Em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, António Azevedo, atual presidente da Câmara Municipal da Trofa e candidato independente à liderança do município, afirmou que encara a política como “um grande espírito de missão” e garante estar preparado para iniciar um novo ciclo, “livre de pressões externas e de jogos políticos de bastidores”. A construção de um grande Auditório, um Polivalente Municipal e mais habitação a preços acessíveis são algumas das prioridades que o autarca pretende concretizar nos próximos anos, sempre com “contas certas” e uma política de proximidade. Acreditando na importância da continuidade do trabalho até então desenvolvido, António Azevedo garantiu que a experiência acumulada ao longo de mais de duas décadas de dedicação à causa pública é determinante para “continuar a construir a Trofa que todos merecemos”.
Como se descreve enquanto cidadão?
Sou acima de tudo um homem de família. Sou casado, pai de três filhos e orgulhosamente avô de dois netos. A minha família é o meu grande pilar. Procuro, com a vida atribulada que tenho, conciliar sempre o trabalho com a parte familiar, arranjando tempo, por exemplo, para almoçarmos juntos todos os dias. Apesar de ter nascido em Vila do Conde, considero-me um orgulhoso trofense. Resido na Trofa há mais de 40 anos e foi aqui que desenvolvi a minha atividade profissional, primeiro como professor e, posteriormente, ingressando na vida política, que já exerço há quase 25 anos. Gosto das pessoas e de colocar o meu trabalho, dedicação e experiência ao seu serviço. Para mim, a política só faz sentido se for feita para as pessoas. Ter o foco nas pessoas, estar presente, escutá-las, atender aos seus problemas, apresentar soluções é o que tenho feito ao longo de grande parte da minha vida.
Como e quando ingressou no mundo da política?
Ingressei no mundo da política há precisamente 24 anos quando, ainda presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Santiago de Bougado, fui convidado a integrar a lista à Junta de Freguesia de Santiago de Bougado. Vencida a eleição, fui presidente de Junta durante 12 anos. Posteriormente, estive 11 anos como vice-presidente da Câmara Municipal da Trofa e, desde julho de 2024, assumi a presidência, cargo a que agora me candidato. Tem sido um percurso de dedicação e trabalho, mas muito gratificante. Hoje posso dizer que contribui para fazer da Trofa um concelho mais desenvolvido, mais moderno, mais sustentável e amigo do ambiente, um concelho mais justo e equilibrado em termos de oportunidades.
Como descreve o seu percurso até então?
O meu percurso tem sido sempre em prol das pessoas. As pessoas têm de estar sempre no centro da atuação política. Este tem sido um dos grandes pilares da minha atuação. É preciso ouvi-las, mostrando disponibilidade, solidariedade e compreensão. Mas, isto não basta. É preciso depois passar à ação, fazer, arranjar soluções e concretizar. E, quando o bem-estar dos trofenses está em causa, eu não tenho medo de decidir. É isso que as pessoas esperam de quem está à frente do destino das suas vidas. Decidir com coragem, com responsabilidade, sempre a favor do bem comum. Tenho encarado a política, ao longo de toda a minha vida, com grande espírito de missão. Não como um emprego, mas como uma missão, em prol de uma vida melhor para todos os trofenses. E, hoje, sinto-me feliz e honrado pela obra feita e pelo o bem-estar que criámos juntos e com tanto trabalho.
Exerceu funções como vice-presidente da Câmara da Trofa entre 2013 e 2024, altura em que assumiu a presidência da autarquia. De que forma acha que contribuiu para a melhoria da qualidade de vida dos trofenses?
