No arranque do seu primeiro mandato como presidente da Junta de Freguesia de Pedroso, Joaquim Tavares destacou, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, as prioridades imediatas, a importância da proximidade com a população, a reabilitação de infraestruturas essenciais e o reforço das respostas sociais. Determinado a manter os projetos do anterior executivo e a lançar novas iniciativas voltadas para a juventude, o autarca afirmou estar empenhado em trabalhar em articulação com as instituições, coletividades, empresas e com a Câmara Municipal. Com o Natal à porta e vários eventos preparados para dinamizar a freguesia, o presidente reforçou a sua visão de futuro: fazer de Pedroso um território mais coeso, acolhedor e com melhores condições de vida para todas as gerações.
Quem é o cidadão Joaquim Tavares?
O cidadão Joaquim Tavares é uma pessoa, como eu disse durante a campanha, que veio do povo, nasceu no meio do povo e gosta de estar precisamente no meio do povo. Fui professor durante 45 anos, 36 dos quais aqui no Agrupamento de Escolas dos Carvalhos. Uma das minhas características, relacionada por gostar de estar com o povo, foi desde a minha juventude ter participado nos movimentos associativos da nossa freguesia. Lancei o Desporto Escolar, na escola, pertenci à Juventude Operária Católica ainda antes até do 25 de Abril, já estou há 30 anos como presidente da Assembleia do Rancho e sou presidente da Associação de Socorros Mútuos de Pedroso. Depois, fiz parte de diversos órgãos associativos, como os bombeiros, a Associação Desportiva de Pedroso, que hoje é o Futebol Clube de Pedroso, o Gaia Clube de Ciclismo, que é uma paixão minha, o ciclismo. Portanto, estive durante a minha juventude até agora sempre muito ligado ao movimento associativo e às pessoas.
Como é que descreve os primeiros dias à frente dos destinos da Freguesia de Pedroso?
A primeira sensação foi de que é algo novo. Admito que, se calhar, não tinha bem a noção da importância, do impacto e do tamanho e das funções que, de uma forma global, são aqui exercidas e realizadas. Uma das coisas que me tem levado a pensar em algumas situações é o relacionamento com as pessoas. As pessoas têm vindo aqui pedir algumas coisas, às vezes coisas muito simples, e a consolação que eu tenho é que até hoje, tirando uma exceção, porque não pode ser, porque é ilegal, temos conseguido dar resposta àquilo que as pessoas pretendem e isso é uma grande sensação. Agora, de início, foi algo novo e tive de me adaptar. Os colegas do executivo ajudaram-me, pois ajudamo-nos uns aos outros e os funcionários estão sempre disponíveis. Portanto, as coisas correram, relativamente, bem e estamos a realizar o nosso trabalho.
Qual diria que foi o sentimento de entrar pela primeira vez na Junta, como presidente, depois do trabalho árduo realizado durante a campanha eleitoral, que teve um resultado positivo no sufrágio?
Eu não sou pessoa de grandes regozijos, pelo que foi com muita naturalidade que cheguei aqui e disse bom dia às pessoas. Não houve nem aquela sensação de que agora tenho poder ou não tenho poder, ou que agora vou decidir ou não. O que eu era no dia anterior, continuei a ser no dia seguinte e continuo a ser no dia de hoje. Aliás, mesmo tendo ganho, não houve comemorações, porque considero isso um respeito para com os outros.
Quais serão as primeiras prioridades a curto prazo?
Primeiro, reorganizar aqui alguns serviços, algumas funções, que é normal, porque é um grupo novo que entrou, mais jovem também. Depois, as grandes prioridades em termos de freguesia, e tudo iremos fazer por isso, passam pela reabilitação da Escola EB2/3 Padre António Luís Moreira e do seu pavilhão, assim como da rede viária. Também, estamos a começar a pensar seriamente em arranjar espaços e fazer parcerias ou ajudar as coletividades para termos mais infantários, berçários e jardins de infância na freguesia, porque são muito necessários. Outro projeto pelo qual temos muito carinho e que queremos concretizar é a reabilitação do Largo do Carvalhal, são essas as prioridades que nós temos, para já, mais bem definidas.
Considerando que Pedroso voltou a receber a sua autonomia administrativa, após a desagregação a Seixezelo, quais diria que estão a ser os principais desafios?
Os principais desafios são a nível burocrático, nomeadamente de símbolos, quanto ao resto as coisas foram extremamente pacíficas. Houve um relacionamento franco com as pessoas que estão em Seixezelo neste momento, extremamente franco, e, portanto, foi um processo muito simples, pacato e sem qualquer tipo de atrito.
A seu ver, quais são os principais objetivos deste mandato?
Os principais objetivos passam por proporcionar às pessoas melhores situações em termos de rede viária, educação, apoio à família, do tráfego e do transporte de passageiros, através da UNIR, porque há algumas falhas e, essencialmente, é isso, é proporcionar às pessoas melhores condições, indo ao seu encontro, numa política de proximidade, de ouvir a população, de estar com ela e atender, dentro da nossa possibilidade, às pretensões da mesma.
De que forma pretende reforçar essa proximidade com as pessoas, com as associações e com as empresas, que foi construída ao longo dos últimos 12 anos, pelo anterior executivo?
