A XIII edição do Festeatro – Festival de Teatro Amador de Vila Nova de Gaia terminou, a 28 de março, com uma emotiva homenagem ao ator Aquiles Dias, distinguido como “Personalidade Teatral 2026”. Numa gala marcada por testemunhos, momentos artísticos e reconhecimento ao movimento associativo, diversas personalidades destacaram o percurso de décadas do homenageado e reforçaram a importância de continuar a investir na cultura.
O Auditório Municipal de Gaia foi palco de uma noite de celebração do teatro e do associativismo, reunindo autarcas, dirigentes associativos e agentes culturais na gala de encerramento da XIII edição do Festeatro. A cerimónia contou com a presença de Elizabete Silva e Maria de Fátima Menezes de Figueiredo, vereadoras da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, bem como deputados municipais e vários presidentes de Junta, entre os quais Ana Luísa Ferreira (Canelas), Joaquim Tavares (Pedroso), Eduardo Ribeiro (Avintes), Sara Magalhães (Vilar do Paraíso) e Fernando Duarte (Santa Marinha), além de representantes de outras freguesias. Também, Adelino Soares, vice-presidente da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, Manuel Moreira, presidente do Congresso da mesma Confederação, e Alcides Horta, presidente da Federação das Coletividades do Distrito do Porto, fizeram questão de participar no evento.
A sessão abriu com um momento musical protagonizado por Maria Couto, aluna da Escola de Música de Perosinho, seguindo-se duas representações teatral com Aquiles Dias, Mirró Pereira, Gisele Pereira e Alzira Santos, antecipando o momento alto da noite, a homenagem ao ator.
Ao longo da cerimónia, multiplicaram-se os testemunhos que traçaram o percurso pessoal e artístico de Aquiles Dias. António Conde, diretor do CCD Gaia, destacou uma vida dedicada ao desporto e à cultura, sublinhando “o enorme contributo deste homem multifacetado” e considerando que “nas rudes ‘pedras’ em que o Aquiles tocou, daí saíram sempre pepitas de ouro”, numa alusão à sua capacidade de transformar desafios em sucessos.
Também o jornalista João Arezes evocou a dimensão humana do homenageado, descrevendo-o como “um ser empático” e “amigo do seu amigo”, cuja carreira conciliou a vida profissional com a paixão pelo teatro. Recordou ainda o percurso que passou por companhias como o Teatro Experimental do Porto e o Seiva Trupe, considerando a distinção “uma homenagem muito justa e tributária dos méritos do cidadão Aquiles Dias”.
Num registo emotivo, a atriz Mirró Pereira afirmou ver no homenageado uma referência incontornável na sua carreira, declarando que “o Aquiles Dias é o meu padrinho de palco”. Sublinhando ainda o seu legado artístico e humano, a atriz defendeu que “o Aquiles está registado na história do teatro português, não tenhamos dúvidas”.
A dimensão pessoal foi também destacada por Sílvia Dias, filha do ator, que lembrou os valores transmitidos pelo pai, afirmando que “o teatro não é só palco, luzes e aplausos, é escola, é entrega, é olhar para o outro”. Acrescentando que “a sensibilidade não é fraqueza, é força”, a filha de Aquiles Dias enalteceu o papel do homenageado enquanto pai e exemplo de vida.
Já Eduardo Ribeiro, presidente da Junta de Freguesia de Avintes, reforçou a importância de reconhecer figuras como Aquiles Dias, considerando-o um dos “emprestadores da alma” ao teatro e defendendo que “a cultura é cara, mas a incultura é mais cara”, apelando a um maior apoio ao setor.
Por conseguinte, o presidente da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, Paulo Rodrigues justificou a distinção com “a qualidade do seu trabalho nos palcos por onde passou” e “a sua dedicação e paixão pelo teatro”, afirmando que Aquiles Dias é “digno e merecedor da homenagem”.
Visivelmente emocionado, Aquiles Dias destacou o papel do teatro na sociedade, considerando-o “um espelho crítico social” que promove “empatia, reflexão e mudança”. Salientando ainda a sua importância na educação, o homenageado defendeu que esta arte “estimula o autoconhecimento, a criatividade e a comunicação”, sendo “uma ferramenta pedagógica que transforma o ambiente em aprendizagem”.
Após a homenagem, o público revisitou os momentos mais marcantes desta edição do festival através de uma retrospetiva fotográfica. Seguiu-se a entrega de diplomas e troféus às coletividades participantes, nomeadamente, Plebeus Avintenses, Centro Democrático D’Instrução Latino Coelho, TEAGUS – Teatro Amador de Gulpilhares, Associação Recreativa Entre Parentes, Grupo Mérito Dramático Avintense, Orfeão da Madalena, ACRAV – Amigos Vilarenses, Associação Recreativa de Perosinho, Sporting Clube Candalense e Teatro Amador de Sandim.
Na reta final, Paulo Rodrigues deixou um apelo claro, reforçando que “temos de continuar a apoiar a cultura” e lembrando o esforço e dedicação dos agentes associativos que, de forma voluntária, mantêm viva a atividade teatral no concelho.
Também Adelino Soares, vice-presidente da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, destacou o papel do movimento associativo, sublinhando que este trabalho é feito “de gosto”, enquanto Manuel Moreira, presidente do Congresso da mesma Confederação, enalteceu as coletividades como “algo incontornável da vida e da cidadania ativa”, lembrando que Vila Nova de Gaia assume, este ano, o título de Capital Portuguesa do Voluntariado.
A encerrar, a vereadora da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Elizabete Silva, fez um balanço positivo do festival, que contou com onze espetáculos apresentados por dez companhias, destacando “uma programação rica, diversa e profundamente representativa da vitalidade cultural do concelho”. Garantindo ainda o compromisso do município em continuar a apoiar o evento, a edil considerou que o Festeatro é “muito mais do que um festival, é um espaço de encontro, de partilha e de afirmação cultural”.
A XIII edição do Festeatro despediu-se, assim, com casa cheia, aplausos e a certeza de que o teatro amador continua vivo em Vila Nova de Gaia.


