua estreia em 1960, “A Pérgola das Flores” retrata com humor e sensibilidade as mudanças sociais que marcaram o Chile do final dos anos 20. É difícil encontrar no Chile alguém que não cante ou conheça uma das canções desta peça musical, Isidora Aguirre, a quem tive o prazer de conhecer pessoalmente, junto do grande encenador Eugenio Guzmán, conseguiram um dos maiores êxitos do teatro nacional chileno, estreada em 1960, converteu-se no grande êxito do teatro musical, sendo mais tarde levada ao cinema. La pérgola de las flores – Wikipedia, la enciclopedia libre

Também o regresso da peça musical La Negra Ester, no contexto do mês das Fiestas Pátrias, o clássico dos palcos chilenos basado nas “Las décimas de La Negra Ester”, do folclorista Roberto Parra Sandoval. A versão original foi encenada com dramaturgia de Andrés Pérez, o renovador do novo teatro em Chile, desafortunadamente desaparecido prematuramente.

Nota: (*) La Pergola de las Flores, era um mercado de flores que existia junto da igreja de São Francisco, em Santiago do Chile. A sua destruição colocou as pergoleras/floristas contra o Município, este é o tema central da peça musical.