Há cinco pilares fundamentais no desenvolvimento de uma sociedade justa e moderna: Saúde, Educação, Justiça, Segurança e Cultura. São estes os alicerces que sustentam qualquer nação que se queira digna e progressista. Contudo, no nosso país, todos parecem estar a desmoronar-se, um após o outro.
A Saúde outrora orgulho da nação, anda pelas ruas da amargura. Hospitais encerram, as listas de espera para consultas e cirurgias aumentam a olhos vistos e já não se trata apenas de especialidades. Operações urgentes demoram meses, quando não anos, a ser realizadas.
Não é apenas a falta de médicos, é a falta de respeito por quem ainda resiste de bata vestida. Faltam médicos, enfermeiros e auxiliares. E a pergunta impõe-se: o que é que não falta na Saúde?
Na Educação, a carência de professores e auxiliares, é uma realidade conhecida, mas o problema vai muito além disso. Falta civismo, falta respeito, falta valorização pelo papel do docente e auxiliares o que resulta em milhares de alunos sem professores. Vivemos num tempo em que ensinar é quase um ato de resistência, e aprender deixou de ser prioridade, o que se irá reflectir nas gerações vindouras.
A Justiça é lenta e, por vezes, injusta. Os pequenos delitos são resolvidos com relativa rapidez, mas os casos de corrupção, abuso de poder e crimes económicos acabam esquecidos nas gavetas dos tribunais. Parece haver uma Justiça para uns e outra, bem diferente, para os outros, nunca a justiça foi tão injusta.
A Segurança perdeu-se nas esquinas das cidades. As ruas já não inspiram confiança; o medo tornou-se vizinho. Há quem culpe os emigrantes, há quem culpe a pobreza, mas talvez o problema seja outro: um Estado que perdeu o pulso, incapaz de proteger quem nele confia.
A Segurança tornou-se uma preocupação diária. As ruas já não transmitem tranquilidade.
A insegurança cresce e multiplicam-se as causas: excesso de imigração desregulada, precariedade laboral, miséria crescente entre os portugueses. O resultado é uma sensação colectiva de medo e abandono.
A Cultura, pilar essencial de qualquer sociedade, é tratada como o parente pobre das políticas públicas. Esquecida, desvalorizada, relegada a segundo plano. E, no entanto, é ela que forma o pensamento crítico, a identidade e a coesão de um povo, a literatura é quer se goste ou não um motor educacional, mas esquecido pelas entidades competentes, sucessivos governos que teimam em não valorizar a cultura, autarcas que esquecem que devia existir uma biblioteca em cada escola.
Os escritores, fazem o seu trabalho, por prazer pessoal e ter o ego em crescendo? Talvez. Escrevem para ganharem dinheiro com os seus livros? Não.
São poucos os que ganham, a grande maioria escreve pelo prazer e pelo dom que têm.
José Marti, escritor Cubano, nascido em 28 de Janeiro de 1853, disse: todo o ser humano deve ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro a fim de deixar um legado útil para o futuro, já passaram mais de 150 anos.
Segundo o Pensador e escritor cubano, o ser humano, para cumprir a sua passagem pelo mundo, deve ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Não é uma lista de tarefas são um símbolo de legado.
Ter um filho é prolongar a vida para além de si mesmo. É ensinar, errar, aprender outra vez. É aceitar que o futuro não nos pertence, mas que podemos influenciá-lo com amor e exemplo.
Plantar uma árvore é um ato silencioso de fé. Quem a planta sabe que talvez nunca desfrute plenamente da sua sombra. Ainda assim, finca raízes na terra como quem diz: “Eu estive aqui, e cuidei.”
Escrever um livro é deixar pensamento, memória e alma impressos no tempo. É organizar o caos interior e oferecê-lo ao mundo. Mesmo que poucos leiam, já cumpriu o seu propósito: transformar quem escreveu e porque não dizer ensinar um pouco.
No fundo, a frase fala de continuidade da vida, da natureza e das ideias. Fala de responsabilidade. E lembra-nos que viver não é apenas passar, mas marcar com sentido.
Assim, somos hoje um país à deriva, cada vez mais na cauda da Europa, rico apenas em ladroagem, corrupção e pobreza. Um país que precisa urgentemente de reencontrar os seus pilares antes que o edifício social desabe de vez.
No fim, resta-nos um retrato amargo: um país que foi promessa, mas se tornou lamento.
Somos, talvez, uma sociedade à procura dos seus pilares, ou a assistir, impotente, ao seu desmoronar.


