Aos 62 anos de idade, Pereira Lopes é um homem realizado, depois de ter conseguido um dos seus maiores desejos, criar um festival de fotografia reconhecido: o iNstantes. A ideia surgiu em 2012 mas só dois anos depois o iNstantes viu a luz do dia, na terra do seu criador, Avintes.

Apesar de, no início, não ter qualquer apoio, atualmente, o iNstantes é organizado pela Junta de Freguesia de Avintes, embora Pereira Lopes garanta que “a definição daquilo que é o iNstantes é minha, não abdico disso nem há interferências nem há interferências do poder político”.

Contudo, o diretor do festival, que teve recentemente um polo na Ribeira Grande, nos Açores, lamenta a falta de apoio da autarquia gaiense.

“Temos imensos projetos e não tem custos para a autarquia, é só uma questão de nos arranjarem um espaço o que não está a ser fácil”, afirma.

 

iNstantes porquê?
A fotografia é o momento, portanto, o instante é um momento. E é um nome fácil de decorar.

 

Mas porquê a fotografia? É fotógrafo?
Não, não sou fotógrafo. Eu faço fotografia como hobby, é uma paixão antiga, da adolescência, de quando estudava na Escola Industrial e Comercial de Vila Nova de Gaia. A partir daí passei por uma fase em que vi muitos filmes, muitos documentários de países nórdicos e a imagem marcou-me mas, embora gostasse, só muito mais tarde é que entrei no mundo da fotografia.

 

Sempre viveu em Avintes?
Sou natural do Porto, mas desde os 11 dias de vida que vivo em Avintes. Nasci no Porto por mero acaso, toda a família era de Avintes. Frequentei a primária em Avintes e depois passei para a Secundária de Gaia, para a Escola Comercial e Industrial de Gaia.

 

Qual foi a sua primeira atividade profissional?
Trabalhei na área da qualidade na Barbosa e Almeida, em Avintes, de seguida passei para a área da qualidade na Sogrape Vinhos, também em Avintes, e onde me mantenho até hoje. Tenho 40 anos de empresa.

 

Quando começou este projeto?
Comecei a trabalhar neste projeto em novembro de 2012, com a perspetiva de fazer o festival em outubro de 2014. Portanto, foi um projeto pensado e repensado até chegarmos ao produto final. E essa é uma fase curiosa porque, a partir do momento em que decidimos avançar com o projeto em 2012, começamos a contactar vários fotógrafos e ao fim de dois meses tivemos de encerrar os pedidos de participação porque tivemos logo uma adesão praticamente imediata a este projeto por parte de fotógrafos de vários países.

 

Então a primeira edição aconteceu em 2014?
Sim, em outubro de 2014, em Avintes. Tivemos logo uma adesão bastante forte por parte de fotógrafos de sete países e montamos nessa altura 18 exposições em Avintes, que foi distribuída pelas coletividades, pela padaria, pelo café, ou seja, procuramos diversificar de forma a que quem visitasse o festival fosse quase obrigado a circular e conhecer a freguesia. Um pouco como acontece com as cascatas de S. João.

 

Qual foi o feedback das pessoas quando a iniciativa saiu à rua?
Avintes não é uma terra que tenha tradições a nível fotográfico. Apesar de ter belas paisagens não é uma terra com essas tradições. Portanto, não é fácil montar um festival destes numa terra que não tenha essa tradição. Foi um bocado ir preparando ao longo do tempo as pessoas para o que ia acontecer ao nível da fotografia. Avintes só tem uma única galeria com condições efetivas para fazer uma boa exposição de fotografia, que é a galeria do Parque Biológico, todos os outros locais são locais inventados de forma a que a fotografia entre lá.

 

Mas é uma forma de, em vez de as pessoas irem à exposição, a exposição ir às pessoas…
Sim. Tem essa vertente. As pessoas, muitas vezes, têm receio de entrar num museu, numa galeria, porque é uma coisa muito formal. E as exposições do iNstantes tiraram essa carga mais formal a esta arte.

 

E como é que consegue estes contactos com os fotógrafos que tantos países?
Os contactos são conseguidos através de ver muita fotografia, e gostando da fotografia, encetar contactos no sentido de perceber se as pessoas estão interessadas ou não em participar. Outra forma de as pessoas chegarem ao iNstantes é por proposta dos fotógrafos que já passaram pelo festival e que me vão dizendo que vale a pena convidar este ou aquele fotógrafo. Há essas duas vertentes.

