ASSIM VAI A MADEIRA, A CAMINHO DA DESTRUIÇÃO DA BELEZA NATURAL

Os matutinos madeirenses tem-nos brindado ultimamente com reportagens preocupantes e sondagem ao povo madeirense que não lembra nem ao diabo.

          Segundo algumas sondagens e que a secretaria regional muito valoriza, apenas 6,5% dos madeirenses estão contra o turismo e é uma forma segundo os responsáveis políticos, que encoraja a pensar em encorajar ainda mais o turismo. Será que os madeirenses podem visitar a sua ilha, com esta massificação?

          Também segundo a mesma sondagem apenas 8% dos madeirenses tiveram de mudar os seus hábitos de vida. SÓOOOOOO?

           Senhores governantes…. 8% Significa cerca de 20 mil madeirenses e ainda dizem só? Penso e não devo estar muito longe da razão, 8% são os jovens que vão estudar para o continente e não regressam, outros 8% são os madeirenses que emigram e a maior parte dos madeirenses deixou de poder visitar as levadas, os picos e outras belezas naturais devido ao fluxo massivo de turismo e muitas vezes selvagem, para não falar nos madeirenses que deixaram de ter acesso a certos bens devido à inflação. O que para o governo é insignificante para o comum dos mortais madeirenses é alarmante.

          Bem estes números num país mais evoluído no mundo seriam suficientes para fazer um referendo, porque nesses países há democracia e os governantes ouvem o seu povo, aquele mesmo povo que paga impostos e como tal os salários de quem governa.

          O povo pode decidir o que é melhor para si na sua região, coisa que pelo nosso burgo nem se ouve falar, também não interessa, porque o governo está entregue a um grupo de pessoas duvidosas, que mesmo tendo sido eleitos pela população, muitas vezes sobre pressão, pouco ou nada se incomodam com a população a não ser mais uns campos de golfe para uma certa minoria e turistas de luxo.

          Mas o curioso é que as sondagem muito valorizadas pelas secretaria regionais, são as mesmas que os políticos dizem que valem o que valem e nem sempre são fidedignas, bem esqueci-me, isto é apenas em tempo de eleições e quando não agradam.

          Apenas 20 mil madeirenses tiveram de mudar os seus hábitos de vida, sim, APENAS?

           E alguns de que maneira, vieram viver para a rua, porque o custo de vida e as rendas são demasiado altas e não ganham o suficiente para, habitação, alimentação e saúde.

          Naqueles países que refiro, claro que também há sem abrigo, mas na verdade é outro tipo de sem abrigo, que nós por cá também temos. Naqueles países que refiro, também há criminalidade, mas não é a criminalidade de roubar para comer, para droga e álcool.

          Quantos madeirenses que pontualmente iam ao Pico do Areeiro, às Queimadas, ao Pico Ruivo etc. deixaram de ir porque é impossível?

          Quantos madeirenses que durante séculos, preservaram o Fanal e a laurissilva hoje, sentem dó com as imagens de destruição criminosa de muitos turistas, como autênticos símios subindo às árvores, algumas delas centenárias e algumas milenarias?

          Quantos madeirenses, que pontualmente iam jantar fora, deixaram de o poder fazer pelo aumento incrível do custo de vida, não lhes permite? Agora o almoçar ou jantar fora só se for no balcão, jardim ou pingo doce.

          Quantos madeirenses, deixaram de poder passar férias fora da madeira por incapacidade financeira?

          Estes números não interessam, o que interessa são apenas os 6,5% que estão contra o turismo, será mesmo assim?

          Mas que tipo de turismo? Este turismo desenfreado e sem qualidade? Este turismo selvagem que chega à Madeira e sentem que “quero, posso, mando e faço o que me apetece” e os nossos governantes são como os três macacos, “não vêm, não ouvem, nem falam”.

          Este turismo que monta as suas tendas de campismo em jardins públicos, nas serras e pernoita. Este turismo que em noites mais quentes banham-se nos chafariz e fontanários do centro do Funchal, esse turismo que se passeia de biquíni na cidade velha bem longe das zonas balneares sem qualquer respeito e pudor por aqueles que desfrutam das esplanadas?

          Onde anda a senhora secretária regional que apelidou os sem abrigo e os que vivem na pobreza, de alcoólicos e drogados, e estes delinquentes que montam a barraca em qualquer sitio o que são?

          Desde à muitos anos que considerava a Madeira a pequena Suíça, hoje que posso pensar? Mais ou menos a mesma coisa mas em vez de comparar à Suíça comparo a alguns países do norte de África, que também são destinos turísticos, sem prémios é certo, mas muito apetecíveis pelas agências de viagem embora também sem segurança, o que na Madeira também começa a ser habitual.

          Assim vai a minha querida pérola do Atlântico que eu tanto estimo, não sendo madeirense, mas pagando impostos na Madeira, e os madeirenses amam e sentem-se desprezados por quem nos governa.