“O ALUNO DEVE VIR PARA A PROFITECLA, PORQUE É A MAIOR E A MELHOR ESCOLA PROFISSIONAL EM PORTUGAL”

João Ferreira abraçou, em 2024, o desafio de dirigir a Escola Profissional Profitecla de Matosinhos. O ex-aluno, ex-professor e, agora, diretor afirmou, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, que traz consigo a missão de quebrar estigmas associados ao ensino profissional e afirmar o polo matosinhense como uma referência na formação de jovens altamente capacitados, tanto para o mercado de trabalho, como para o ensino superior. Integrada no Grupo Rumos, que detém oito polos a nível nacional, a Profitecla aposta numa metodologia prática, alinhada com as necessidades das empresas e, segundo João Ferreira, com uma taxa elevada de empregabilidade dos seus diplomados. Para o próximo ano letivo, a escola prepara-se para crescer, com a oferta de quatro cursos, Auxiliar de Saúde, Auxiliar de Farmácia, Apoio Familiar e à Comunidade e Animador Sociocultural. Mais do que números, o diretor da Escola Profissional Profitecla de Matosinhos, defende um propósito: “se eu consegui, eles também conseguem”.

 

Quando é que decidiu abraçar o projeto da Escola Profissional Profitecla de Matosinhos e porquê?

Eu fui convidado já no final do ano passado para abraçar este projeto, com o intuito de primeiro trabalhar aqui a questão do rótulo associado ao aluno ou ao jovem que pretende integrar esta vertente do ensino secundário profissional. Eu não me canso de referir a questão do ensino secundário, porque muitas vezes aquilo que é o rótulo aplicado ao aluno de cursos profissionais, acaba por limpar, digamos, esta questão do que é o ensino secundário, ou seja, o aluno de um curso de ensino profissional é um aluno de ensino secundário. Portanto, foi uma causa que eu, com uma vontade grande, com uma experiência grande de alavancar projetos criados de raiz, este numa área que me diz muito que é a área do ensino, conciliando com aquilo que é o desenvolvimento de um projeto muito pequenino e fazê-lo crescer aqui nos próximos anos, então foi aqui uma união e um sentido de missão que me trouxe cá. Acima de tudo, por uma coisa que eu agora partilho convosco, que é eu próprio fui aluno do profissional, fui aluno de uma Profitecla, fui professor de uma Profitecla e viram em mim aqui um perfil um bocadinho disruptivo, ou seja, eu não diria menos pedagógico, mas eventualmente se calhar menos pedagógico e muito orientado à gestão também e ao crescimento e ao desenvolvimento de negócios e aqui foi um bocadinho este o caminho e os fatores que me fizeram abraçar este projeto, foi este sentimento de missão.

 

A Profitecla tem por trás um grupo que lhe serve de suporte.

Tem um grupo muito grande, o Grupo Rumos, que trabalha aqui em quatro grandes áreas, nomeadamente o outsourcing, o training, a formação e a educação. Nós, Profitecla, temos oito polos distribuídos a nível nacional, todos muito orientados por uma metodologia pedagógica muito prática, que faz com que o nosso aluno seja mais capaz quando entra no mercado de trabalho. O nosso aluno sai completamente capacitado a desempenhar aquilo que é a função dele e para a qual ele estudou. Nós hoje temos casos que nos permitem dizer que o aluno que sai de uma escola nossa consegue até um ano estar empregado. Muitas vezes o aluno que sai do dito ensino científico ou humanístico nem sempre o consegue. Temos também casos, e não são raros, muito interessantes, de alunos que enveredaram pelo ensino superior. Portanto, uma vez mais, há aqui uma visão que queremos melhorar que é o ensino secundário profissional não prepara somente as pessoas para irem para o mercado de trabalho. Trabalha-as bem para irem para o mercado de trabalho, mas trabalha-as bem também para o ensino superior. E aquilo que nós queremos, acima de tudo, é posicionarmo-nos, e é esse o trabalho que estamos a fazer, trabalhando o ensino profissional como um ensino de excelência, porque vai capacitar mais os recursos humanos das empresas e temos também as próprias empresas que cada vez mais nos procuram e se fidelizam a nós, no sentido de todos os anos acolherem alunos nossos. Aqui, no Polo de Matosinhos, ainda estamos no 1º ano, não temos ainda alunos a frequentar os estágios, mas em todos os outros polos, os alunos a partir do 2º ano, ou seja, do 11º ano, começam a frequentar os estágios em contexto de trabalho, o que faz com que quando terminam o 12º ano, estejam muito mais capazes e muito mais contextualizados com aquilo que é o mundo real das empresas, do que um aluno que vem de um conjunto de valências mais teóricas e que muitas vezes tem um impacto num primeiro contacto com o mercado de trabalho que faz dele, não um pior profissional, mas se calhar um profissional menos capaz e menos ágil do que aquele que segue uma escola secundária profissional.

 

Atualmente, a Profitecla de Matosinhos tem quatro cursos, nomeadamente, Auxiliar de Saúde, Auxiliar de Farmácia, Apoio Familiar e à Comunidade e Animador Sociocultural. Quais são os desafios para o próximo ano letivo?