 

Depois da primeira edição, o que aconteceu?
Aconteceu que já estava a decorrer a segunda porque, quando não se tem dinheiro tem de se trabalhar com muito tempo de antecedência. Portanto, enquanto estava a decorrer a 1ª edição, eu já tinha praticamente montada a 2ª edição que ocorreu em outubro de 2015, novamente em Avintes, e que também contou com a participação de fotógrafos de vários países.

 

Entretanto, houve um momento em que Avintes explodiu esta exposição para outras partes do mundo. Quando e como aconteceu isso?
O que aconteceu foi que o iNstantes, por variadíssimas razões, e porque o diretor do iNstantes não se coloca num plano superior aos restantes elementos, as pessoas gostaram da forma como foram recebidas, como foram tratadas e como montamos as exposições, gostaram de Avintes, gostaram de um conjunto de aspetos que levaram a que pessoas que passaram pelo iNstantes, nos propusessem a levar a marca a outros países. Por exemplo, ainda não tínhamos feito nenhuma edição e em meados de 2013 recebemos uma proposta para sermos parceiros do maior festival da Península Ibérica, que é o Outono Fotográfico. Como ainda não tínhamos organizado nada questionamos o facto de nos convidarem e a resposta foi que ‘quem organiza com tanto tempo de antecedência tem de fazer as coisas bem’. E nós aceitamos essa proposta, tivemos uma ou duas reuniões, e começamos por levar o iNstantes a Espanha nessa parceria com o Outono Fotográfico, posteriormente esteve em Avintes uma fotógrafa da Colômbia, a Margarita Mejia, que expôs na Ribeira Grande, e pedimos-lhe para ser embaixadora do iNstantes para os países da América do Sul, com exceção do Brasil. E o que ela faz é a curadoria, faz uma escolha de fotógrafos da América do Sul e indica-nos. Nessa altura, ela mostrou interesse em levarmos o iNstantes à Colômbia e eu disse que sim. Através do Instituto Camões mandamos os trabalhos para a embaixada de Portugal em Bogotá e a exposição foi feita na Universidad Jorge Tadeo Lozano, teve a presença do embaixador de Portugal na inauguração e através da Universidade fizemos um concurso em que o vencedor viria, no ano a seguir, expor em Avintes. Posteriormente, também através de uma fotógrafa romena que passou por Avintes, propôs-nos realizar numa cidade com 350 mil habitantes um polo do iNstantes, o que aconteceu este ano entre 16 de fevereiro e 16 de março. Abriu as portas dos grandes espaços de cultura dessa cidade à arte fotográfica, ao iNstantes. Depois, tivemos o interesse da Ribeira Grande através do Benjamim Medeiros que expôs em 2015 e que todos os anos em fevereiro faz questão de estar presente em Avintes, e fizemos esta parceria com a Câmara Municipal. Portanto, além de Avintes, o iNstantes já teve em Espanha, na Colômbia, na Roménia e agora no arquipélago dos Açores, na Ribeira Grande.

 

Fez tudo isto sozinho ou teve apoio?
Um evento desta dimensão nunca se consegue fazer sozinho. O que aconteceu é que, num primeiro momento, o que eu fiz foi quase patrocinar o evento pois não tive apoios suficientes. Tive a ajuda de pessoas que fizeram o espetáculo de abertura, tive a ajuda das coletividades, concretamente dos Plebeus Avintenses que sempre abriram as portas para a cerimónia de abertura, do Clube Recreativo Avintense, da Junta de Freguesia que também teve abertura para mobilizar o pessoal para ajudar nas montagens. Na altura tinha também uma pessoa com quem tinha projetos em comum, o Luís Reina, que nem sequer era de Avintes, e que me ajudou a avançar com o projeto. Mas a definição daquilo que é o iNstantes é minha, não abdico disso nem há interferências do poder político. O iNstantes hoje é uma organização formalmente da Junta de Freguesia, mas a definição daquilo que vai acontecer não tem intervenção de ninguém da Junta. Tenho um orçamento e dentro desse orçamento trabalho, portanto, a definição é totalmente minha.

 

Subentendo pelas palavras que acaba de dizer que tem o apoio da Junta de Freguesia de Avintes.
Hoje em dia, o iNstantes é um evento organizado pela Junta de Freguesia de Avintes, do qual eu sou diretor.

 

E em termos de apoios, além da Junta, consegue recolher mais alguns apoios financeiros, materiais?
Para a produção de imagem temos o apoio da Fuji, o porto de honra é fornecido pela Tarte de Canela, uma confeitaria em Avintes. Depois temos a Cimaca que também dá um apoio.

