“TEMOS A SENSAÇÃO DE QUE PEROSINHO VIVEU UM APAGÃO PÚBLICO”

No passado dia 31 de outubro, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Perosinho, que esteve repleto de fregueses, nomeadamente o deputado à Assembleia da República, Rui Rocha Pereira, bem como a Sra. vereadora Elizabete Silva, que nos honraram com a sua presença, para assistir à tomada de posse dos novos elementos da Assembleia de Freguesia. Os gaienses votaram, largamente, numa mudança em que a sua opção favorável foi a Coligação Gaia Sempre na Frente, liderada por Luis Filipe Menezes, eleito presidente da Câmara Municipal de Gaia, Paulo Rangel, eleito presidente da Assembleia Municipal, e Manuel Jorge, eleito presidente da Junta de Freguesia de Perosinho. 

 

 

Em diversa documentação o nome Perosinho, consta no ano de 922 e canonicamente reconhecida como paróquia logo no início do século XII. Por aspetos de ordem política, lamentavelmente passado mais de 1000, (2012) o seu nome foi alterado, contra a vontade da população. No decorrer dos anos a mesma população, não escondeu o seu total desagrado assim como algum poder político. 

Decorridos 12 anos, os perosinhenses, a 12 de outubro de 2025 recuperam a sua autonomia em que a sua gente vibrou de alegria pelo seu, “PEROSINHO”, ter regressado ao seu milenar,  nome original. 

A sessão de tomada de posse dos novos órgãos autárquicos da Junta de Freguesia de Perosinho foi presidida pela, ainda presidente da Assembleia de Freguesia, Marina Ferreira e decorreu dentro da normalidade, com intervenção agradável, para os que terminaram a sua missão e de simpatia para os agora eleitos. 

Para cumprir a agenda protocolar, o presidente da Junta cessante, João Morais, interveio com palavras de circunstância. Mas, quanto a nós, nota negativa foi quando já a Assembleia era presidida pelo jovem Pedro Fontes, o mesmo João Morais pede a palavra para de novo se despedir das colaboradoras. Não gostamos. 

Seguiram-se as intervenções dos representantes dos partidos: PS, PPD/PSD, CDS/PP e CHEGA. Pelo PS e Chega discursaram Jorge Fonseca e Helder Ribeiro, que felicitaram o novo executivo dizendo estarem atentos e vigilantes à atuação do executivo, com destaque para as promessas efetuadas. 

A representante do PPD/PSD, Marta Gomes, após saudação, manifestou que “o nosso profundo agradecimento a todos os cidadãos de Perosinho, que participaram neste ato democrático. Os perosinhenses esperam de nós uma Assembleia capaz de dialogar, cooperar e colocar o interesse da freguesia acima de qualquer interesse partidário. O nosso compromisso é claro, servir com dedicação, transparência e espírito de missão. O PSD reafirma a sua total disponibilidade para contribuir para uma governação estável. Só com respeito mútuo e sentido de responsabilidade, poderemos garantir desenvolvimento harmonioso e sustentável. Queremos construir uma freguesia mais coesa, queremos valorizar o trabalho das coletividades, das escolas, dos agentes económicos e das instituições sociais”. 

Coube a Vasco Guedes como representante do CDS-PP, fazer a sua intervenção,  salientando que “é com sincera humildade e sentido de dever que me apresento hoje perante vós, assumindo o cargo de deputado da Assembleia de Freguesia de Perosinho. Nasci nesta terra e ser de Perosinho é mais do que ter aqui o berço, é carregar um nome que nos liga; somos quase uma família. É com esse orgulho e sentido de pertença que assumo hoje este compromisso de trabalho. Saúdo todos os que com outras escolhas dignificaram este processo eleitoral, até porque a diversidade de opiniões fortalece e consolida a nossa democracia. A política de freguesia é política de proximidade, de diálogo, de dar voz aos mais fracos, às coletividades, às empresas e comércio. Procurarei defender as causas justas”. 

Nas eleições autárquicas realizadas no dia 12 de outubro, os perosinhenses escolheram para os representar na freguesia e no concelho, as equipas dos candidatos que integraram as listas da Coligação Gaia Sempre na Frente, liderada por Luis Filipe Menezes, eleito presidente da Câmara Municipal de Gaia, Paulo Rangel, eleito presidente da Assembleia Municipal, e Manuel Jorge, eleito presidente da Junta de Freguesia de Perosinho.  

