O AUDIÊNCIA esteve à conversa com Albano Garcia, ex-presidente da Casa do Povo da Ribeira Grande e uma pessoa há décadas envolvida nos destinos do concelho que o viu nascer. Num ano em que foi homenageado pela Câmara Municipal, pela Junta de Freguesia da Matriz e pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande, Albano Melo mostra-se orgulhoso e com esperança no futuro dos jovens que ajudou a “criar”.
Este foi um ano especial para si…
Este foi o ano dos títulos, recebi três homenagens das entidades mais conceituadas da cidade. A primeira foi da Câmara Municipal da Ribeira Grande, que foi a medalha de Mérito Municipal, devido aos muitos anos que estive ligado à política, foi um gesto bonito e é de enaltecer. Também recebi da Junta de Freguesia da Matriz, onde fui presidente e deixei algum trabalho feito na freguesia nomeadamente na construção de casas, com colaboração da Câmara Municipal e do Governo Regional. Hoje não há muita facilidade, e mesmo naquela altura tínhamos de nos impor e andar atrás do Governo ou dos Secretários para isso se concretizar. E sinto-me satisfeito porque, realmente, foram casas de boa qualidade e que serviram muitas famílias com necessidades habitacionais. A terceira homenagem foi da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande, onde estou há 30 anos, fiz parte dos órgãos todos, estive na direção alguns anos, na assembleia geral e atualmente estou como vice-presidente do conselho fiscal. É uma associação que marca o cariz dos bombeiros em Portugal e tenho um respeito enorme pelo trabalho que eles fazem e é muito bom ter um quartel com bastantes ambulâncias disponíveis para apoiar os doentes ao Hospital, é invejável. As homenagens foram gratificantes, para mim saber que realmente as pessoas passam e julgam que passam despercebidas e afinal não, estamos a marcar pontos.
E atualmente, como está a sua vida?
Quanto à minha vida social nesta altura, fui presidente da Casa do Povo durante muitos anos e, entretanto, há dois anos, não poderia ser mais porque os estatutos não permitiam. Fiz a transferência para um jovem com uma equipa razoável e estão a fazer um bom trabalho. Se calhar, há um ponto pertinente que foi o que ficou combinado com o Governo que quando saíssem do edifício onde estava instalada a Segurança Social e passassem para um lugar novo, o que foi bom para os empregados que estavam numa situação com poucas condições, esse espaço como contrapartida ficou devoluto com a filosofia do Governo de apoiar todo o projeto e trabalho para fazer CATLs que temos falta e necessitamos de mais. Julgo que a direção tem de pressionar mais o Governo para isso se concretizar porque não é favor nenhum, mas sim um trabalho em prol das crianças da Ribeira Grande. Não estou ligado a nada neste momento, mas tenho sempre um coração palpitante por tudo o que se faz na Ribeira Grande. Tem-se feito coisas boas, a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia, bem como a Casa do Povo e as instituições de cariz de apoio social em prol das famílias necessitadas.
No contacto com a população, e alguns agentes políticos, há uma certa saudade dos tempos em que esteve à frente da Casa do Povo. Como sente isso?
É curioso que ainda há muitas crianças que ao encontrar-me me veem abraçar. Eu estava praticamente todos os dias lá, dava boleia às crianças e elas criaram uma amizade que até hoje não perderam. Sinto saudades, mas também não gosto de entrar em conflitos com a nova direção porque como passei a pasta e saí, e a nova direção está a fazer o serviço, julgo que é de respeitar o que estão a fazer e bem. Estou aqui para ajudar no que for preciso, a saudade é uma palavra muito rica do vocabulário português, é uma alma que fica sempre no coração e nunca me esquecerei da Casa do Povo nem da Junta de Freguesia nem da Câmara Municipal até porque estive 4 anos na Câmara, 20 anos na Junta, e 30 na Casa do Povo. O que tenho feito é praticado desporto, ginásio, hidroginástica e fazer algumas coisas para a minha família. Na Ribeira Grande houve eleições há pouco tempo, manteve-se a mesma cor na Câmara Municipal e julgo que tem de haver mais pulso com o Governo a fim de eles concretizarem as obras que há mais de 40 anos que estão na berlinda, que é o litoral e o passeio Atlântico que aquele trabalho transforma a cidade, o caminho da Tondela para a estrada regional, o acesso da Matriz à estrada que é uma necessidade imperiosa, o caminho das Caldeiras que tem as águas térmicas que serve muito à Ribeira Grande e também habitação ser persistente porque há muitas famílias com dificuldades e vivem muito mal.
