Um amante de enigmas e de literatura policial, autor de uma coluna sobre enigmas e cifras num jornal semanário, sucumbe sobre a secretária no seu escritório após o almoço. É este o ponto de partida para o desafio que nos deixa o confrade A. Raposo, numa altura em que a maioria dos nossos leitores se prepara para retomar a rotina das suas obrigações profissionais. As férias deste ano em breve chegam ao fim e tudo volta à normalidade. E dentro dessa normalidade está a resolução de mais uma prova do torneio “Solução à Vista!”, que irá ocupar as “células cinzentas” dos nossos “detetives” até à próxima primavera. Neste momento são 44 (quarenta e quatro!) os leitores que arriscam partilhar os seus dotes detetivescos com o orientador da secção, mas são muitos mais os que se limitam a decifrar mentalmente os enigmas do torneio sem se atreverem a submeter as suas capacidades dedutivas a quem tem a ingrata tarefa de fazer a respetiva avaliação.

Recordamos, por isso, que a todo o momento qualquer leitor pode integrar o pelotão de concorrentes do torneio, bastando para isso que envie as suas propostas de solução desta prova ou das futuras nas datas aprazadas. É certo que os leitores que só agora (ou mais tarde) se juntem aos concorrentes que estão em prova desde o início terão menos hipóteses de chegar ao topo da classificação até ao momento de todas as decisões, mas não é de todo impossível que venham a ocupar um honroso lugar (até com direito a prémio!). Se bem que o mais importante da participação neste nosso passatempo seja o prazer da leitura dos enigmas, a sua interpretação e consequente decifração, mesmo que isso seja apenas feito isoladamente ou de forma partilhada com amigos. De qualquer forma, confessamos que gostaríamos que todos os que seguem regularmente a nossa secção viessem, nos próximos tempos, a engrossar a lista de concorrentes…

TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”        

Prova nº. 4           

“O Caso do Capitão Venâncio”, de A. Raposo

O capitão Venâncio era um amante de enigmas e da literatura policial. Republicano e anticlerical, defendia os ideais liberalistas: um potencial anarquista moderno muito influenciado pelas leituras de livros que um seu antepassado lhe encheu parte da sua grande biblioteca, um antepassado do século XIX, amigo de Garibaldi e do seu pensamento político.

Escrevia num semanário, regularmente, uma coluna com o título “enigmas & cifras”. Numa semana colocava o problema, na seguinte novo problema e solução da semana anterior.

O capitão tinha perdido a mulher, de doença, no ano anterior e o único filho deles tinha partido numa expedição para o Congo e nunca mais dera sinais de vida. Já lá iam dez longos e desesperados anos.

Venâncio não tinha qualquer outro parente e resolvera fazer há meses o testamento a favor das suas duas velhas criadas – que ficariam com a habitação – e do jardineiro-motorista que entrara recentemente ao serviço, um rapaz ainda bastante novo, que fora barbeiro lá na terra e se adaptava a qualquer serviço. Este último ficaria com todos os veículos que estavam na garagem de boa marca e alto valor.

Naquela tarde, como habitualmente, Venâncio após o almoço subiu os vinte degraus até ao primeiro piso onde tinha variadas estantes de livros e uma grande secretária. Era o seu escritório.

Antes de meter a chave na porta, olhava sempre saudoso o quadro que sua mulher lhe oferecera um pouco antes de falecer, uma cópia a óleo, da famosa última ceia de Cristo.

O quadro ficava na parede no topo do patamar da escada, à direita de quem subisse a escada.

Segundo a opinião das suas velhas empregadas, que terminavam a arrumação da cozinha, após o almoço, passado um tempo depois de o sr. capitão ter subido, ouviram um estampido, que mais parecia um tiro.

Sabiam que o sr. capitão tinha a arma junto às estantes. Sempre operacional.

Largaram as tarefas e subiram as escadas. Porém a porta estava fechada – o que não era habitual – e uma delas veio cá abaixo buscar ao chaveiro o duplicado da porta do escritório. Voltaram, abriram a porta e depararam com o cenário.

A vítima tinha a cabeça caída na secretária e mais veio a descobrir-se a bala, incrustada no quadro da última ceia de Cristo, após ter atravessado a cabeça do capitão.

No chão a arma do capitão e a cápsula e na secretária o bloco de notas, um envelope com o enigma que iria enviar para o semanário, a caneta, a chave da porta e muito sangue.

No interior do envelope um conjunto de quinze letras que era mister descobrir:

FEFOABAREGEOLEA.

Havia no escritório uma outra porta raramente usada, que dava ligação a uma espécie de escada de salvação que terminava no jardim.

As criadas, aflitas, chamaram o jardineiro que fora bombeiro e não dera por nada, pois estava a cortar lenha com a moto-serra.

O jardineiro subiu ao piso superior e apalpando o pescoço verificou que nada havia a fazer, tendo ligado para a polícia.

A polícia chegou, colheu depoimentos, fotografou, levou o corpo e fez a autópsia.

O caso foi encerrado pela polícia e consta que no relatório se indicava suicídio na falta de outras provas.

Para o leitor pedimos duas coisas: que decifre o enigma e que explique o que sucedeu na casa do capitão Venâncio.

Nota de rodapé: Este problema foi congeminado após a notícia da morte anunciada do policiário, mas não confirmada, num pasquim lisboeta.

DESAFIO AO LEITOR

Caro leitor, o que lhe pedimos é que dê resposta ao pedido feito pelo autor do enigma, elaborando um relatório completo das suas deduções, que deverá enviar para o orientador da secção, até ao próximo dia 30 de setembro, através dos seguintes meios:

– por correio postal, para AUDIÊNCIA GP / O Desafio dos Enigmas, rua do Mourato, 70-A – 9600-224 Ribeira Seca RG – São Miguel – Açores;

– por correio eletrónico, para salvadorpereirasantos@hotmail.com.

Recordamos entretanto que, juntamente com a solução desta prova, deve enviar a pontuação atribuída ao enigma “O Estranho Caso da Falsa Mobilidade”, de Bigode, que constituiu a terceira prova do torneio.

E, já sabe, não se esqueça de identificar a solução enviada com o seu nome (ou com o pseudónimo adotado).

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