 

E o município?
O município não. Mostrou interesse, inicialmente, em apoiar o projeto mas queria fazer alterações que não passavam pela ideia que eu tinha para o projeto, portanto decidimos que o município, pelo menos na fase inicial, não entrava no projeto. De futuro, não faço ideia. Sei que há vontade da atual vereadora para isso.

 

 

 

“É curioso que Avintes, através de um jornal que nasce lá e através de um festival que nasce lá, concretize projetos na mesma cidade açoriana”

Está na Ribeira Grande que, por acaso também só tem um jornal, que é original de Avintes. Isto é coincidência?
As coincidências acontecem. É curioso que quando estive cá o ano passado, estava para ser recebido pelos elementos da Câmara para falar sobre o iNstantes e quando estava na sala de espera deparei-me com o AUDIÊNCIA. Realmente não houve nenhuma busca efetiva para nos encontrarmos, mas foi interessante e curioso que Avintes, através de um jornal que nasce lá e através de um festival que nasce lá, concretize projetos na mesma cidade açoriana.

 

O que está a achar da Ribeira Grande e da experiência desta exposição?
Acho que é interessante do ponto de vista do iNstantes dar a conhecer, no fundo, a cultura de uma terra com tradições culturais como Avintes. Por outro lado, também é uma forma de dar a conhecer a outras localidades fora dos Açores aquilo que é a Ribeira Grande, através das fotografias que vamos publicando e de reportagens de televisão, que existe uma cidade que é a Ribeira Grande que nos acolheu muito bem através da sua Câmara. O espaço onde tivemos a expor é magnífico, a exposição, tendo em conta os condicionalismos, é aquela que é possível. Optamos por convidar um conjunto alargado de fotógrafos que passaram pelo iNstantes mas a maioria dos trabalhos que estão aqui são trabalhos novos, nunca passaram anteriormente pelo festival. É uma exposição coletiva com exposições individuais reduzidas, cada pessoa tem cinco trabalhos só o Benjamim Medeiros, que joga em casa, é “favorecido” e eu por ser o diretor do festival, em que me ofereceram o espaço do Museu Municipal da Ribeira Grande para expor um trabalho meu sobre os mineiros do Pejão, um trabalho de retrato que tem passado por vários museus no continente, como o de Leiria, de Aveiro, pelo museu mineiro de São Pedro da Cova e que vai ser exposto dentro de dias, a convite da Câmara Municipal de Vila do Conde, no auditório municipal de Vila do Conde.

 

E isto é para continuar…
O iNstantes é para continuar, com certeza. O iN Ribeira Grande não faço ideia, tem de se fazer um balanço final e perceber se as pessoas têm interesse em nos voltar a acolher, se viram benefícios também em ter cá o festival, e só depois dessa conversa é que vamos perceber se a Câmara Municipal está interessada ou não em continuar com o projeto. Nós teríamos imenso gosto em que isso acontecesse, por variadíssimas razões. Até porque a fotografia, hoje em dia, é um fator de agregação de vontades, de partilha. A fotografia é um modo de viajar, só para dar uma ideia, tivemos fotógrafos aqui que se deslocaram propositadamente de Espanha, além dos que vieram do continente, e fotógrafos que vieram do Brasil para este evento e que chegam aos seus países e vão divulgar a Ribeira Grande e o iNstantes, vão divulgar tudo aquilo que se passou, portanto, acho que é extremamente importante este tipo de eventos até no âmbito turístico, há sempre um retorno que sai destes eventos.

 

Quem veio consigo por parte da organização do festival?
Não tenho ninguém formalmente ligado à organização do iNstantes, o que faço é delinear aquilo que pretendo e depois, pontualmente, há um conjunto de pessoas que me ajudam e desta vez veio o Henrique Zorzan, brasileiro que vive no Porto e que habitualmente nos apoia em variados aspetos, desta a cobertura fotográfica, à cobertura de vídeo e que tem vindo a colaborar connosco nos últimos anos. E trouxe também o Agostinho Soares que, pela primeira vez, nos ajudou a resolver alguns problemas de vídeo, mais um avintense de gema e um apreciador da broa de Avintes e do bife regional da Ribeira Grande.

