O título diz tudo, é uma tradução literal do título de um artigo divulgado no dia 21 de Setembro pelo Financial Times. Muita tinta se fez correr durante a pandemia sobre a dependência mundial da China, muito em parte devido a um sentimento global de ansiedade consumista e desespero existencial mas parece que voltamos à normalidade.

Enquanto o mundo se confrontava com um novo inimigo microscópico que ameaçava a vida de todos nós e éramos confrontados com terror um número, cada vez maior, de casos novos em catadupa na Itália, Espanha e França, foram aos milhares as vozes que se insurgiam contra esta dependência, quase absoluta, do mundo pelos produtos (baratos) chineses.

Os argumentos desta revolta consistiam na impossibilidade do nosso país satisfazer a súbita procura por máscaras e outros equipamentos de saúde, nomeadamente ventiladores, a poluição que a pegada ambiental deixava e a imponência do mundo ocidental perante a eficácia asiática a produzir os produtos que precisávamos para satisfazer a nossa incessante vontade de ter “shiny New things”.

Volvidos oito meses já desconfinamos e retomamos a atividade económica quase em pleno e parece que o súbito neo-iluminismo do séc XXI não passou de uma mera introspecção temporária. Em Abril a China voltou a exportar como o colosso que sempre foi, aumentando 18% as suas exportações.Por cá, o governo nada fez para compensar o desequilíbrio industrial das últimas décadas e aproveitar a quebra económica mundial para penetrar novos mercados.

Enfim, fiel a si mesmo, perdeu uma excelente oportunidade estratégica e parece que estamos destinados a um recorrente ciclo de resgates financeiros e exaltação com o turismo.Agora tenho de parar de escrever porque vi um telemóvel a bom preço no Aliexpress e não quero perder esta pechincha.

Obrigado por lerem.

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