A 13ª edição da Festa da Bifana regressa ao Areinho de Oliveira do Douro entre os dias 10 e 12 de julho, prometendo três dias de gastronomia, animação e celebração das tradições locais. Em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, o presidente da Junta de Freguesia, Fábio Pinto, destacou a crescente importância do certame para a dinamização do movimento associativo, sublinhou a aposta na valorização das coletividades e das raízes culturais da localidade e revelou as principais novidades do programa, que inclui um Encontro de Grupos de Dança, um Festival Ibérico de Folclore e o primeiro Encontro de Fanfarras. O autarca falou ainda dos desafios encontrados nos primeiros meses de mandato, dos projetos previstos para Oliveira do Douro e da necessidade de acompanhar o crescimento de uma freguesia em constante transformação.
A 13ª edição da Festa da Bifana vai decorrer entre os próximos dias 10 e 12 de julho, no Areinho de Oliveira do Douro. Qual é a importância desta festividade?
A Festa da Bifana já vai na sua 13ª edição, com alguns anos de paragem pelo meio. É, se calhar, a festa mais importante da freguesia, porque é organizada tanto pela Junta de Freguesia, como em parceria com as coletividades participantes e vai muito para lá da própria bifana em si, porque envolve a participação do movimento associativo no programa da própria festa. Envolve, ainda, a visita de muitas pessoas que não são da freguesia e muitas delas até nem do concelho são, devido também ao local onde se realiza a festa, porque é muito atrativo, bonito, junto ao Douro e que as pessoas apreciam muito. Este ano, com uma particularidade um bocadinho diferente, uma vez que também foi uma pretensão da própria Câmara Municipal de Gaia e do senhor presidente da Câmara darmos mais importância às tradições e às próprias coletividades em si, daí termos apostado no próprio cartaz, no próprio programa, em momentos muito particulares de cada de cada coletividade. Por exemplo, nós, no sábado [11 de julho] da Festa da Bifana teremos um encontro de grupos de dança na parte da tarde, às 16 horas, que é dinamizado pelo Atlético Clube de Gervide, porque tem o seu grupo de dança, que é o Team G, e convidaram outros grupos, pelo que serão cinco a participar nesse encontro. Depois, à noite, incluímos o Festival de Folclore que, este ano, tem a particularidade de ser ibérico, uma vez que teremos aqui um rancho que vem de Espanha e que também vai abrilhantar esta festa. Depois terá outra novidade, no domingo [12 de julho], data em que se vai realizar o primeiro Encontro de Fanfarras na freguesia, algo que nunca foi feito e era uma pretensão da nossa Fanfarra de Oliveira de Douro, da Alameda de São João. Paralelamente, no sábado [11 de julho] e no domingo [12 de julho] à tarde vamos ter insufláveis para as crianças se divertirem, de forma a conseguirmos ter atividades para todas as faixas etárias. Por isso, para além das barraquinhas de cada coletividade, teremos aqui uma participação muito mais ativa e muito mais dinâmica das instituições no próprio programa da festa, fora aqueles artistas como a Bandalusa, que são também daqui da região e, por exemplo, a banda que iremos ter na sexta-feira [10 de julho] à noite, que é de rock dos anos 80/90, Filhos da Virgem, também é composta por pessoas da freguesia. Portanto, vamos dar aqui mais relevo à própria raiz de Oliveira do Douro. O apoio da Câmara Municipal de Gaia foi absolutamente fundamental para a realização da Festa da Bifana e o presidente Luís Filipe Menezes, desde a primeira hora, referiu logo que esta festividade era muito importante para o concelho e para a própria freguesia.
Quantas coletividades é que é que vão estar presentes no certame?
No total, teremos sete coletividades presentes nas barraquinhas da festa, nomeadamente, a Tuna Académica de Oliveira do Douro, o Centro Desportivo Corredourense, os Novinhos de Quebrantões, o Atlético Clube de Gervide, o Clube de Futebol de Oliveira do Douro, o Centro Popular de Trabalhadores do Areinho e, depois, ainda teremos o Grupo de Escuteiros também.
Acredita que é cada vez mais importante valorizar o que de melhor existe em cada localidade?
Sim, sem dúvida, porque nós estamos numa sociedade e neste caso num concelho e numa freguesia que tem muitas coletividades. Oliveira do Douro sempre teve um movimento associativo muito forte e com a evolução dos tempos e da comunidade, isso tem tendência, muitas vezes, a perder-se, principalmente para os jovens que, se calhar não é tão atrativo ir fazer uma atividade ou um desporto ou até mesmo participar na vida ativa de uma coletividade. Então, se colocarmos as coletividades no centro do programa da festa, para além das barraquinhas, julgo que as pessoas poderão ter interesse, por exemplo, em participar no grupo de dança do Atlético Clube de Gervide ou até ter interesse em ir para a fanfarra ou até pertencer ao Rancho do Areinho, ou seja, tentamos também puxar para que essas coletividades durem o máximo tempo possível.
