LUÍS FILIPE MENEZES VERSUS JOÃO PAULO CORREIA

7 é o número da camisola de Cristiano Ronaldo, o português mais famoso em todo o mundo! 7 foi, também, o dia escolhido por Luís Filipe Menezes para apresentar a sua candidatura à presidência da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.

Desde o final do ano passado a dúvida e a incerteza pairavam no ar: vem, não vem? Luís Filipe Menezes no seu estilo peculiar que tão bem o caracteriza foi sorrindo, ora negando, ora abrindo a porta, afinal ainda faltava muito tempo e sabia que uma grande franja de gaienses ainda vivem a nostalgia da sua passagem à frente dos destinos do concelho que revolucionou, com tudo o que tem de bom ou menos bom.

João Paulo Correia definiu há mais de quatro anos os seus objetivos. Ciente da sua enorme experiência política a cadeira do poder na Avenida da República era o objetivo único, mas havia um grande problema, um outro destacado militante socialista e vice-presidente da Câmara Municipal, também, tinha os olhos colocados nesse lugar. Entretanto a situação resolveu-se quando este último foi detido e embrulhado num processo com contornos, cada vez mais caricatos, João Paulo Correia avançou definitivamente para o seu principal objetivo.

“Impoluto” como auto se considera de repente tinha, também, em mãos o problema da solidariedade política. Quase em simultâneo o presidente e o vice-presidente da Câmara passaram a estar, por razões diversas sob os holofotes da comunicação social e à mercê de alguns fortes por detrás de um teclado.

Eduardo Vítor Rodrigues sentiu-se diversas vezes magoado com a falta personalizada de solidariedade do seu partido e em especial do presidente da concelhia. Não bastam uns tantos comunicados. É preciso afirmar olhos nos olhos e isso não aconteceu.

Que dizer, então, em relação a Patrocínio Azevedo? Um militante abandonado à sua sorte e a certeza que lá para os lados de Olival corre que o mal deste veio mesmo a calhar para quem pretendia uma caminhada unânime e triunfal até ao cadeirão municipal…

Ao longo dos primeiros seis meses deste ano assistiu-se a um arrastar socialista, como na expectativa de quem viria do outro lado. A nível nacional a situação não ajudou e não é que aparece de forma surpreendente o CHEGA para tudo confundir. Uns encolhem os ombros porque os resultados de umas eleições nacionais não se refletem diretamente nas eleições autárquicas, outros levam a coisa bem mais a sério. Se for um “voto de protesto” tanto vale ser a Maria ou o Manuel ele voltará a acontecer. Se assim for os supostamente principais candidatos têm de se acautelar.

No Partido Socialista sucederam-se alguns afastamentos silenciosos até que Paulo Lopes que tinha estado na primeira fila da apresentação do candidato socialista bate a porta com um estrondo ensurdecedor. O PS treme e João Paulo Correia procura reunir todos os seus indefetíveis apoiantes para reduzir os estragos. O problema maior que João Paulo Correia tem para ultrapassar é o fazer acreditar, os que confiam em si, de que as suas escolhas, são, realmente, as melhores para o concelho. A indicação de Dália Miranda como deputada à Assembleia da República deixou muitos de pé atrás…Enfatizou varrer a Câmara, mas até agora, certa só a saída de Albino Almeida da presidência da Assembleia Municipal. A pergunta impõe-se, enquanto Eduardo Vítor Rodrigues defende e justifica como amplamente positivo o seu legado, apresentando dados objetivos, como é que o cidadão compreenderá hipotética vassourada? São pessoas diferenciadas…sem dúvida, mas os disparos à saída dos TMP entre outros não colocam em causa a continuação renovada do período autárquico iniciado há 12 anos atrás?

Com quem conta afinal João Paulo Correia? Filipe Silva Lopes, considerado, neste momento, o mais valioso ativo do PS no concelho prefere ser número 2 na freguesia do que integrar uma eventual candidatura à Câmara. Jorge Miguel Pacheco, um dos seus mais entusiásticos apoiantes garante que serão favas contadas…mas quem está de fora questiona que cartas terá na manga João Paulo Correia? Depois de uma “Comissão de Honra” muito abaixo das expetativas o que esperar? Será um vídeo de 2013 profusamente divulgado pelos jotas e incentivado por Jorge Miguel Pacheco a arma do PS para se bater e debater com Luís Filipe Menezes? “Poucochinho”…

Entretanto, Luís Filipe Menezes já espalha charme pelo concelho. Abraços aqui, incentivos exaustivos permanentes e uma caminhada que, acreditam os seus apoiantes, provará, mais uma vez, que os últimos a entrar em pré-campanha serão os primeiros no dia D. Em dificuldades fica, também, o CHEGA. Menezes entra muito bem no seu nicho eleitoral. Está como peixe na água.

Apostado em congregar lidera uma coligação que inclui partidos (PSD, CDS e IL), mas, também cidadãos de diferentes áreas políticas (da esquerda à direita).

Nada ficou ao acaso e há o sentido estratégico na escolha do mandatário, do cabeça de lista à Assembleia Municipal e de alguns candidatos às Juntas de Freguesia, com notório destaque para Oliveira do Douro, com o seu ex-vereador Rui Cardoso, Vilar de Andorinho, com o independente, Álvaro Bastos, residente em Vila d’Este, localidade onde Menezes não é esquecido pela “revolução” que, enquanto presidente de Câmara, lá operou e Serzedo, onde Patrícia Soares, outra socialista descontente e membro do atual executivo, deixa a casa rosa e avança pela coligação.