Referiu as três homenagens de que foi alvo, muito justificadamente, mas, curiosamente, não foi homenageado pela última instituição a que presidiu, a Casa do Povo da Ribeira Grande. Isso tem a ver com o facto de eles terem medo da comparação do seu mandato com o deles?
Não quero entrar por aí porque é complicado. Mas quando houve a mudança de competências eles ofereceram uma placa de agradecimento pelo trabalho que tinha deixado na Casa do Povo e isso, para mim, já é gratificante.
Já voltou à Casa depois de ter saído da presidência?
É muito raro, não gosto de me meter e julgarem que estou a tirar o tapete. Apareço pouco. Nós deixamos um bom património, deixamos um edifício nobre completamente registado na Casa do Povo sem qualquer despesa ou encargo, livre de IMI, e deixamos quatro carrinhas numa casa que não tinha um centavo. E deixamos uma verba em tesouraria razoável para que a nova direção não se atrapalhasse. Tenho a consciência tranquila, quem trabalha em prol dos outros e com espírito de promover a Ribeira Grande, e sou ribeiragrandense de gema, emociono-me quando vejo coisas em que a população está a ganhar com as alterações para dar qualidade de vida à Ribeira Grande, julgo que deve-se fazer o máximo e melhor para a cidade. Somos ribeiragrandenses e temos a alma muito grande, somos pessoas trabalhadoras e de bom senso. E o próprio Jornal AUDIÊNCIA lançou a Ribeira Grande para outro patamar há 11 anos, muito tem feito pela Ribeira Grande e é de enaltecer a persistência.
Pelas suas declarações, não estaremos a assistir a uma tomada de poder dentro da Casa do Povo de uma estrutura partidária e, por isso, fica amarrada e não tem poder reivindicativo? Isto porque a Câmara é PSD, a Junta é PSD e a Casa do Povo é presidida pelo tesoureiro da Junta…
Eu não digo isso, acho que a Casa do Povo está a cumprir o que se propôs, que é levar a educação à frente. Não quero falar de inércia nem moleza, mas há que sacudir muitas vezes esta vontade de querer e mexer com os projetos a fim de serem concretizados e ir sem medo aos locais para despoletar os projetos. Porque se ficarmos a aguardar na secretária à espera que o Governo o faça deliberadamente, não é fácil. Eu julgo que estar amarrado politicamente não acho, porque dão-se bem e não há muito dinheiro para funcionar, o que há é uma verba que é garantida pela Câmara e pelo Governo que suporta os encargos. Porque essa atividade é valiosa e que tem grande dimensão sabendo que hoje a criança bem educada e formada pode ser um bom pilar para o futuro.
Que mensagem gostaria de deixar?
Estamos quase no Natal e é importante nas famílias e especialmente nas crianças. Há a festa que habitualmente se faz no Teatro e julgo que vão fazer e espero que o menino Jesus nos dê muita força e ao Jornal AUDIÊNCIA também para evoluir. Quando se coloca um jornal os políticos ficam irrequietos e não gostam muito e acabam por fazer trabalho com receio que o Jornal faça aferroada e fez despoletar que é preciso concretizar o que se propõe e que levam anos e anos sem fazer.


