“QUERO COLOCAR S. PEDRO DA AFURADA DO LUGAR DE ONDE ELA NUNCA DEVERIA TER SAÍDO”

De volta ao comando dos destinos da freguesia da Afurada, após 12 anos, Eduardo Matos é duro nas críticas ao anterior executivo que acusa de ter deixado a Afurada “desleixada, suja e abandonada”. Com foco na proximidade aos afuradenses e à melhoria rápida da vida dos mesmos, Eduardo Matos anuncia também em exclusivo ao AUDIÊNCIA a realização, pela primeira vez, de uma Vila Natal na Afurada, já a começar no próximo dia 6 de dezembro.

 

Como foram estes primeiros dias de uma Junta de Freguesia recuperada?

Foi de trabalho intenso desde o primeiro dia no alcance de recuperar rapidamente a proximidade de uma Junta de Freguesia com o seu povo, a proximidade do presidente de Junta com a população que foi, efetivamente, aquilo que esta freguesia ao abrigo de uma lei de união de freguesias mais perdeu.

 

Quer voltar a colocar S. Pedro da Afurada no mapa, é isso?

Sim, no mapa sempre esteve, mas eu quero colocar S. Pedro da Afurada do lugar de onde ela nunca deveria ter saído. Como disse, a nível de proximidade perdeu imenso, mas perdeu também a sua própria identidade, no que diz respeito à própria vaidade que a Afurada, por direito próprio, construiu depois do desenvolvimento que teve, mas que, nos últimos 12 anos, transformou-se numa Afurada desleixada, suja, abandonada, e rapidamente temos de a colocar no lugar que merece.

 

Ainda não apresentou o programa de atividades para o próximo ano, mas quais são os pontos imediatos que a Afurada precisa para voltar a sorrir?

Eu diria que pequenas grandes coisas, e algumas delas que não significam, até sob o ponto de vista financeiro, investimentos avultados. Por exemplo, que rapidamente, e isso depende da Câmara Municipal, e obviamente que vamos fazer chegar isso à autarquia, é um compromisso nosso, que a Afurada de baixo possa ser coberta, definitivamente, com transportes públicos. Nós temos essa solução, que seria os STCP com a linha 902 puder, em horário noturno, descer e fazer uma variante dessa linha, isso é possível e custa simplesmente que a Câmara Municipal, connosco, solicite isso aos STCP. Depois, também diria que rapidamente temos de dar sinais de que as coisas se estragam, mas não deixamos ao abandono, reparamos. É preciso efetuar limpezas mais periódicas, fazemos. É preciso andar mais atento ao pormenor e nós andaremos atentos. Tudo isto não custa dinheiro, custa apenas e só um acompanhamento que não existiu nos últimos anos. Da mesma forma que, a nível de organização do espaço público, também temos, desde já, de dar aqui alguns sinais de que coisas há que, neste momento, não estão bem a esse nível e que possam rapidamente aparecer coisas diferentes. Para isso é preciso, e vamos dialogar, com todos os estabelecimentos que neste momento se encontram estabelecidos na Afurada de forma a tentar aqui um equilíbrio necessário no que diz respeito ao espaço público para que eles possam conviver desde logo com a sua atividade comercial, mas também que possam conviver com os moradores que aqui vivem. Mais uma vez, isto não custará dinheiro, é somente necessário que a Câmara Municipal, que é competência sua, com o apoio da Junta de Freguesia, possamos dialogar com estas pessoas de forma a fazermos diferente do que temos hoje. Portanto, são situações que não custam dinheiro e que dependem da boa vontade da Câmara Municipal, na qual acreditamos que, efetivamente, existe e vai existir, e também, de alguma forma, daquilo que a Junta vai fazer nesse sentido.

 

Uma das coisas que tem estado em foco, e Luís Filipe Menezes tem focalizado isso também com enfâse, é a segurança. Existem problemas de segurança na Afurada?

Felizmente, e tenho de ser objetivo, não existem problemas de segurança. Pode existir aqui e acolá algum foco, e já tive oportunidade de reunir com o comandante da PSP da divisão de Gaia e trocamos impressões a esse nível, mas não significa que não estejamos atentos e que não exista um canal direto e muito estreito com a PSP e com as outras forças de autoridade, mas a nível de segurança não existe nada de anormal ou alarmante. Existe sim é ao nível do espaço público porque a Afurada tornou-se num local sem lei e sem roque, precisamente pela ausência, pela demissão quer, em primeira instância da Junta de Freguesia que estava aqui, e depois da Câmara Municipal que tem competências muito especificas em relação a estas matérias do espaço público e que aí deriva de uma organização e acompanhamento e, se for necessário, fiscalização, para que possamos viver de forma tranquila e harmonia com todos.

 

Estamos a aproximar-nos do Natal, e a Afurada quer inovar.

Quer, e a Junta de Freguesia foi desafiada, pela primeira vez, a termos aqui uma Vila Natal, que vai durar, sensivelmente durante todo o mês de dezembro e onde vamos, juntamente com a comissão de festas e com os parceiros, desenvolver no centro cívico essa vila Natal com animação, gastronomia… Estou convicto que vai se ruma festa muito bonita. A Afurada quer lembrar o Natal, e lembrar bem, e para isso vamos efetivamente concretizar esta Vila Natal que iniciará a 6 de dezembro e irá até 6 de janeiro.

 

Existe um mercado típico, a feira aos sábados de manhã, que já não é a mesma de outros tempos…

Diria que perdeu um bocadinho o fôlego, a feira neste momento está com a Câmara Municipal, durante muitos anos esteve com a Junta de Freguesia e irei perceber o porquê disso. Falam que terá, em certa medida, a ver com o local onde está, nomeadamente de inverno é mais exposto, depois falam de outras situações que tem a ver com a própria atividade de cada um, mas continua a ser um marco e vamos de tudo fazer para que assim continue porque é algo que liga muito esta freguesia e Vila Nova de Gaia.

 

Que mensagem gostaria de deixar aos afuradenses?

Desde logo, desejo a todos os afuradenses que tenham um santo e feliz Natal e um ano de 2026, se não for melhor, que seja igual. Depois, no âmbito de uma quadra destas, falar na palavra esperança, que tenham todos esperança. A nau, se depender de nós, não irá ao fundo, vai continuar a navegar, mas para isso nada se constrói sozinho e conto com todos os afuradenses para que nos ajudem nesta árdua tarefa que é voltarmos a reerguer a nossa freguesia, agora sozinha, e recuperar o tempo perdido nestes últimos 12 anos.

 

E para 2026 já teremos Festa da Sardinha?

Se Deus quiser, é algo que vamos querer recuperar e que faz parte do manifesto que apresentamos à população. É um evento que queremos sim recuperar.