No dia 9 de maio, perto do meio-dia, os repórteres do Audiência, a convite do professor Luís Baião, foram convidados a viajar com a Malta das NAUS.
A chegada à escola do Agrupamento de Canelas, fomos informados que já tinha sido a apresentação da peça (uma partida do bem-disposto professor Luís Baião).
Refeitos da brincadeira, entramos para o auditório da escola, onde estava montado um grande cenário de teatro. O elenco vivia o frenesim dos ensaios, os nervos dos atores, as roupas para as personagens, palavras soltas, tais como: a minha camisola, a minha bandeira, … O Pedro Durães dizia: “estou nervoso, tenho medo de esquecer a minhas palavras” …eu também dizia o Vasquinho” …vai correr muito bem, encorajava a Tê Marques.
Cenário montado, luzes, apoio técnico e os atores fazem os últimos ensaios, neste incrível ambiente, onde temos atuação dos alunos do ensino da sala Simbiose, do Profª Luís Baião e do CIS (centro de Inclusão Social) da Câmara Municipal de Gaia, coordenado por Vânia Couto.
Entretanto, o auditório enche-se com professor e os alunos do 5º ano. Com as luzes apagadas, o silencio impera, pois todos embarcam na viagem das naus.
Grande surpresa…o cenário vira um momento de glórias do futebol, os atores com camisolas alusivas à seleção de todos nós que participam nos mundiais de futebol.
Recordamos os últimos minutos do jogo Marrocos-Portugal, com a derrota de Portugal. A história, à primeira vista leva-nos a concluir que o feito dos portugueses, vão sempre além-fronteiras, e deixam marcas por onde passam.
Todo este cenário foi certamente para cativar os alunos presentes para a história contida na apresentação aqui, a interação acontece no momento em que no cenário surge a imagem do Cristiano Ronaldo, e o público reage.
A parte dos arranjos, do som e das músicas, foram muito bem pensadas, pois cada trecho musical combinava bem com todo o cenário e com o fantástico coro do 5º ano orientado pelo professor Nuno.
Com a subtileza de um bom enredo histórico, os intervenientes levam-nos a viajar do séc. º XXI ao séc. º XV, numa Nau na descoberta do caminho marítimo para Índia, onde não faltam, todos os elementos (sereias, especiarias, espiões, anjos e até monstros marinhos). São contados muitos acontecimentos da viagem, onde mortes por doenças, escorbuto, rotas marítimas não planeadas marcaram a expedição incrível pelo grande navegador Vasco da Gama.
A excelente interpretação, mereceu, uma grande ovação de pé a todos os atores que agradeciam o reconhecimento. Foi uma manhã diferente que não queríamos que terminasse.
Conversamos com alguns dos espetadores, que neste caso são professores e alunos, sobre o desempenho dos atores/alunos.
“Foi uma peça brilhante. Estes atores cada vez estão melhores e é por esse motivo que nós professores motivamos os alunos do 5º e 6º ano de história e geografia de Portugal para o tema que vão começar agora, que é a expansão e descobrimentos, para verem esta peça de teatro”, afirmou a Professora Olga Lei.
Já o professor Nuno Ramos admite que “trabalhar com estes alunos é sempre maravilhoso, mas eu só ensaiei o coro, todo o trabalho é com o profº Baião”.
Falamos também com a Teresa Marques (Té) que é mãe, atriz e voluntária, que explicou como se envolveu nestes projetos. “É uma satisfação imensa, estar a dar de mim a estes jovens que são tudo de bom que pode haver. Depois por causa do meu filho, porque realmente ele é uma inspiração todos os dias para mim para eu me meter nestas aventuras. Ocupo o meu tempo todo como se fosse uma trabalhadora, das nove às cinco da tarde. É uma terapia, uma realização pessoal, de uma pessoa que já quis trabalhar neste ramo, mas como não foi possível, então agora estou a colmatar esta parte da minha vida”.
Na hora de atuar, Té Marques admite que há sempre nervosismo e ansiedade. “Como qualquer ator antes de entrar em palco. Muito nervosismo, ansiedade, está lá. já estamos nisto a alguns aninhos, mas há sempre aquele “bichinho”, será que vai correr bem, será que vão fazer tudo? Mas faz parte do prazer da nossa atuação, depois corre tudo muito bem. O sentido de responsabilidade, está sempre presente e os “nossos” atores, vivem este momento com muita ansiedade”.
No final, o professor Luís Baião explicou o porquê do regresso da Malta das Naus e quem são, afinal. “O Regresso da Malta das Naus” convida-nos a viajar pela História, numa epopeia que une o presente e o passado: tudo começa num simples jogo de futebol e termina nas areias distantes de Calecute.
Este espetáculo é o resultado de uma coprodução inspiradora entre o Agrupamento de Escolas de Canelas e o Centro de Inclusão Social de Canelas. Uma prova de que a arte e a inclusão são as melhores bússolas para navegar!”.
O jornal Audiência vai certamente embarcar em outras viagens com a Malta das Naus.