Aquando da sua intervenção, Manuel Jorge afirmou que “com sentido de responsabilidade, comprometo-me a dar o melhor de mim pelo amor à nossa terra”, referindo que “hoje Perosinho recupera a sua autonomia administrativa. Neste dia de renascimento de cada uma das freguesias de Perosinho de Serzedo, sinto a necessidade de evidenciar e publicamente enaltecer a notável intervenção do Grupo de Trabalho para a Desagregação, serzedenses e perosinhenses que, de forma sempre respeitosas, com coragem e determinação, desenvolveram múltiplas ações que mantiveram o tema da desagregação das freguesias sempre ativo. Deste grupo permito-me salientar entre outros cidadãos, Adelino Moura, António Carvalho, Bernardino Almeida, Custódio Ribeiro, Carvalho de Sousa, Florindo Santos, Gil Guedes, o saudoso Joaquim Moreira, José Lucas, José Manuel Guedes, José Manuel Maia, Manuel Jorge e Salvador Alves”. 

Lembrando que os valores proclamados pelos anteriores responsáveis autárquicos, “nem sempre foram acompanhados pela prárica”, o autarca empossado partilhou com os presentes o que aconteceu no dia 12 de outubro, “por se tratar de uma situação inaceitável à liberdade de qualquer cidadão”.  

Recordando que “nos anteriores atos eleitorais para a Assembleia de Freguesia, o presidente e então candidato pelo Partido Socialista, João Morais, sempre esteve presente no local em plena ação de simpatia junto dos eleitores e promoção implícita da lista que integra e concorre”, Manuel Jorge revelou que “no passado dia 12 de outubro, eu, como cidadão e igualmente como candidato efetivo encontrava-me, ao início da manhã, no exterior do edifício onde funcionavam as Assembleias de Voto, em amena conversa com amigos que ali se encontravam. Fui interpelado pelo cessante presidente da Junta, João Morais, que alegou, que sendo eu candidato não poderia ali permanecer. Foi-me dito que alguns membros das mesas de voto tinham apresentado reclamações e que teria de me afastar do local. Embora surpreendido com a abordagem, mantive serenidade, pedi desculpa e afastei-me de imediato”. 

Mais tarde, após consultar o site da Comissão Nacional de Eleições, regressou ao local com a confirmação de que os candidatos têm o direito de permanecer em permanência no interior das assembleias para fiscalização. “Voltei ao mesmo local  e fui rodeado pelo presidente João Morais, por vários candidatos efetivos da lista do Partido Socialista e outros do referido partido, que insistiam em afirmar que não era ético eu permanecer junto à porta de saída do recreio da escola. Argumentei e demonstrei com o descrito e o assunto ficou resolvido. O Partido Socialista, que tantas vezes apregoa os valores da liberdade da equidade, da democracia e da igualdade, nem sempre traduz nas suas ações”, criticou o autarca eleito. 

Na ocasião, o presidente eleito revelou também preocupações relativamente ao estado das contas da Junta de Freguesia. Diz que não recebeu qualquer informação formal do executivo cessante, conhecendo apenas os dados publicados no Mapa nº 38/2025, aprovado pela Comissão de Extinção da União de Freguesias, publicado a 29 de agosto de 2025 no Diário da República. 

Segundo o documento, existia em junho uma dívida de 34.285,52 euros ao Município de Gaia, alegadamente imputável à Freguesia de Perosinho. Além disso, está registado um encargo adicional de 25.000 euros, decorrente de uma ação administrativa no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto. 

Outro ponto destacado é a alienação de jazigos em agosto de 2025, após a partilha de bens entre Serzedo e Perosinho. “Estranhamente, após a divisão, em agosto de 2025, a Junta entendeu alienar património de Perosinho, concretamente jazigos. Não temos conhecimento de similar alienação em Serzedo. Sabemos sim que essa alienação correspondeu a algumas de milhares de euros, e nãotemos conhecimento que o valor económico da venda dos jazigos, ficou em Perosinho”, evidenciou o edil. 