A Festa da Bifana é muito relevante para o movimento associativo local, uma vez que permite que as coletividades angariem alguma verba, que fará toda a diferença nas suas atividades anuais. É também a pensar nisso que se realiza este evento?
Claro que sim. Nós fizemos a primeira reunião de preparação no mês de janeiro, mas em novembro as coletividades já me perguntavam se íamos fazer a festa, ou seja, é sinal de que estavam à espera deste momento do ano, que é muito importante para se calhar colmatarem algumas despesas extra que poderão ter ao longo do ano na sua atividade. Nós sabemos que muitas destas coletividades deslocam-se para outras iniciativas fora do concelho e, muitas vezes, a autarquia ou a Junta de Freguesia poderão não conseguir dar esses apoios, porque são muitas e este evento é importante para isso, para angariarem, exatamente, essa receita.
Esta será a sua primeira Festa da Bifana, enquanto presidente de Junta. Quais são as expectativas?
As expectativas são ótimas. As reuniões preparatórias que tivemos com as diversas coletividades foram extremamente produtivas, aliás, colocamo-nos sempre à disposição das coletividades e de todas as ideias que eles poderiam dar para a melhoria do evento e algumas foram atendidas, sendo que conseguimos aqui melhorar um ponto ao outro. Julgo que foi muito bem aceite pelas coletividades esta dinamização das tradições da freguesia. Neste âmbito, posso dar o exemplo do Rancho do Areinho, que fazia sempre o festival fora da festa, mas nós, desde a primeira hora, dissemos que fazia sentido para nós fazer integrado na festa, porque se calhar trazia mais gente ao folclore e numa noite que é a de sábado, onde se calhar vai mais gente, contudo, decidimos arriscar, porque acho que as pessoas devem assistir, devem ir jantar à Festa da Bifana, ver os concertos e participar nos encontros. Portanto, as expectativas são ótimas, até porque, para além do evento em si, temos aqui também outro ponto atrativo no Areinho, que será a abertura da piscina fluvial, que durante o dia irá atrair ainda mais gente àquela zona e julgo que isso também é um fator que, aqui conjugado com o fim de semana da festa, poderá trazer ainda mais gente e trazendo mais gente traz também maior receita para as próprias coletividades e mais visibilidade à nossa freguesia.
Com o verão à porta, que iniciativas estão a ser preparadas pela Junta de Freguesia para responder às necessidades dos oliveirenses?
No Areinho teremos brevemente a abertura da piscina da piscina fluvial, que acho que vai ser atrativa para as pessoas visitarem mais esta zona. Iremos manter, e será também no mês de julho, logo a seguir à Festa da Bifana, a Colónia Balnear Sénior, que é uma atividade muito importante. Depois, também teremos, na freguesia, as nossas duas maiores festas religiosas, a Festa de S. Tiago, no mês de julho, e depois a Festa de Santa Eulália, no mês de agosto. Também vamos realizar o passeio anual sénior, logo no início de setembro, e este ano, vamos alargar um bocadinho mais o número de participantes, porque havia algumas pessoas que não conseguiam bilhete para ir e conseguimos, juntamente com a Câmara Municipal de Gaia, que foi muito sensível a essa questão, ter mais um autocarro para levarmos as pessoas. O destino será Vila Praia de Âncora e vamos ter também uma missa presidida pelo pároco da freguesia, o padre Ricardo, que, à partida, será no Santuário do Monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo, e depois seguiremos para a quinta em Vila Praia de Âncora.
Que transformações vão ocorrer em Oliveira do Douro nos próximos tempos?
Primeiro, algumas ruas ainda não estão de acordo com aquilo que nós queremos, relativamente aos buracos. Já fizemos esse levantamento junto da Câmara Municipal e estamos a tentar que a autarquia nos dê esse apoio. Apostar também na parte da limpeza, principalmente de zonas de vegetação, que muitas delas já não eram limpas há muito tempo e deparamo-nos com essa realidade. Deparamo-nos também com uma realidade mais ou menos grave no nosso cemitério, pois já não tem iluminação há 1 ano e estamos agora a fazer essa reparação. Depois, também uma das medidas que eu acho que vai ser mais importante nos próximos tempos será a efetivação da construção da VL10. Acho que isso será verdadeiramente transformador para a freguesia, porque primeiro permite ter uma via dedicada a desafogar o centro da freguesia, depois tem uma segunda função que é permitir termos menos trânsito nas outras vias paralelas e perpendiculares, muitas delas, se calhar, um pouco degradadas, mas que já não terão tanto trânsito, porque este vai fluir para essa via. Acredito que isso vai ser transformador. Temos isso alinhavado com a Câmara Municipal, está a ser feito o projeto e julgo que em breve teremos novidades sobre isso e em termos de mobilidade dentro da freguesia. Claro que, depois, temos agora notícias recentes da parte da nova ponte, que será rodoferroviária, ou seja, terá a linha de TGV no tabuleiro de cima e no tabuleiro de baixo terá trânsito automóvel, o que poderá também ser uma vantagem, uma vez que será mais uma via de ligação à cidade do Porto direta de Oliveira de Douro e, portanto, acho que é verdadeiramente transformador, porque permite que o território melhore, cresça e que Oliveira de Douro seja uma freguesia mais atrativa.