Por exemplo, com as empresas nós temos vários projetos como “A Escola Vai à Junta”, “Pedroso Apoio Solidário”, “Um Bebé…Um Futuro!”, em que já há parcerias realizadas e que irão ser mantidas, como com farmácias e com outras empresas, de forma a proporcionar benefícios às pessoas que precisam, seja, também, por exemplo, em termos de um cabaz de Natal para pessoas com algumas necessidades, seja um miminho à mãe e ao pai que vão ter um bebé e que também é um reconhecimento que é necessário que a sociedade faça, para que a natalidade e o rejuvenescimento da população se concretize. Agora, sobre a proximidade, temos um relacionamento muito franco com as instituições, por exemplo, uma das coisas que mandamos foi os contactos de todos e os novos e-mails para todas as coletividades, de forma a que elas de uma forma relativamente fácil também nos façam chegar as suas necessidades. Já temos reunido aqui com algumas e nós temos ido ao encontro dos seus pedidos. É neste relacionamento franco e aberto, ao lado uns dos outros, que estamos a querer desenvolver a nossa atividade aqui na Junta de Freguesia. É lógico que vamos pretender ainda mais, pois neste momento temos feito um trabalho que é essencialmente burocrático, de gabinete, mas estamos a pensar durante o próximo mês, início do próximo ano, ir ao terreno, falar, estar com as instituições, ouvi-las novamente, ver o que pertencem.
No seguimento das suas afirmações anteriores podemos depreender que os projetos implementados pelo anterior executivo terão continuidade?
Todos os projetos que tinham do passado e que consideramos extremamente válidos para as pessoas serão para manter.
Mas, vai haver algum reforço desses mesmos projetos?
Vamos ver. Nós, neste momento, ainda não sabemos. Também ainda não tivemos nenhuma reunião com a Câmara Municipal. Contudo, temos ideias para novos projetos, essencialmente vocacionados para a juventude, que é outro aspeto em que me empenhei durante a campanha, que queremos lançar. Agora, tudo vai depender do relacionamento institucional que existir entre todos, mas nós estaremos sempre disponíveis para ajudar tudo e todos.
Que medidas pretende implementar para apoiar famílias, idosos ou pessoas em situação de vulnerabilidade?
Nós temos aqui o Gabinete de Ação Social, para o qual as pessoas são canalizadas. Nós comparticipamos, por exemplo, medicamentos, dentista, através de protocolos que temos com clínicas, assim como com farmácias e oftalmologia, ao nível da visão. Portanto, é uma das formas de ajudar essas pessoas que têm algumas necessidades mais específicas e depois todo o processo burocrático que muitas vezes é necessário aqui realizar-se para, por exemplo, as pessoas terem um sítio onde morar de forma mais condigna, pelo que em termos de gabinete, as pessoas são lá canalizadas e depois são acompanhadas. Como referi anteriormente, temos, agora, o Cabaz de Natal para as pessoas que são sinalizadas com alguma dificuldade económica.
Referiu anteriormente a importância da relação com a Câmara Municipal, mostrando-se disponível para trabalhar abertamente em parceria com a autarquia.
Para mim, no dia seguinte às eleições não há partidos, há habitantes de Pedroso, há habitantes de Gaia e todos somos iguais, pelo que todos temos de trabalhar no mesmo sentido, daí iremos ter um relacionamento franco e aberto, nunca seremos um obstáculo a nada. Portanto, estaremos disponíveis para colaborar, para fazer tudo, seja para Pedroso, seja ao nível de Gaia.
Com o Natal à porta, que iniciativas serão promovidas para dinamizar Pedroso?
Para além daquilo que é comum, como algumas iluminações, nós temos previsto uma atividade que já vem do passado, que é a Vila Natal, que será realizada nos inícios de dezembro, aproveitando um dos feriados, do dia 6 a 8, na Feira dos Carvalhos, onde teremos cerca de 22 barraquinhas, tudo montado pela Junta, que vão vender produtos, todos relacionados com o Natal, desde a doçaria ao brinquedo. Ao mesmo tempo, será dinamizado um conjunto de atividades direcionadas para as crianças, como a Barraquinha do Pai Natal, com o Pai Natal para fotografias e depois um conjunto de pessoas que vão lá fazer mesmo atividades direcionadas durante períodos específicos para as crianças, que estiverem presentes e queiram participar e assistir. Também vamos realizar o Concerto Solidário que, este ano, será descentralizado e decorrerá na Capela de Santa Marinha. Para além das atividades promovidas pela Junta de Freguesias, as nossas coletividades e instituições também vão dinamizar várias iniciativas natalícias, como é o caso do Desfile de Pais Natais, promovido pelo jardim infantil O Jumbo e do Concerto da Associação Musical de Pedroso, no Santuário Coração de Maria.
A pensar no futuro, qual é a sua visão para Pedroso?
Essencialmente, dar força às coletividades, melhorar a rede viária, dar mais aos nossos jovens, proporcionar aos que estiverem integrados na EB 2/3 Padre António Luís Moreira melhores condições, porque a escola bastante degradada, com bastantes problemas e queremos, essencialmente, proporcionar condições para que as pessoas digam que gostam de viver aqui. Portanto, o nosso objetivo é trabalhar para proporcionar uma melhor qualidade de vida às pessoas, às coletividades, às instituições e às empresas, tentando solucionar os seus problemas, dentro das nossas possibilidades ou fazendo ligação com outras instituições. Nós acreditamos que as empresas têm um papel muito importante aqui na nossa freguesia, não só pelo emprego que dão, pelo salário e pelas condições de vida, pois elas são extremamente importantes e têm que ser acarinhadas.
Qual é a mensagem que gostaria de transmitir à população?
Podem contar com a Junta de Pedroso para o melhor de Pedroso e de Vila Nova de Gaia.


