Para assinalar os 11 anos de vida da Associação dos Emigrantes Açorianos foi feita, pela primeira vez, uma sessão conjunta com East Providence, nos EUA, onde foi inaugurada, na altura, uma exposição itinerante sobre a emigração dos açorianos para o outro lado do Atlântico.

 

 

O Teatro Ribeiragrandense acolheu, no passado mês de outubro, os festejos do 11º aniversário da Associação dos Emigrantes Açorianos. Além da comemoração, que foi feita em simultâneo com East Providence, através de vídeo chamada, foi também inaugurada uma exposição itinerante composta por oito painéis que, de forma cronológica, resumem a conexão histórica dos Açores com os EUA. A mostra esteve patente em East Providence até o final de novembro, seguindo depois para a Casa dos Açores de Nova Inglaterra.

Rui Faria, presidente da associação, fez questão de lembrar que estes são “11 anos dedicados a uma história de cerca de quase 500 anos, a história da emigração açoriana” e que esta exposição só foi possível através de parcerias.

“Todos os anos inauguramos algo nos Açores no nosso aniversário, mas penso que faz sentido, e tenho batalhado na ideia que os Açores não são nove ilhas, são mil ilhas açorianas, por isso, hoje vamos inaugurar uma exposição numa outra ilha açoriana chamada East Providence que, por acaso, é cidade irmã da Ribeira Grande e cujo Mayor é descendente de açorianos”, afirmou.

O presidente lembrou ainda os seus antecessores, que “mantiveram a chama acesa”, como Mário Moura, João Luís Pacheco e Luís Silva, com destaque para este último, “o grande mentor protagonista e agregador de vontades, para em 2010 concretizar o sonho de fazer nascer uma entidade independente e que pudesse representar os emigrantes açorianos”. Rui Faria aproveitou ainda o momento para alertar as entidades regionais, municipais e de freguesia para que continuem a apoiar as associações como até agora.

“Esta associação a que presido tem tido a sorte de encontrar dirigentes capazes e sensíveis à nossa causa, e têm sempre ajudado, dentro das suas possibilidades, para prosseguirmos com os nossos objetivos. As migrações são um tema fulcral nesta região que não é rica, tem carências demográficas mas tem uma histórica forma de receber estrangeiros como poucos. Mas também tem um potencial enorme para com as gerações de emigrantes e seus descendentes. E se perdermos esta ponte na próxima geração com os filhos e netos dos nossos emigrantes então os Açores estão condenados a ser apenas um arquipélago de nove ilhas. E este tem de ser o futuro, perceber que as maiores cidades açorianas não estão nos Açores. Existem mais açorianos em Toronto ou Fall River, por exemplo, do que em qualquer outra cidade açoriana”, afirmou o presidente.

Rui Faria apelou ainda para que os municípios açorianos repensem nas estratégias para voltarem a olhar para as suas cidades irmãs como algo estratégico a médio prazo, reforçando que as passagens a 60 euros para residentes são fundamentais, bem como diminuir os prazos de resposta para os emigrantes quando querem investir. “Se não fosse a nossa insistência a maioria desistiria dos investimentos”, rematou.

A isto, respondeu Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, que aproveitou para anunciar a retoma da cooperação externa do município através dos protocolos com as cidades irmãs. “Será criado um serviço interno na autarquia que irá tratar das relações com o exterior. Para o efeito, contaremos com a colaboração da associação dos emigrantes açorianos, sediada no concelho”, acrescentou Alexandre Gaudêncio.

Para o autarca, o reforço das relações internacionais é fundamental para divulgar o concelho e apostar na vinda de mais turistas à Ribeira Grande, com particular ênfase para o mercado da saudade. “O tema da emigração no concelho ribeiragrandense assume particular relevância, não só por estar sediada a associação dos emigrantes açorianos, mas também por possuir o único museu da emigração do país, bem como a praça do emigrante”.

Presente na cerimónia esteve também Pedro Nascimento Cabral, presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, que elogiou o trabalho desenvolvido pela Associação e destacou a importância de manter vivas as ligações com a diáspora. “Temos muito orgulho na nossa diáspora. Queremos e precisamos de manter esta relação com a nossa diáspora e há muitas formas de o fazer, seja através de fortalecer os nossos laços culturais, religiosos, por exemplo, Ponta Delgada tem as duas grandes festas o Senhor Santo Cristo dos Milagres e as grandes festas do Divino Espírito Santo, que trazem milhares de emigrantes a Ponta Delgada. E este reencontro que fazemos anualmente com os nossos irmãos emigrantes, fazem de nós um povo maior. Temos muita oportunidade de cooperarmos, até em intercambio económico, precisamos da vossa ajuda para desenvolvermos a nossa ilha”, referiu.

Também José Andrade, diretor regional das Comunidades Açorianas felicitou a Associação pelo aniversário e saudou os “dois amigos” que inauguraram a exposição comemorativa Açorianos nos EUA, Robert da Silva João Luís Pacheco. “Estamos a fazer história ao realizar uma sessão conjunta entre duas cidades irmãs, aqui está como as novas tecnologias vencem a distância que o mar separa, quando a vontade é comum e quando o coração é transatlântico. Sou sócio há quase 10 anos, embora com atividade suspensa. Sempre acreditei que faz todo o sentido ter nos Açores uma associação destas, porque somos e sempre fomos uma terra de emigrantes”, acrescentou.

Já do outro lado do Atlântico, João Luís Pacheco, através de vídeo chamada, relembrou os inícios da Associação, ressalvando “a teimosia e persistência de Luís Silva, emigrante do Canadá, para o início da mesma, bem como a colaboração da Câmara Municipal da Ribeira Grande.

“Estamos todos de parabéns com as iniciativas do jovem presidente, seja com a Praça do Emigrante, com eventos culturais, musicais, lançamentos de livros, e esta Exposição itinerante dos açorianos nos Estados Unidos”, referiu.

Por fim, também Robert Silva, Mayor de East Providence, elogiou o facto de se poder fazer estas coisas com pessoas do outro lado do oceano e lembrou que nunca se esquecem as origens. “Não estaria aqui se não fosse pelos meus pais, que tomaram a decisão, há muitos anos de cruzar um oceano para começar uma vida nova num sítio onde não conheciam a língua, onde não sabiam que trabalhos iriam encontrar, mas já tinham cá família e graças a eles tive a oportunidade de nascer neste país, e aprender sobre este país, e ser uma parte desta comunidade. Mas mesmo assim eles mantiveram dentro de mim o amor pela comunidade portuguesa, criaram-me com os valores que eles foram criados, e estou orgulhoso de ser luso-americano e açoriano”, concluiu.