A sede do Orfeão de Valadares encheu-se, no passado dia 4 de abril, para celebrar os 99 anos de uma das mais emblemáticas coletividades da freguesia, numa cerimónia marcada por momentos simbólicos, discursos emotivos e homenagens aos fundadores. Entre recordações do passado e a aposta nas novas gerações, ficou vincada a importância da instituição na vida cultural local e a ambição de celebrar, já no próximo ano, um centenário memorável.
O Orfeão de Valadares celebrou o seu 99º aniversário com o tradicional hastear das bandeiras, que contou com a presença de representantes de várias entidades, entre as quais Firmino Pereira, vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, José António Ribeiro, presidente da Junta de Freguesia de Valadares, Pedro Sá, presidente da Assembleia de Freguesia de Valadares, e Júlia Couto, membro do executivo da Junta de Freguesia de Gulpilhares. Marcaram igualmente presença os Bombeiros Voluntários de Valadares, o Miramar Império, a Confraria Gastronómica dos Velhotes e a Confraria da Pedra, num sinal claro da ligação do Orfeão ao tecido associativo local.
A cerimónia decorreu na sede da coletividade e teve início com uma visita às instalações, proporcionando aos presentes um momento de convívio e partilha antes dos momentos protocolares.
Na abertura oficial, Teresa Lopes, presidente da Mesa da Assembleia Geral, destacou a adesão significativa à iniciativa e o simbolismo do encontro. “Hoje podemos estar todos muito felizes que temos aqui uma casa bem recheada, porque é talvez a primeira vez que eu vejo este lugar tão cheio de gente e boa gente”, afirmou, acrescentando que, apesar do carácter solene, pretendia dar à cerimónia “um cunho muito familiar, porque na realidade estão aqui a família e os amigos do Orfeão de Valadares”.
A responsável fez ainda questão de agradecer a todos os que contribuíram para a longevidade da instituição. “Agradecer a quem realmente fez com que hoje estejamos cá a celebrar 99 anos, que são os sócios e as sócias do Orfeão de Valadares”, salientou.
Um dos momentos altos da celebração foi o hastear das bandeiras, protagonizado por Delfim, o sócio mais antigo da coletividade, José António Ribeiro, presidente da Junta de Freguesia de Valadares, e Firmino Pereira, vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. A solenidade foi acompanhada pelo Coro Infantojuvenil do Orfeão, cuja presença simbolizou a continuidade geracional da instituição.
O sócio mais antigo, Delfim, visivelmente emocionado, partilhou um testemunho marcado por memórias pessoais e pelo profundo vínculo ao Orfeão. “Tenho muita honra em estar aqui a presidir este ato. Já não é a primeira vez. Este mês festejo 70 anos de associado, é uma vida”, referiu, acrescentando que “esta foi sempre a minha segunda casa”. Recordando o passado, destacou ainda que “foi aqui que eu conheci a minha companheira há 67 anos. Estamos casados há 62, e, portanto, esta memória nunca mais desaparece desta casa”.
Num discurso carregado de simbolismo, evocou também a ligação familiar à instituição, revelando que “sou filho de um sócio fundador” e lembrando as comemorações do cinquentenário, onde ainda foi possível reunir vários fundadores. “Espero, no próximo ano, estar cá para o centenário”, concluiu.
Já Sofia Ramos, presidente da Direção do Orfeão de Valadares, sublinhou o papel atual da instituição enquanto espaço aberto à comunidade e em constante adaptação. “Obrigada pela vossa presença no 99º aniversário do Orfeão de Valadares”, começou por dizer, destacando de imediato o papel das novas gerações. “Isto é o nosso ouro da casa”, ressaltou, dirigindo-se ao Coro Infantojuvenil.
A dirigente destacou, ainda, a necessidade de reinvenção da coletividade, asseverando que “efetivamente, nós tivemos de nos reinventar e, portanto, o Orfeão, neste momento, é um espaço aberto à comunidade”, garantindo que continuam a ser promovidas atividades culturais e formativas acessíveis. Num registo pessoal, acrescentou que “também os meus pais casaram no Orfeão de Valadares e, portanto, há sempre algo emocional que nos liga ao Orfeão”.
Radiante e a pensar no futuro, a presidente da Direção da instituição enalteceu que “caminhamos para o centenário e vamos começar outra vez a fazer a história do Orfeão do zero, mas sem nunca esquecer os antepassados desta casa”.
Entre as entidades presentes, José António Ribeiro, presidente da Junta de Freguesia de Valadares, reafirmou o compromisso da autarquia com a coletividade, apesar das dificuldades, garantindo que “a Junta de Freguesia vai tentar apoiar o Orfeão de Valadares naquilo que for possível”. Reconhecendo que a situação da autarquia “não está fácil”, o autarca assegurou a ambição de assinalar o centenário com uma celebração especial. “Contamos dar-vos algum apoio, pelo menos para o ano de centenário, fazermos uma coisa inesquecível”.
Também Paulo Rodrigues, presidente da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, destacou a importância histórica da instituição. “99 anos é, de facto, uma vida”, revelou o dirigente associativo, frisando que, apesar dos desafios, “as instituições vão-se renovando naturalmente”.
Sublinhando ainda a relevância do envolvimento dos mais jovens, Paulo Rodrigues salientou que “temos aqui a presença de muitos jovens, que fazem parte do Coral Infantojuvenil”, considerando o Orfeão “uma instituição de referência da freguesia de Valadares e do concelho de Gaia”.
Presente na ocasião, Firmino Pereira, vice-presidente da Câmara Municipal de Gaia, reforçou a importância da preservação destas associações no contexto atual, evidenciando que “é muito importante que estas instituições continuem a existir, mesmo num mundo muito diferente de quando foram fundadas”.
Destacando, ainda, o papel dos fundadores, o edil realçou que “estamos aqui graças àqueles homens que há 99 anos deram início a este projeto muito bonito”, atestando que “podem contar com a Câmara Municipal de Gaia para aquilo que é a vossa atividade e para as comemorações do centenário”.
Num registo emotivo, Teresa Lopes voltou a intervir, acentuando a ligação pessoal à coletividade. “Esta é uma casa que me comove, que me dá força e que, ao mesmo tempo, me emociona por coisas passadas que nunca mais vou esquecer”, declarou, agradecendo “muito ao Orfeão por ter dado a possibilidade ao meu avô e ao meu pai de terem adquirido uma educação e um saber-estar que me transmitiram”.
A cerimónia terminou com uma romagem ao cemitério local, onde foram homenageados os sócios fundadores, num gesto de respeito e memória que reforçou a identidade da instituição.
As comemorações prosseguiram no dia 11 de abril, com a realização de um Encontro de Coros na sede do Orfeão, que reuniu o Coro da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso, o Grupo Coral do Orfeão de Valadares e o Coral “Honra e Dever” de Vila do Conde, num momento de partilha cultural que antecipou, simbolicamente, as celebrações do centenário que se avizinham.