“Tem sido repetidamente usada a expressão ‘contas certas’. Quem ouve fica agradavelmente satisfeito. Ora contas certas significam tão somente contas certas. Considerando apenas estas dívidas, temos um legado do executivo socialista que ronda os 60 mil euros. Estas dívidas são públicas. Esperamos não encontrar surpresas”, disse Manuel Jorge, frisando que “quero, contudo, deixar claro um ponto fundamental: todas as minhas críticas são exclusivamente políticas, dirigidas às opções e à gestão do executivo cessante. No plano pessoal, reconheço e agradeço ao ex-presidente, João Morais, todo o trabalho e empenho decorrentes do cargo público”. 

Assegurando que “temos, por isso, a sensação de que Perosinho viveu um apagão público”, o edil afirmou que a prioridade agora é devolver dinamismo à freguesia, ressaltando que “Perosinho tem história milenar, identidade e sobretudo gente de valor e coragem. O nosso objetivo é claro: devolver vitalidade, cuidado e oportunidades para todos. Juntos, faremos desta freguesia um lugar de orgulho, desenvolvimento e esperança para as próximas gerações”. 

Por fim, foi o presidente da Assembleia de Freguesia de Perosinho, Pedro Fontes, quem encerrou esta cerimónia, destacando que “é com o mais elevado sentido de honra, dever cívico e responsabilidade que assumo a presidência da Mesa, ciente da nobre missão que nos une a todos: promover e salvaguardar os interesses da nossa população”. 

Durante a sua intervenção, Pedro Fontes recordou que antes da eleição para a Mesa, no dia 12 de outubro, foi eleito representante da Iniciativa Liberal, tornando-se “o primeiro liberal desta freguesia”, agradecendo “aos eleitores de Perosinho que nos depositaram a sua confiança e partilha dos meus ideais”. 

Apesar da relevância política do momento, garantiu que o dia não era de disputas partidárias. “Hoje não é dia de vencedores e vencidos nem um dia de jogadas políticas. Hoje é uma transição democrática e de continuidade e respeito institucional”, asseverou o presidente da Assembleia de Freguesia, dirigindo palavras de apreço à anterior Mesa da Assembleia, presidida por Aurora Marina Teixeira, e ao executivo cessante, liderado por João Morais. “Independentemente das ideias de cada um, a vossa atuação assegurou sempre o funcionamento regular da nossa freguesia e por isso (…) o meu sincero obrigado”, afirmou, sublinhando que, apesar das divergências, que considerou “saudáveis”, sempre prevaleceu o compromisso com o serviço público. 

Pedro Fontes dirigiu-se também ao executivo recém-eleito, desejando sucesso e deixando três recomendações que classificou como essenciais, nomeadamente, “pautem a vossa atuação por princípios de transparência. Porque de onde eu venho a transparência é inegociável; peço-vos abertura e escuta ativa. A articulação entre os nossos órgãos é fundamental. Atentos e não só com a Assembleia, mas, nunca esquecendo as associações, instituições em particular de índole social, município e com o cidadão comum; e sigam princípios racionais, de boa administração, ou seja, guiem-se por critérios objetivos e eficiência, economicidade e celeridade”. 

Com cinco partidos representados na Assembleia de Freguesia, o presidente da Mesa sublinhou a diversidade como um fator enriquecedor, pedindo que o ambiente de respeito da campanha se mantenha no funcionamento do órgão. “Que o confronto de ideias seja sempre feito com respeito pela instituição e pelos nossos mandatos”, declarou, pedindo debates elevados e fundamentados. 

Garantindo também a sua total disponibilidade para assegurar o bom funcionamento dos trabalhos, Pedro Fontes fez questão de “assegurar a esta Assembleia a minha inteira e imparcial disponibilidade para facilitar os vossos trabalhos e zelar pelo cumprimento da lei”. 

Perante os cidadãos presentes, o presidente da Assembleia de Freguesia deixou uma mensagem clara. “A vossa participação é muito desejada e é, aliás, formalmente assegurada e bem definida por Lei. Contem comigo para dar voz a todos”, salientou, sublinhando que “temos uma missão comum: Perosinho”.