“NO FIM DO DIA, O GRANDE OBJETIVO DA POLÍTICA É FAZER COM QUE AS PESSOAS SEJAM MAIS FELIZES”

Em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, Manuel Pizarro, candidato do Partido Socialista à Câmara Municipal do Porto, falou sobre o seu percurso político, o amor pela cidade que o viu nascer e o desafio de liderar uma “mudança tranquila”. Médico de profissão e político por vocação, descreve-se como “uma pessoa empenhada na vida da comunidade”, movido pela convicção de que o bem-estar coletivo é essencial à felicidade individual. Determinado a colocar as pessoas no centro da ação autárquica, o candidato apontou a habitação, a mobilidade e a segurança como prioridades absolutas, defendendo uma governação participada e inspiradora, que devolva qualidade de vida e felicidade aos portuenses. Apelando à participação dos cidadãos, Manuel Pizarro não escondeu a vontade de “liderar, com o envolvimento de todos, esta extraordinária cidade Invicta”.  

 

Como se descreve enquanto cidadão?  

Uma pessoa empenhada na vida da comunidade em que estou inserido, que se preocupa com os outros e que entende que a sua felicidade individual também depende do bem-estar das pessoas que o rodeiam. 

  

Como e quando ingressou no mundo da política?  

Eu comecei muito jovem, ainda estudante, interessado, na altura, pelo mundo associativo. Depois, mais tarde, fui-me envolvendo, sobretudo, nas questões do poder local. Fui membro dos órgãos autárquicos da freguesia onde ainda hoje moro, a Freguesia de Ramalde, e depois surgiu a ligação ao Partido Socialista e a possibilidade de ser deputado e de ser membro do Governo. Isto foi acontecendo numa primeira fase, um pouco por acaso, mas acho que é também um reflexo do meu interesse genuíno pela vida da comunidade. 

  

Como é que descreve o seu percurso até então? 

Bem, eu já fiz um pouco de tudo. Fui autarca de freguesia e na Câmara Municipal do Porto, no primeiro mandato de Rui Moreira e tive o pelouro da habitação e da ação social. Também, fui deputado no Parlamento Europeu, assim como deputado na Assembleia da República e membro do Governo, primeiro secretário de Estado e, depois, ministro. Eu acho que tenho uma carreira política já longa e cheia de experiências diversas que, aliás, me qualificam muito bem para o enorme desafio que é ser presidente da Câmara Municipal do Porto. 

 

O que o motivou a candidatar-se à presidência da Câmara Municipal do Porto? Como descreve este desafio? 

Este é um desafio enorme e absoluto. Eu sou um portuense que ama a sua cidade, que em todos os momentos da sua vida colocou sempre o Porto no centro da sua atenção. Posso dizer-lhe que foi algo que eu sempre procurei fazer quando estive no Governo e na Assembleia da República, prestar especial atenção às questões do Porto. Estou absolutamente convicto de que reúno as condições, com uma belíssima equipa à minha volta, para fazer da governação da cidade algo de inspirador, que melhore a qualidade de vida e o conforto dos portuenses. 

 

O que é que o inspira a levantar-se todos os dias, com o objetivo de trabalhar em prol dos portuenses? 

A vontade de melhorar a felicidade das pessoas. Eu acho que no fim do dia, o grande objetivo da política é fazer com que as pessoas sejam mais felizes. Ora, isso dá muito trabalho, pois há muitos obstáculos e há muitas dificuldades, mas essa vontade de fazer as pessoas mais felizes é o que me inspira, é o que me anima em cada dia de trabalho. 

  

Se for eleito, que visão tem para a freguesia nos próximos anos? De que forma visa contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população?  

Nós temos três prioridades principais que, do meu ponto de vista, são essenciais para mudar e para melhorar a vida das pessoas do Porto. Primeiro, a questão da habitação. A habitação vive uma verdadeira situação de emergência. As pessoas mais jovens e as famílias da classe média, não encontram alternativa habitacional no Porto, por isso, o meu programa de habitação inclui a construção 5 mil casas para renda moderada, mas renda moderada a sério, nomeadamente 400 euros por um T1, 550 euros por um T2, 700 euros por um T3, para que os jovens possam continuar a morar no Porto e para que as famílias da classe média possam viver no Porto, com conforto. Estamos a falar de empreendimentos habitacionais de qualidade, com um espaço público cuidado, com jardins, com eficiência energética, com espaços para as crianças e espaço para se trabalhar a partir de casa. Um conceito de cidade que combina conforto com modernidade. O segundo aspeto é a segurança. A tranquilidade é essencial à vida das pessoas e, hoje, em muitas zonas do Porto, sobretudo por causa do tráfico e do consumo de droga, as pessoas vivem com pouca tranquilidade. Nós temos de aumentar a visibilidade e a proximidade do policiamento, alargar a videovigilância e modernizar a videovigilância e melhorar o espaço público, nomeadamente, temos de melhorar a iluminação e a limpeza, porque o espaço público também é indutor de segurança. Também, temos de liderar, a partir do município, um grande programa de apoio social e de saúde aos dependentes. Se não reduzirmos a procura pelo consumo de droga, nós não vamos conseguir devolver tranquilidade e segurança à nossa cidade do Porto. Finalmente, o tema da mobilidade, onde temos de promover alterações radicais. O trânsito está transformado num inferno. A hora de ponta é todas as horas e isso só tem uma resposta, que é melhorar muito o transporte público, para que milhares de pessoas optem pelo transporte público, em vez da viatura individual. O número de carros que circulam no Porto não cabe nas ruas da cidade e vamos ter um conjunto de medidas para que isso aconteça, a começar pela gratuitidade no andante para os maiores de 65 anos e a prosseguir na medida da operação dos autocarros e no alargamento da linha de metro. 