 

Mas na abertura do evento, trouxe de Avintes uma surpresa…
É uma surpresa que pouca gente conhecia em Avintes quando convidei para fazer a abertura do iNstantes em Avintes em fevereiro, que é a Rafaela Oliveira, a pianista que acho que terá um futuro risonho na música e resolvemos convidá-la para nos fazer companhia aqui na abertura do iN Ribeira Grande e acho que foi um sucesso a atuação dela. (Um espetáculo que pode ser visualizado na página oficial do Facebook do AUDIÊNCIA). Tivemos também os Freelance, um grupo da Ribeira Grande, que foi um convite do Benjamim Medeiros.

 

Que reserva o futuro para o iNstantes? O que haverá entretanto, entre este iN Ribeira Grande e o próximo iNstantes em Avintes em fevereiro de 2019?
Normalmente não há nada porque o iNstantes nem sequer tem um espaço físico onde guarde o espólio que vai acumulando ao longo dos anos. Portanto, tudo aquilo que é produzido, tudo o que nos é oferecido pela Fuji ou que tem custos para a Junta de Freguesia é propriedade do iNstantes e temos autorização dos fotógrafos para guardarmos os trabalhos e os levarmos a outros espaços expositivos. Até há bem pouco tempo tudo isso esteve acumulado em minha casa, mas não tenho espaço para isso, nem quero, e já nos foi destinado na Escola do Palheirinho, em Avintes, um pequeno espaço que vai funcionar como armazém do espólio, com as condições mínimas de acondicionamento das fotografias. E vamos tentando ser um bocadinho “chatos” no sentido de as pessoas perceberem que o iNstantes é uma mais valia para a nossa vila e que vale a pena apostar na abertura de um espaço um pouco maior onde o iNstantes possa proporcionar aos avintenses uma cultura fotográfica mais intensa e mais vincada ao longo de todo o ano, isto é, com mais exposições fora do âmbito do festival, com workshops fotográficos, com passagem de filmes sobre fotografia e fotógrafos, com o ensino da fotografia a crianças, que é uma forma de criar público e de criar o vício no sentido de, mais tarde, termos alguém que continue o iNstantes. Temos imensos projetos e não tem custos para a autarquia, é só uma questão de nos arranjarem um espaço o que não está a ser fácil, embora haja muitos espaços sem utilização. Porque em termos políticos, sinceramente, gosto de estar liberto dessas preocupações, nem sequer tenho muita paciência para esse tipo de jogos. Portanto, há um projeto definido e as pessoas, dentro do que fica definido em termos de orçamento e projeto, não tendo custos, acho que é uma pena e vendo tanta gente disponível para nos ajudar neste projeto, que é um projeto de partilha, coletivo, não faz sentido que não nos criem essas condições. Vamos ver o que acontece no futuro. Mas não é por aí que o iNstantes acaba. Fruto do trabalho que o iNstantes tem vindo a desenvolver ainda recentemente fomos convidados para uma plataforma ligada à fotografia para fazer umas coisas interessantes ao longo deste ano, que é o Fórum de Fotografia e Vídeo, que pretende dar um abanão na área da fotografia no Porto e, curiosamente, somos a única estrutura que não tem um espaço aberto ao longo do ano, todos os outros têm, alguns são profissionais, e convidaram-nos para fazer parte dessa estrutura. Outra curiosidade é que o iNstantes faz-se com menos de 3 mil euros em Avintes, com 25 exposições, e em fevereiro a vereadora dizia-me, quando lhe disse isto, que era um milagre. Eu não faço milagres, é um trabalho de paixão e de muita dedicação a este projeto. Porque se me fossem a pagar o tempo que dedico a este projeto acho que ninguém se metia nisto.

 

Sinto nas suas palavras que se sentiria mais recompensado, não financeiramente, mas pelo menos com mais força, se na inauguração aqui na Ribeira Grande estivesse o poder político de Gaia presente, dado que é um marco importante para o iNstantes. Sente-se abandonado na Ribeira Grande?
Não. O principal elemento do iNstantes estava cá, que sou eu, o presidente da Junta e o vogal da Junta já estiveram cá na Gala do AUDIÊNCIA e, com certeza, não estavam disponíveis para se deslocarem novamente.

 

Ou ainda não se aperceberam da dimensão do iNstantes?
O iNstantes tem vindo a traçar um caminho difícil, que é convencer as pessoas da mais valia que é o evento. E já fiz entender às pessoas que se o orçamento do iNstantes é de 3 mil euros gera uma receita muito superior ao que é investido.

