Candidato independente à autarquia matosinhense, António Parada assume que se sente “um homem livre”, sem qualquer pressão da “político-dependência”, depois de se ter desfiliado do Partido Socialista, este ano.

Esta é a segunda vez que o antigo presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos se candidata ao cargo de presidente da Câmara e em entrevista ao AUDIÊNCIA assume que o seu movimento independente, o “SIM”, é o “fator novo destas eleições” e que tem já vários projetos em mente, nomeadamente na área do turismo e do emprego, para implementar caso vença no próximo dia 1 de outubro.

 

 

Em 2013 candidatou-se à autarquia de Matosinhos pelo PS. Este ano, desfiliou-se do partido e candidata-se agora como independente. Porquê?
Fui militante do PS muitos e muitos anos. É a área política com a qual me identifico e senti-me bem ali durante todo esse tempo. Em 2013 tive a oportunidade de, num espírito de missão, encabeçar uma lista do PS à presidência da Câmara de Matosinhos. Um combate político que face às circunstâncias da altura não se adivinhava fácil, mas eu não sou de fugir às minhas responsabilidades. A escolha dos matosinhenses, que naturalmente respeito, foi outra, mas nunca deixei de estar umbilicalmente ligado à terra onde nasci e vivo. Agora, em 2017, um movimento de notáveis cidadãos do meu concelho lançou-me o desafio para encabeçar uma candidatura independente. Senti de perto a força da cidadania, a força de ser um homem livre para constituir listas, sem a pressão da politico-dependência. Abracei com todo o gosto e convicção este projeto em que acredito e que cresce de dia para dia.

 

O que o motiva a candidatar-se, mais uma vez, à Câmara de Matosinhos?
O amor a esta terra onde nasceram os meus pais, nasci eu e nasceram os meus filhos. A certeza de que consegui reunir uma grande equipa, com pessoas das mais diversas áreas da sociedade civil, todas elas desprendidas dos partidos, um movimento genuíno de cidadania que pode oferecer um projeto alternativo, de cidadãos para cidadãos. Se não tivesse a forte de convicção que posso servir o meu concelho, deixava-me estar na minha vida profissional, mas acho que eu e a minha equipa temos condições para iniciar um novo ciclo político e de desenvolvimento em Matosinhos.

 

Acha que o facto de ter sido presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos lhe dá outra segurança e conhecimento para ocupar o cargo de presidente da Câmara?
Adorei ser presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos. Digamos que é a verdadeira política de proximidade. O primeiro responsável a quem as pessoas recorrem quando querem resolver as suas questões. Foi uma experiência que me engrandeceu enquanto cidadão e enquanto político. Por isso, tentei ser muito criterioso na escolha dos cabeças-de-lista às Juntas de Freguesia. E conseguimos reunir nomes que dão garantias, numa mescla de gente experiente e jovens que têm espírito de servir.

 

E acha que esse facto também pode ajudar os eleitores na decisão a 1 de outubro?
Acredito que sim. Os resultados que obtive nas eleições para as Juntas de Freguesia, com duas maiorias esmagadoras, mostram que as pessoas gostaram do meu desempenho enquanto presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos.

 

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“Matosinhos tem de ser um referencial de desenvolvimento deste noroeste peninsular”

Como vê o concelho atualmente?
Um concelho que estagnou. Um concelho cheio de potencialidades, que tem de se afirmar como um polo de desenvolvimento da nossa região. Um concelho que necessita de reassumir o protagonismo que já teve, do ponto de vista económico, social, cultural e até político. Com uma atenção muito especial aos idosos, porque a maneira como tratamos os idosos define uma comunidade. Matosinhos tem uma população com um carácter muito forte e isso é um dos seus maiores ativos, mas possui um conjunto de recursos naturais que tornam o concelho muito apetecível e que podem alavancar o crescimento desta terra.

 

Quais são, a seu ver, os principais problemas de Matosinhos?
A falta de uma visão estratégica e de ambição para colocar o concelho no lugar que merece. Matosinhos tem de ser um referencial de desenvolvimento deste noroeste peninsular.

 

Quais as suas principais propostas e ideias para o concelho caso vença as eleições?
Tenho três grandes prioridades: ação social; emprego e formação; turismo e cultura.

 

Que medidas seriam as primeiras a ser implementadas caso vença as eleições?
Na área da ação social vamos criar um fundo de emergência social para combater a pobreza escondida. No campo do emprego criaremos condições atrativas para que as empresas se instalem no nosso concelho, para não assistirmos ao êxodo de jovens do nosso concelho. Naquilo que é responsabilidade direta da Câmara, como o pessoal auxiliar em escolas, faremos de imediato um concurso para que estas deixem ser precárias do Centro de Emprego e sejam admitidas através de concurso público. No campo da cultura quero transformar este concelho na capital da street art, apostar nas indústrias criativas e criar o museu do mar. O turismo, como se sabe, é uma grande fonte de rendimento do país e essa atividade económica tem passado ao largo de Matosinhos. Os turistas atracam num terminal que orgulha os matosinhenses, mas entram imediatamente em autocarros para ir para o Porto, não deixando cá praticamente receitas. Criaremos, igualmente, uma escola de hotelaria, potenciando a nossa gastronomia de excelência, que tem de ser acompanhada de um serviço de igual excelência.

 

O que pode prometer aos eleitores neste momento?
Um projeto alternativo e dinâmico. Uma equipa competente, livre de qualquer pressão ou interesse político-partidário. Muito trabalho e ambição para transformar este concelho.

 

Em 2013, teve o apoio de Narciso Miranda. Agora, concorre contra ele nestas eleições. Como vê essa situação? Não havia possibilidade de uma aliança?
Não concorro contra ninguém, concorro pelos matosinhenses. No processo democrático todas as candidaturas que venham ajudar a repensar Matosinhos são bem-vindas e os matosinhenses avaliarão.

 

Acha que o facto de haver tantos candidatos pode prejudicá-lo? Como vê os seus adversários políticos?
Estou muito centrado naquilo que nós podemos fazer. O «SIM», que é o mote desta candidatura, diz tudo. Não há vocábulo mais positivo. Agora, já ouvimos a candidatura de Luísa Salgueiro dizer que é de continuidade, pelo que está tudo dito. Narciso Miranda teve o seu tempo, o PSD parece pouco confortável com o candidato que escolheu, apesar de me merecer todo o respeito, e mais à esquerda também não há nada de novo. O movimento que encabeço é o fator novo nesta eleição de Matosinhos.

 

Como vê o atual momento do PS/Porto?
Eu não gosto, como se costuma dizer, de cuspir no prato onde comi. Todavia, é fácil de perceber que se me desfiliei não me identifico com as pessoas que neste momento dirigem o partido a nível distrital. Matosinhos é só um caso entre outros concelhos onde a forma de fazer política é, no mínimo, de uma falta de habilidade gritante. Mas esse já não é um problema meu.

 

A relação com o partido não tem volta?
A decisão está tomada.

 

Que mensagem gostaria de deixar aos eleitores matosinhenses?
Que tenham a mesma ambição que eu tenho. Que se mobilizem para connosco colocar Matosinhos no lugar que é seu no contexto regional e nacional. Que «SIM».