Que mensagem gostaria de transmitir aos nossos leitores?
A primeira mensagem vai para a Festa da Bifana, portanto, convidar as pessoas a virem à Festa da Bifana, de 10 a 12 de julho, a visitarem-nos e a visitarem o Areinho. Nós queremos que o Areinho seja um local aprazível, uma zona de lazer e de convívio neste fim de semana. Esperamos que apoiem as nossas coletividades, que jantem, ou almocem, ou lanchem nas barraquinhas das coletividades e que apoiem esta vertente do programa da festa mais tradicional e mais virada para as nossas raízes. Esperamos que assistam ao Encontro de Dança, ao Festival Ibérico de Folclore, ao Encontro de Fanfarras e, claro, aos outros momentos da festa, mas particularmente estes, porque é muito importante darmos relevo ao que é nosso. Esperamos que quem vive na freguesia, como quem nos vai visitar, que passe um bom fim de semana aqui connosco e quem sabe que possam assistir a um jogo de Portugal na própria festa, porque seria sinal de que a Seleção tinha passado na fase de grupos. Também, quero deixar uma mensagem aos oliveirenses e dizer-lhes que este executivo tem cerca de sete meses de gestão da Junta de Freguesia. Os primeiros tempos não foram fáceis, porque houve uma alternância política de muitos anos de um partido político a gerir a Junta de Freguesia, o que nunca tinha acontecido. Nos primeiros tempos houve aqui alguma dificuldade na parte de na parte da gestão do que encontramos, principalmente, nomeadamente equipamentos degradados, e ainda hoje não foi possível chegar a todo o lado, porque são muitas solicitações. Também, encontramos aqui os arruamentos com muitos buracos, locais que já não eram limpos há imenso tempo, até equipamentos da própria Junta de Freguesia, como por exemplo, os balneários do Areinho, que encontramos num estado lastimável e voltamos a abrir há poucos dias, porque tivemos de fazer uma intervenção por parte da Águas de Gaia, que nos ajudou, uma vez que havia um problema muito grave, que já se arrastava há mais de um ano. Temos tido um apoio fantástico dos funcionários da Junta, que têm sido muito solícitos àquilo que nós pedimos e sempre disponíveis para ajudar. Muitas vezes, também não conseguimos chegar a todo o lado, porque nós não somos muitos, os funcionários não são muitos e as solicitações realmente são cada vez mais, porque notamos que a população pede isso, pede soluções, pede que se resolva um problema de hoje para amanhã e nós sabemos que na gestão pública isso não é possível, porque existem procedimentos, existem timings certos e, maioritariamente das vezes, as coisas não dependem da Junta, mas de outras entidades, como a Câmara Municipal e isso dificulta conseguirmos atender todos os pedidos, mas temos tido sempre, e isso será sempre uma marca que eu terei enquanto presidente de Junta, que é a proximidade com a população. Eu faço exatamente o que fazia antes de ser presidente de Junta. Eu não mudei em nada a minha vida a não ser dedicar-me mais de 100% à atividade autárquica, porque acho que Oliveira do Douro precisava, precisa e vai precisar cada vez mais disso, porque nós somos uma freguesia que ainda está em crescimento e todos os dias vemos novas habitações a serem construídas, vemos pessoas a chegar à freguesia, que, às vezes, até nem são do nosso país e nós temos de acompanhar esse crescimento tão repentino, tão rápido, o que muitas vezes é difícil, porque não se pensou no crescimento da freguesia a médio prazo. Portanto, a mensagem que eu deixo é que esperem sempre deste executivo e de mim, enquanto presidente, proximidade e ligação às pessoas. Esperem sempre tentar fazer de tudo para que se arranje uma solução para o problema mais banal que possa existir ou o buraco na rua, ou o jardim que não está tão bem, ou um problema qualquer ao nível dos tanques da freguesia, que era outro problema que tínhamos e que ainda temos, mas que estamos a tentar resolver. Portanto, esperem sempre da nossa parte uma solução para as coisas. Também, vamos tentar ter aqui uma dinâmica nova na freguesia, com mais atividades culturais, por exemplo, dando mais atenção à nossa parte social e aos nossos seniores, uma vez que temos a pretensão de, já no início do próximo ano, inaugurarmos a Academia ou Universidade Sénior de Oliveira do Douro, com atividades periódicas nas diversas áreas. Portanto, temos aqui em atenção a parte social, as nossas escolas também, que são muito importantes para nós, e as coletividades, entroncando aqui na Festa da Bifana.


