As ligações inter-ilhas são um bem público de primeira necessidade, porque são um garante da livre circulação das pessoas e da igualdade de oportunidades. Logo, é um serviço imprescindível para haver liberdade.
Em primeiro lugar, o custo da operação da SATA Air Azores é suportável e tem retorno na economia. O que dá prejuízo é a Sata internacional. E, neste caso, os partidos da oposição também são responsáveis pela dívida da SATA porque defenderam sempre mais ingerência política na empresa e obrigaram-na a voar para algumas Gateways e outras rotas deficitárias. A Iniciativa Liberal é a escolha certa na defesa dos contribuintes.

Em segundo lugar, há outras formas do governo garantir um bem público.
A forma preferível, do nosso ponto de vista, é o mercado a funcionar em concorrência, para todas a ilhas, com a iniciativa privada a correr os riscos. Tal pode não ser possível, mas o passado já mostrou que o é na maioria das rotas:

A SATA começou por ser uma companhia privada e, nos anos 90, um outro grupo de empresários Açorianos fundou no Corvo a OceanAir/ Aerolink que tinha pelo menos um avião de 9-11 lugares e fazia táxi das Flores e do Corvo para as outras ilhas, concorrendo com a SATA já regionalizada. A rota do Corvo, com o avião de dimensão certa é economicamente viável. É um facto e contra factos não há argumentos. Foi o GR comprou mais tarde essa empresa e usou a sua licença para criar a SATA internacional. Ou seja, foram os políticos que criaram um monopólio público e deixaram à minha geração um governo gordo para sustentar.

A Iniciativa Liberal defende um modelo semi-liberalizado, nos transportes inter-ilhas, com a concessão apenas das rotas menos lucrativas, onde importa garantir o serviço público, pagando um rendimento garantido à companhia que as realizar. Ou seja, com a Iniciativa Liberal, haverá sempre um caderno de encargos de serviço público sempre que o mercado não funcionar. Não pode é ser um caderno de encargos feito à medida de uma empresa, com exigências de logística que afastam a concorrência, tal como o atual.
O interessante, neste modelo, é que podemos continuar a ter só uma empresa a operar na região, mas o mercado funciona como se fosse concorrencial, porque assim como a OceanAir apareceu no Corvo para substituir o voo militar mais caro, outra companhia pode aparecer de novo na Região com 1,2 ou até 6 aviões assim que os transportes forem liberalizados. Basta apresentarem um custo de transporte mais barato que a SATA, o que não é difícil.
E há hoje grandes companhias vocacionadas para este serviço que têm os Açores debaixo de olho, tais como a Binter Canárias, a SAS, as espanholas Air Nostrum e NAYSA, e a irlandesa City Jet. Além disso, a concorrência na indústria aeronáutica fez diminuir o custo dos aviões, o que torna mais fácil a aquisição de aeronaves.
A liberalização dos transportes tende a beneficiar as ilhas mais periféricas, tal como no passado beneficiou as Flores e o Corvo com novas rotas para além da do Faial, e a Ilha Terceira, em particular, porque uma gestão orientada para a eficiência e redução dos custos saberá aproveitar melhor a centralidade do aeroporto das Lajes do que uma gestão política. Ademais, a pressão da concorrência obriga a valorização de todas as rotas, a fim de evitar a sua ocupação por outros.
Em suma, nenhuma empresa deve estar protegida, porque quando assim é estamos a criar barreiras ao aparecimento de alternativas melhores, que pensamos não existir de momento. E mesmo aqueles que tenham um carinho especial pela SATA deviam votar liberal, porque responsabilizar a gestão de uma empresa através de uma concorrência mais justa é a melhor forma de a proteger.

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