 

Para além das questões da mobilidade, da segurança e da habitação, quais diria que são as reais necessidades da população do Porto? De que forma pretende colmatá-las? 

De forma complementar a estas, há um conjunto de outras coisas muito importantes. Nós continuamos a ter uma fortíssima exclusão social, com o fenómeno das pessoas em situação de sem-abrigo a marcar muito o quotidiano da cidade. Nós vamos intensificar a ação nesse domínio, para conseguir que as pessoas saiam da rua e encontrem uma alternativa. Desenvolvendo, nomeadamente, um programa internacional, muito bem-sucedido em algumas cidades da Europa, conhecido por Housing First, expressão em inglês, talvez tenha tradução para Casa em Primeiro Lugar. Paralelamente, vamos também prestar atenção ao que se passa no sistema educativo. Nós temos de qualificar as nossas escolas. A Câmara Municipal tem responsabilidades desde o pré-escolar até ao final do secundário. Nós vamos qualificar as escolas e melhorar a experiência dos estudantes nas nossas escolas. Vamos desenvolver um grande programa de promoção da saúde, que tem muito a ver com a autarquia, porque não estamos a falar do tratamento das doenças, mas estamos a falar de algo que é ainda mais importante, que é fazer com que as pessoas tenham comportamentos saudáveis, nomeadamente, ao nível do exercício físico, da alimentação, que lhes permitam ter maior qualidade de vida. Por fim, tudo o que diz respeito ao ambiente. Nós temos de aumentar e qualificar muitos dos espaços verdes do Porto, construir novos jardins, novos parques públicos, arborizar as nossas cidades, melhorar as nossas ruas, melhorar a vida das pessoas, do ponto de vista da qualidade ambiental. 

  

Quais são os principais desafios que conta enfrentar? 

Mobilizar as energias da cidade para esta mudança tranquila será muito exigente. Nós vamos fazê-lo com um estilo de governação participada. Vamos procurar que todas as pessoas do Porto e todas as valiosas instituições do Porto, desde a Universidade, à Associação Comercial, às diferentes entidades associativas, se mobilizem para este esforço transformador da cidade, repito, naquilo que será uma mudança, mas uma mudança tranquila. 

  

Como vê a evolução do trabalho desenvolvido pelo atual executivo, liderado por Rui Moreira, ao longo dos últimos anos? 

Eu acho que há aspetos muito positivos que podem e devem ser valorizados, como a recuperação do Mercado do Bolhão, embora agora precisamos de prestar uma maior atenção à preservação da sua identidade, e tudo o que foi feito na área da cultura. Nós temos um ambicioso programa para a cultura porque, do nosso ponto de vista, o Porto sem cultura não existe. Nós precisamos de ter uma atividade cultural vibrante, do estímulo aos criadores culturais, da criação de novos públicos, do estímulo à fluição cultural por parte de todos, mas reconhecemos que estes últimos anos foram muito positivos na cultura, com a devolução do Rivoli à cidade, do Teatro Campo Alegre, do Cinema Batalha, tudo isso nós valorizamos muito e é um aspeto muito positivo. Agora, não há dúvida de que a cidade enfrenta novos problemas e novas dificuldades, alguns deles são até consequências do nosso sucesso. A cidade tem hoje maior atividade económica, tem mais pessoas, começou a recuperar população ao fim de décadas de declínio e isso tem pressionado muito no que diz respeito à habitação, à mobilidade e à segurança e é por isso que nós concentramos nessas três prioridades a parte mais importante da nossa resposta. 

  

Que mensagem gostaria de deixar à população? 

Eu gostava de apelar à participação nas eleições. As eleições autárquicas são uma festa da democracia, numa componente especialmente bela, que é o poder local democrático. É muito importante que os portugueses escolham e eu confio que façam uma escolha, que valorize alguém que quer representar o Porto junto do país e que quer liderar, com o envolvimento de todos, esta extraordinária cidade Invicta.