O Solar dos Condes de Resende acolheu o 23º Grande Capítulo Anual da Confraria Queirosiana, uma cerimónia que reuniu confrades de Portugal e do Brasil, promoveu a entronização de novos membros em diferentes graus, assinalou a inauguração de um novo núcleo documental e reforçou o papel da instituição na divulgação da obra de Eça de Queirós e da cultura portuguesa.
O Solar dos Condes de Resende foi, uma vez mais, o palco do 23º Grande Capítulo Anual da Associação Cultural Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, um dos momentos mais relevantes da vida da instituição. A celebração teve início com a inauguração do Núcleo Documental J. Rentes de Carvalho, iniciativa que reforçou a missão da Confraria, na preservação e valorização da memória literária, antecedendo o tradicional cortejo dos confrades até ao salão nobre.
A sessão contou com a presença de Alberto Santos, secretário de Estado da Cultura, Paulo Ferreira do Amaral, em representação de Luís Filipe Menezes, presidente da Câmara Municipal de Gaia, Ana Luísa Ferreira, presidente da Junta de Freguesia de Canelas, Paulo Rodrigues, presidente da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, bem como uma delegação da Academia Alagoana de Letras, do Brasil, e representantes de diversas entidades civis.
Ao longo do certame, os presentes foram agraciados com vários momentos musicais protagonizados pelo grupo Eça Bem Dito, que contribuíram para a solenidade e dimensão cultural do encontro. Um dos pontos altos foi a apresentação do Nº 22 da Revista de Portugal, conduzida por Luís Manuel Araújo, diretor da publicação, que há mais de duas décadas se afirma como referência no estudo e na divulgação da obra de Eça de Queirós.
Gonçalves Guimarães, presidente da Confraria Queirosiana, sublinhou, em exclusivo ao AUDIÊNCIA, o significado simbólico e agregador do Grande Capítulo. “É a festa anual, é uma forma de juntar os nossos confrades de Portugal e do Brasil. Apesar de estar sediada em Vila Nova de Gaia, a Confraria Queirosiana tem sócios em todo o país e no estrangeiro”, afirmou o responsável, reforçando ainda que “a ideia é divulgar Eça de Queirós e a cultura portuguesa em todo o mundo”, lembrando que o escritor “era um homem cosmopolita, um homem do mundo”.
Um dos momentos centrais da cerimónia foi a entronização de novos confrades, formalizando a entrada de personalidades que passaram a integrar a Confraria Queirosiana em diferentes graus. No grau de Leitora foram entronizadas Ângela Merícia Moreira, Dandara Correia de Lima e Nádia Oliveira. No grau de Louvado passaram a integrar a Confraria João Bernardo Campos, Manuel Gonçalves Morim e Francisco de Assis. Já no grau de Mecenas, foram entronizados Manuela Garrido, Mário Duarte e Alberto Santos.
O balanço da atividade anual foi apresentado por José Manuel Tedim, presidente da Mesa da Assembleia Geral, que recordou as principais iniciativas desenvolvidas ao longo de 2025. O dirigente destacou ainda que, no ano em que se assinalam os 200 anos do nascimento de Camilo Castelo Branco, a Confraria Queirosiana está a promover diversas atividades dedicadas ao escritor, “que se prolongarão pelo ano de 2026”.
Em representação da Câmara Municipal de Gaia, Paulo Ferreira do Amaral destacou a importância estratégica da cultura para o concelho. “Não é por acaso que o senhor presidente assumiu o pelouro da Cultura. Isso resulta da importância que a cultura no concelho de Vila Nova de Gaia assume para este mandato”, afiançou, referindo ainda a intenção de uma reabilitação profunda do Solar dos Condes de Resende. Segundo o adjunto do vice-presidente da autarquia gaiense, essa intervenção terá um impacto direto no futuro da Confraria Queirosiana, cuja relevância cultural “será certamente reforçada nos próximos anos”.
A dimensão internacional do encontro foi reforçada pela intervenção de Alberto Rostand Lanverly, presidente da Academia Alagoana de Letras, que salientou a parceria com a Confraria Queirosiana, asseverando que “a literatura é um elo muito forte” e acrescentando que a cooperação entre as duas instituições, construída ao longo de vários anos, se traduz numa verdadeira irmandade cultural assente no respeito mútuo. Para o académico brasileiro, “a cultura encanta corações, ilumina mentes, mas acima de tudo desenvolve de forma completa uma forma de saber”.
No discurso de encerramento, já como Confrade Mecenas, o secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, afirmou ser para si “uma sincera honra e profunda emoção” receber a distinção. “Esta Confraria, fundada há mais de duas décadas para difundir e consolidar o renome mundial de Eça de Queirós, é hoje uma referência incontornável no panorama cultural português”, sublinhou o governante, destacando o papel da Confraria enquanto “comunidade de leitores disciplinados e estudiosos”.
Defendendo a atualidade da obra queirosiana, Alberto Santos enalteceu que “ler e cultivar Eça de Queirós continua a ser, hoje, um ato de leitura da contemporaneidade” e que assumir o título de Confrade Mecenas é “estar ao lado de quem estuda, publica, organiza encontros e mantém o Solar dos Condes de Resende vivo como casa de cultura e de memória”. Durante o seu discurso, o governante comprometeu-se ainda a levar Eça “mais longe, às escolas, às comunidades, às novas plataformas e aos leitores do futuro”.
O 23º Grande Capítulo Anual encerrou, assim, com uma forte afirmação do papel da Confraria Queirosiana, enquanto espaço de encontro, cidadania cultural e projeção internacional da literatura portuguesa, reforçando laços entre Portugal e o Brasil e renovando o legado de Eça de Queirós para as gerações futuras.


