Não é de agora a preocupação global com o aparecimento de pandemias que provocam a morte a milhões de pessoas, contraiem as economias e consequentemente fragilizam a vida de populações inteiras com o desemprego e a fome.

A humanidade já conheceu pelo menos cinco pandemias importantes e letais, que a seguir se indicam:

A peste bubónica causada pela bactéria Yersinia pestis que pode disseminar-se pelo contato com pulgas e roedores infectados e cujos sintomas incluem inchaço dos gânglios linfáticos na virilha, na axila ou no pescoço, além de febre, calafrios, dor de cabeça, fadiga e dores musculares.

Esta doença é considerada historicamente a causadora da Peste Negra, que assolou a Europa e a Eurásia no século 14, matando entre 75 milhões e 200 milhões pessoas e no total a praga pode ter reduzido a população mundial de 450 milhões de pessoas para 350 milhões.

A varíola que atormentou a humanidade por mais de 3 mil anos e causou também muitos milhares de mortos e também a temida «bixiga» ao faraó egípcio Ramsés II, à rainha Maria II da Inglaterra e ao rei Luís XV da França.

Este vírus Orthopoxvírus variolae era transmitido de pessoa para pessoa por meio das vias respiratórias e os sintomas eram febre, seguida de erupções na garganta, na boca e no rosto, mas felizmente  foi erradicado do planeta em 1980, após campanha de vacinação em massa.

A cólera que em 1817, matou centenas de milhares de pessoas e cuja bactéria Vibrio cholerae sofreu diversas mutações e tem causado novos ciclos epidémicos de tempos em tempos, sendo ainda e por essa razão considerada uma pandemia.

A sua transmissão acontece a partir do consumo de água ou alimentos contaminados e é mais comum em países subdesenvolvidos, entre os quais o Haiti, em 2010, mas o Brasil também já teve vários surtos da doença, principalmente nas áreas mais pobres do Nordeste e  no Iémen em 2019 mais de 40 mil pessoas morreram devido à enfermidade. Os sintomas são diarreia intensa, cólicas e enjoo e  apesar de existir vacina contra a doença, ela não é 100% eficaz, pelo que o tratamento é à base de antibióticos.

A gripe espanhola que pensa-se ter causado entre 40 milhões a 50 milhões de mortos em 1918 e foi derivada de um subtipo do vírus influenza, afectando mais de um quarto da população mundial na época e até o então presidente do Brasil, Rodrigues Alves, morreu da doença, em 1919. O vírus veio da Europa, a bordo do navio Demerara que desembarcou passageiros infectados em Recife, Salvador e Rio de Janeiro.

Os sintomas da doença eram muito parecidos com os do atual coronavírus Sars-CoV-2, e não existia cura, pelo que em São Paulo a população foi atrás de um remédio caseiro feito com cachaça, limão e mel, tipo caipirinha.

A gripe suína H1N1, cujo vírus foi o primeiro a gerar uma pandemia no século 21, surgiu em porcos no México em 2009, disseminou-se rapidamente pelo mundo, matando 16 mil pessoas e no Brasil o primeiro caso foi confirmado em Maio daquele ano e no fim de Junho 627 pessoas estavam infectadas no país, de acordo com o Ministério da Saúde local.

O contágio acontece a partir de gotículas respiratórias no ar ou em superfícies contaminadas e os seus sintomas são os mesmos de uma gripe comum, ou seja, febre, tosse, dor de garganta, calafrios e dor no corpo.

Ao falarmos de vacinas é indispensável termos em conta o nome de Louis Pasteur cientista francês, cujas descobertas tiveram enorme importância na história da química e da medicina, sendo reconhecido pelas suas notáveis descobertas das causas e prevenções de doenças. Entre seus feitos mais notáveis pode citar-se a redução da mortalidade e a criação da primeira vacina contra a raiva, pois as suas experiências deram fundamento para a teoria microbiológica da doença, além de que foi também conhecido do público em geral por inventar um método para impedir que o leite cause doenças, processo esse que veio a ser chamado pasteurização, em homenagem ao autor.

Pasteur é considerado um dos três principais fundadores da microbiologia, juntamente com Ferdinand Cohn e Robert Koch e foi fundador e director do instituto que tem seu nome Instituto Luis Pasteur inaugurado em 1887, uma fundação privada francesa sem fins lucrativos dedicada ao estudo de biologia, microrganismos, doenças e vacinas.

Nos dias de hoje e face à pandemia que enfrentamos, eis-nos no mínimo perplexos e indignados perante as posições assumidas por algumas das grandes unidades farmacêuticas multinacionais, Pfizer e Zeneca, que sem pejo se degladiam na procura do maior lucro com a venda das vacinas e anunciaram «de que não cumprirão as entregas de vacinas previstas» , mas também com a atitude da União Europeia de se submeter somente às condições das referidas unidades, sabendo da existência de outras, Soberana, Sputnik, Coronavac, com melhores condições face ao atraso existente nas entregas e face à alegada compra adicional efectuada por alguns estados-membros aos laboratórios com os quais a UE celebrou contratos de fornecimento com investimento de fundos públicos.

Faltarem vacinas na Europa porque a União Europeia quis poupar dinheiro nos contratos e dar prioridade ao mercado em vez de a dar à salvação de vidas é uma vergonha e os estados-membros não devem aceitar esta situação.

Por cá reina o «chico-espertismo» com vacinações ilegais e oportunismos vários num salve-se quem puder, mas também um certo desnorte nas medidas governamentais, indicativo de falta de rumo seguro com medidas mais assertivas para o País aceder a todos os meios para que o plano de vacinação seja eficazmente executado, nomeadamente não se deixando ficar refém da Comissão Europeia na limitação do acesso a vacinas.

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