Para além de vice-presidente, fui também responsável pela parte financeira. Esta é uma área vital da gestão camarária, porque gerir o dinheiro público é de uma enorme responsabilidade. Eu procurei sempre assegurar uma gestão assente em contas certas, justas e com grande sentido de responsabilidade. E foi com esta premissa sólida que tive intervenção na concretização de grandes projetos, como por exemplo a aquisição do terreno onde hoje está o edifício dos Paços do Concelho, ou a concretização de acordos com proprietários na resolução de alguns conflitos, em termos de obras municipais. Mais recentemente, e já no meu mandato como presidente, procedi à renegociação da dívida baixando o spread e a dívida, tendo conseguido reduzi-la de 76 milhões de euros para 16. Dei início à aquisição de 100 fogos de habitação municipal a preços acessíveis, o que irá, certamente, ajudar a mudar a vida de muitos trofenses. Implementei um conjunto de ações que tiveram impacto imediato na vida das pessoas, como seja a atribuição do kit maternal e do kit educação para todos os alunos. Estes são apenas alguns exemplos da obra concretizada neste último ano, durante o qual tenho também promovido, de forma bastante assertiva, um maior diálogo e espírito de solidariedade entre presidentes de Junta e Câmara. Temos, de uma vez por todas, de trabalhar em sintonia, sem olhar a cores partidárias, fazendo com que as Juntas se sintam como verdadeiras extensões da Câmara no terreno, todas parceiras e não inimigas. São 12 anos de trabalho na autarquia, onde muito foi feito e muitos projetos foram concretizados. Haveria muito mais a referir, mas o importante para consolidar o presente e construir o futuro, é continuar com o nosso trabalho. Há sempre mais a fazer, mas estes foram anos de evolução em que os trofenses já sentiram a mudança e isso, para mim, é o mais importante.
Quais são as suas principais aspirações?
A minha grande missão é servir os trofenses, como fiz até hoje, o melhor que sei e o melhor que posso. Agora, nesta minha candidatura independente, sem interesses escondidos, de uma forma mais livre e sem amarras partidárias, terei maior liberdade para tomar as decisões certas. De uma forma mais direta e objetiva, poderei, em conjunto com a minha equipa, decidir, com o conhecimento que tenho do terreno, das pessoas e dos seus problemas, aquilo que é melhor para todos. A minha grande aspiração é servir os trofenses com lealdade e continuar a construir a Trofa que todos merecemos.
O que o motivou a candidatar se à presidência da Câmara da Trofa?
Esta resposta está na Trofa e no bem-estar que quero trazer para todos os trofenses. Estou preparado. Tenho um sólido conhecimento dos dossiês, do terreno e de todas as dinâmicas da gestão camarária, pelo que quero colocar-me, mais uma vez, à disposição do serviço público, desta vez como independente, livre de pressões externas ou jogos político-partidários. A experiência adquirida ao longo destes 12 anos como vice-presidente e presidente, são o garante de uma continuidade, da execução das medidas que suportam o nosso projeto de futuro para a Trofa, em termos de educação, ambiente, saúde, cultura, etc. Sei também que nada consigo fazer sozinho e por isso tenho de me rodear dos melhores. Integro na minha equipa um elemento de grande valor e com provas dadas na maior freguesia do concelho, uma das atuais vereadoras com vastíssima experiência na ação social e que conhece as carências do concelho como ninguém. É destas pessoas que me quero rodear, é com estas pessoas, com a sua experiência e conhecimento que me comprometo liderar os destinos da Trofa por mais quatro anos.
Sente que o PSD virou, de alguma forma, as costas ao seu projeto político?
Mais do que preocupado com partidos, estou preocupado com os trofenses. O meu compromisso é com a Trofa. Tenho experiência, tenho capacidade de trabalho, tenho equipa e isso é o mais importante para servir a Trofa, para melhorar a vida de todos os trofenses e garantir o desenvolvimento sustentado do nosso concelho. Não preciso de um partido para fazer o que sempre fiz: trabalhar com todos, para o bem comum. O que precisamos agora é de estabilidade, seriedade e trabalho. Precisamos de um modelo de governação centrado nas pessoas, na proximidade e nas contas certas. É nisto que estou focado. Hoje, livre de pressões externas e de jogos políticos de bastidores, estou preparado para começar um novo ciclo, no dia seguinte à nossa vitória.
Se for eleito, que visão tem para o concelho nos próximos anos?