Nós, para o próximo ano letivo temos, aqui, grandes desafios. Antes de mais, é dar continuidade às duas turmas que temos de Animador Sociocultural e de Auxiliar de Farmácia, que são os dois cursos que iniciaram com esta escola. Nós, neste primeiro ano letivo, abrimos esta oferta formativa, com esses dois cursos. No próximo ano letivo, temos uma oferta de quatro cursos, com a inclusão dos cursos de Auxiliar de Saúde e de Apoio à Família e à Comunidade. Portanto, as nossas duas turmas transitarão para o 11º ano e abriremos quatro novas turmas do 10º ano dos tais quatro cursos da nossa oferta formativa. Paralelamente, vamos transitar para umas instalações maiores, porque temos essa necessidade de termos aqui um espaço maior para os nossos alunos e, acima de tudo, para termos aqui uma posição de relevo e relevante para o mercado, para o território onde nós estamos, mas, acima de tudo, para o nosso aluno, que esse é que é o nosso foco.

 

Qual é a capacidade de alunos que terá para o próximo ano letivo?

No próximo ano, nós contamos, no máximo dos máximos, ter aqui 25 alunos por turma, mais os alunos que já estão connosco. Contudo, o nosso novo espaço não tem limite, porque ele próprio é escalável e nós vamos assumir o edifício naturalmente. O nosso objetivo é crescer dentro aquilo que temos crescido nas outras geografias. Mas, para já, vamos ocupar uma área que nos permite eventualmente ter 120 alunos.

 

De que forma é que a Profitecla se vai envolver junto da comunidade matosinhense?

Nós estamos a fazer, aqui, um conjunto de iniciativas, junto das instituições, associações, centros de estudos, psicólogos locais e da própria Câmara Municipal, com o intuito de angariar e captar novos alunos. Nós temos vindo a trabalhar a relação com toda a comunidade, para que nos consigamos dar a conhecer, porque isso é muito importante e, depois, também, para que as pessoas olhem para a Profitecla e percebam aquilo que é o peso desta marca e desta escola a nível nacional e aquilo que ela pode trazer para Matosinhos.

 

Uma das vantagens que esta escola tem, mesmo para alunos de fora do concelho, se eventualmente perspetivarem frequentar estes cursos, que às vezes não encontram noutro lado, é que o metro bate à porta.

Sem dúvida. O metro bate literalmente à porta e em termos de acessibilidades e, efetivamente, uma das vantagens. Nós temos alunos de fora do território de Matosinhos, quer do Porto, quer de Gaia e quer de Vila do Conde, o que faz com que eles cheguem até nós muito facilmente.

 

Porque é que um aluno deve optar pela Profitecla de Matosinhos?

Em termos de perspetivas, aquelas que nós temos são as melhores, sem dúvida. Aquilo que nós queremos trabalhar, e o que nós estamos a fazer diariamente, é no crescimento de um polo que está a iniciar, beber muito da experiência que temos já dos outros sete polos para que consigamos em Matosinhos, fazer aquilo que fizemos noutras geografias, quer em Matosinhos, quer por Matosinhos, ou seja, que Matosinhos e todo o território à volta do concelho consiga beber daquilo que é a experiência de uma marca como a Escola Profissional Profitecla. Em termos daquilo que é a nossa oferta e porque é que o aluno deve vir para a Profitecla, antes de mais ele não tem de vir para a Profitecla de Matosinhos, ele deve vir para a Profitecla porque é, sem dúvida, a maior e a melhor escola profissional em Portugal. Contudo, deve vir para a Escola Profissional Profitecla de Matosinhos, se ele procura cursos ligados à saúde e ao bem-estar, porque é aquilo que é o nosso posicionamento e é aquilo que nós vamos apostar nos próximos anos.

 

Qual é a mensagem que gostaria de transmitir?

Gostava de deixar uma mensagem que é o ensino profissional não é de todo um ensino plano B. O ensino profissional é, sem dúvida, um ensino de excelência que vai capacitar mais e melhor aquilo que é o jovem que sai daqui formado e depois cabe a ele decidir se quer enveredar pelo ensino superior, ou se quer ingressar no mercado de trabalho. Eu revejo-me muito nessa missão. Esta é a missão que eu tenho e pela qual estou a trabalhar diariamente, porque eu próprio fui um aluno, sou um produto de um ensino profissional e sou um produto de uma escola profissional Profitecla e, como tal, a melhor mensagem que eu posso deixar aos jovens alunos que tenho e que vamos ter cá, é que se eu consegui, eles também conseguem. Acho que essa é a maior mensagem que podemos deixar, porque o aluno, quando termina, não está, nem de perto nem de longe, menos preparado do que um aluno que sai de uma escola pública, digamos, pelo contrário, sai mais capaz, sai mais capaz de ser um bom profissional e sai, e está provado, que até um terceiro ano de uma faculdade, provavelmente ele ainda continua a estar mais preparado.