 

Mas há coisas que não têm preço. Este evento foi anunciado pelo presidente da Câmara da Ribeira Grande aos órgãos da comunicação social inclusive, em Lisboa, na BTL.
Há, de facto, coisas que não têm preço. Temos até referências em jornais da Albânia porque o iNstantes não é exclusivamente um projeto fotográfico, procuramos agregar outras áreas da cultura e da arte, como a música, o teatro ou a poesia, e temos vindo a desenvolver projetos englobados na programação do festival mas que arrastam outro tipo de público.

 

Mas gostava que o município de Gaia e a Junta de Freguesia de Avintes encarassem a sério este projeto e tivessem o alento para ele atingir os objetivos que traçou na ideia original?
A cultura, como sabe, é a primeira coisa onde se corta quando se tem de cortar.

 

Mas Vila Nova de Gaia anseia ser a capital da cultura em Portugal…
Eu acredito que sim, mas, por exemplo, a Câmara de Gaia não disponibiliza um euro para o festival de fotografia, todo o investimento é suportado pela Junta de Freguesia. Não sei as razões, nem estou muito preocupado com elas, agora, o que sei é que, muitas vezes, o facto de haver um peso excessivo da parte política em eventos desta natureza a tendência é a durarem pouco. Podem durar, muitas vezes, um período de quatro anos, e perdem muito daquilo que é a ideia original. Eu lembro-me que a primeira vez que fui abordado por alguém da Câmara Municipal de Gaia, a primeira coisa que me propuseram foi a alteração do nome. Isso estava fora de questão, como estiveram fora de questão outros aspetos que me foram colocados. O festival nasceu em Avintes, que é uma terra pequenina, com a sua forma de estar, e é uma forma de divulgarmos a nossa terra sem interferência maior.

 

Mas não está a pedir nada, é um direito que tem.
Não, não peço nada. Não estamos muito interessados em que o orçamento cresça demasiado porque podemos ser tentados a criar algo que, de um momento para o outro, é-nos retirado esse suporte e aquilo que criamos cai e depois nunca mais o conseguimos levantar. E uma coisa que acontece no iNstantes é que não pagamos nada a ninguém. Os fotógrafos deslocam-se por conta e risco, os espetáculos são-nos oferecidos por artistas amigos ou ligados ao teatro, música e outras artes. Costumo dizer que o iNstantes vai durar enquanto os fotógrafos quiserem, não é enquanto o poder político quiser. Isto independentemente das cores partidárias que estejam no poder, isso preocupa-nos pouco. O iNstantes é um projeto cultural, não é um projeto político nem de ambição política, portanto vai durar enquanto os fotógrafos quiserem. Quando os fotógrafos não quiserem, não há poder político nenhum que o vá segurar porque não passa por aí. Mas claro que temos sempre muito interesse que o poder político esteja presente, tenha alguma intervenção, mas não uma intervenção ao ponto de criar restrições àquilo que é a ideia inicial do projeto.

 

Mas pelo menos apadrinhar uma inauguração, especialmente a 1800 quilómetros de Gaia…
Apadrinhar uma inauguração talvez… Eu acho que fazia sentido a presença do Dr. Cipriano Castro, do Dr. Domingos Oliveira, que estiveram cá antes na Gala. Mas o que eu gostava no fundo era que o poder político tivesse uma função neste projeto de proporcionar um espaço que nos permita crescer em termos culturais. Não estamos a pedir dinheiro, porque o que acontece é que o iNstantes já atingiu um ponto que Avintes não tem estruturas sequer para que ele cresça mais. Daí que acho que não vale a pena investir mais dinheiro que aquele que é investido hoje no projeto.

 

“…20 anos depois” esteve em exposição na Ribeira GrandeO Museu Municipal da Ribeira Grande recebeu a exposição de fotografia “…20 anos depois”, de Pereira Lopes, diretor do iNstantes durante o iN Ribeira Grande, uma extensão do festival avintense que decorreu até 15 de abril.

Nesta mostra, Pereira Lopes apresentou um olhar atento das emoções e lembranças de alguns dos antigos operários mineiros das minas de carvão do Pejão, retratadas 20 anos depois do encerramento das mesmas. As minas do Pejão começaram a funcionar em 1886 e fecharam a 31 de dezembro de 1994.

Pereira Lopes começou a fotografar, de forma sistemática, em 2005. Em 2008 foi convidado pelo Instituto Português de Fotografia para participar no livro “Olhares”. Editou o livro “…20 anos depois” e é co-autor do livro “20: retrato a cores”, tendo já exposto os seus trabalhos em Portugal, Espanha, França e Chipre.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com