“Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”. Isto dizia Bertolt Brecht e Joaquim Fonseca tem uma vida dedicada à luta pela arte. A arte como instrumento de liberdade, isto porque a arte inspira a liberdade que transforma.
Com quase meio século dedicado ao mundo artístico, Joaquim Fonseca afirma-se como uma figura no panorama cultural português. O seu percurso inicia-se no Porto, no ano de 1977, marcado pelo convívio com nomes como Mário Cesariny e o dramaturgo Bernardo Santareno, que “foram influências que me ajudaram a moldar uma visão aberta e inquieta da arte”, sublinhou em declarações ao ‘Audiência’ a propósito da exposição que inaugurou, no mês de abril, na sua galeria, no centro da cidade do Porto.
Após décadas de “andanças” por galerias e espaços expositivos, desde o Centro Cultural de Belém ao Fórum Picoas, passando por diversos locais em Cascais, Joaquim Fonseca tem, nos últimos dez anos, apostado decididamente na promoção de artistas emergentes, cruzando-os com criadores consagrados. Como sintetizou, “estamos abertos ao mundo”.
A mais recente expressão desse percurso é a exposição “Sem Amarras”, na Galeria D. Pedro, na Rua da Torrinha 264, patente até 16 de maio. Reunindo dezenas de artistas, a mostra assume-se como um manifesto de liberdade, evocando o espírito da Revolução de Abril. A inauguração contou com uma intervenção poética de Ana Albergaria, que recitou textos alusivos à liberdade, e com um momento musical protagonizado pelo tenor José Pinto Santos, ele próprio também artista plástico, com um quadro exposto nesta coletiva.
Ao longo do seu percurso, Joaquim Fonseca privou com artistas de renome e recorda com saudade a amizade com Artur Bual, mas também com muitos outros, como Júlio Pomar, Cruzeiro Seixas, Nelson Dias e Manuela Pinheiro, entre muitos outros, consolidando uma rede artística plural, quer no sentido artístico quer nas opções de vida.
Joaquim Fonseca já prepara uma nova exposição sob o tema “Sem Máscaras”, reafirmando a sua convicção de que a arte é um território de verdade, encontro, liberdade e emancipação, “a arte que inspira, liberdade que transforma”, sublinha.