Uma visão em que no presente se construa o futuro. O futuro depende sempre daquilo que nós fizermos no presente e muito do futuro da Trofa está nas nossas mãos, hoje. Irei, em conjunto com a minha equipa, continuar com a implementação das medidas que estamos a trabalhar e que têm sido eficazes nas diversas áreas ou competências do município como a educação, a ação social, a habitação, a cultura, a mobilidade, etc. Estas medidas estruturais devem ter a sua continuidade e não serão abandonadas pelo nosso executivo. Tenho, num horizonte temporal mais alargado, a intenção de proceder à execução de três grandes investimentos, que considero que poderão trazer mais modernidade e oportunidades ao nosso concelho, nomeadamente, a construção de um grande Auditório, um Polivalente Municipal e habitação municipal a preços acessíveis para os trofenses. Acredito que, com contas certas e uma boa gestão financeira, recorrendo aos fundos disponíveis, estes projetos poderão ser uma realidade. Na política de proximidade, naquela que impacta a vida dos cidadãos no dia a dia, continuaremos a prestar atenção aos seus “pequenos grandes problemas”. Muitas vezes não é difícil resolver um problema no passeio à porta de casa, na limpeza de uma zona de passagem ou no arranjo de passeio. Vamos procurar ser mais ágeis neste domínio, estabelecendo contratos administrativos com as freguesias, para que as obras de proximidade sejam mais rápidas e mais bem fiscalizadas. Vamos terminar a escola EB 2/3 do Coronado, vamos lançar o concurso para o Centro Cultural da Trofa, o grande Auditório, vamos dar início aos procedimentos de candidatura para o Parque de Real e vamos também dar início ao projeto de execução da Ponte Pênsil. Em relação ao Metro, vamos aprovar o projeto de execução, que está a ser elaborado com as novas paragens, que ligará diretamente a Maia à Estação Nova. Vamos, também, dar continuidade ao ótimo serviço que temos feito com a ampliação e requalificação de todas as escolas, a par de todas as medidas de apoio que temos promovido ao longo, sobretudo, deste último ano. Gostaríamos também que no nosso concelho houvesse oferta de rede de creches. Sabemos que isso não é competência direta da Câmara, mas apoiaremos quem queira investir, para que todas as famílias consigam ter esta facilidade. Finalmente, a melhoria das estradas, passeios e espaços públicos, os apoios ao associativismo, à cultura, ao ambiente, à juventude, às famílias e terceira idade, continuarão a fazer parte do nosso trabalho diário. Sabemos que o caminho se faz caminhando. Acredito que estamos no bom caminho. A curto, a médio e a longo prazo, a Trofa vai continuar a afirmar-se como um concelho inclusivo, preparado para acolher todos, proporcionando-lhe mais qualidade de vida, mais oportunidades e mais garantias de um futuro melhor.
Quais são as reais necessidades da população da Trofa?
A população da Trofa precisa, acima de tudo, de mais emprego e de mais habitação. Habitação a preços acessíveis para que as pessoas se possam instalar na Trofa. Mais creches, como já referi, mais investimento e intervenção nas vias de comunicação, essencialmente vias de ligação intermunicipais, estradas e passeios.
Quais são os principais desafios que conta enfrentar?
Os grandes desafios são sempre financeiros. Algumas dificuldades, para além do acesso a apoios comunitários, na poupança corrente. A despesa corrente terá de ser gerida com extremo rigor, para que possamos ter liquidez suficiente quer para pagar projetos de curto prazo, quer para pagar os grandes projetos. Creio que a minha experiência na gestão financeira da Câmara será uma grande mais-valia para a implementação de uma política de contas certas e de contas justas. Depois de ter negociado a dívida, reduzindo-a de 300% para, atualmente, 70%, é preciso continuar esta política de rigor, não aumentando a dívida e promovendo a poupança corrente, de forma a possibilitar a redução da carga fiscal e mais apoio direto às pessoas e às famílias.
Como é que vê a evolução do trabalho desenvolvido pelo atual executivo ao longo dos últimos anos?
Vejo com algum contentamento. Temos sabido responder àquilo que os trofenses esperam de nós e a Trofa tem trilhado um caminho muito positivo, de construção de um concelho atrativo e onde é bom viver. E este é, aliás, como já referi, o grande motivo para eu ser candidato a presidente da Câmara. Melhor do que ninguém, conheço a realidade da Trofa e a minha experiência, juntamente com a qualidade da minha equipa, são fundamentais para dar continuidade a este caminho de melhoria do bem-estar e da qualidade de vida que os jovens, as famílias, e os mais velhos, tanto merecem.
Que mensagem gostaria de deixar à população?
Como candidato independente à Câmara Municipal da Trofa, gostaria de deixar uma mensagem de confiança e dizer que podem continuar a contar comigo. Comigo e com a minha equipa, com o nosso espírito de missão e serviço público. Precisamos de estabilidade e de trabalho sério. Temos de dar continuidade a este projeto que está a mudar a Trofa. Quando acabarmos este próximo mandato deixaremos a Trofa muito melhor do que está hoje.


