O Crédito Agrícola dos Açores promoveu um seminário sobre negócios sustentáveis para alertar para a necessidade de as empresas apostarem e se preocuparem com as questões ambientais o mais rapidamente possível, aderindo e cumprindo as metas da Cartilha de Sustentabilidade.

 

 

 

Decorreu, no passado dia 15 de outubro, no Auditório Francisco Macedo, na Sede da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo dos Açores, em Ponta Delgada, um seminário com o intuito de enfatizar a importância de todas as organizações adaptarem os seus modelos de negócio aos princípios da sustentabilidade.

Esta iniciativa insere-se no âmbito da subscrição pelo Crédito Agrícola dos Açores da Cartilha de Sustentabilidade, que desde 2020 lançou uma nova política de sustentabilidade com o objetivo de contribuir para a preservação dos ecossistemas, a redução na produção de resíduos, a redução dos impactos das alterações climáticas e o combate às desigualdades sociais.

Tendo como objetivo valorizar esta temática a nível regional, mas também criar metas nomeadamente objetivos de desenvolvimento sustentável a serem alcançados pelo Crédito Agrícola dos Açores, contribuindo assim para a Agenda 2030, a iniciativa contou com a participação de vários oradores e uma mesa redonda subordinada ao tema “A Importância da Sustentabilidade nas Organizações” e onde se abordou as dificuldades e benefícios de aderir à Cartilha de Sustentabilidade em vários setores. A mesa redonda contou com a participação de Hernâni Costa em representação do Instituto Regional de Ordenamento Agrário, de Jorge Rita em representação da Cooperativa União Agrícola, de Luís Dâmaso em representação da TANTO – Promoção e Gestão Imobiliária, de Vasco Garcia em representação da TETRAPI – Centro de Atividades Educacionais e de Mário Fortuna em representação da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada.

Todos defenderam a necessidade de criar políticas de sustentabilidade e de as cumprir quando necessário, até porque a União Europeia o impõe para os Fundos Comunitários, mas destacaram a dificuldade de atingir as metas tão rapidamente quanto desejável. Contudo, os oradores concordaram também que os Açores já são reconhecidos pela sua sustentabilidade e que, dentro de alguns anos, a situação será ainda mais notória.

Sofia Santos, Sustainability Champion in Chief da Systemic e consultora no Crédito Agrícola para os temas da Sustentabilidade, falou sobre “A Evolução da Cartilha de Sustentabilidade dos Açores”, explicando o porquê da importância do tema da sustentabilidade e a importância de as empresas começarem a reportar informação ambiental e social numa altura em que os cientistas alertam para a necessidade de travar o aquecimento global.

 

“Quando falamos de sustentabilidade, estamos a falar de uma coisa muito simples, porque as nossas decisões hoje, na vida profissional e pessoal, não ponham em causa a qualidade de vida das gerações futuras. É uma questão de bom senso. No entanto, no dia a dia, as nossas decisões empresariais e pessoais são muito focadas no curto prazo, são focadas naquilo que nós queremos, no que gostamos, por isso o desenvolvimento sustentável tem sido difícil de alcançar”, referiu.

Já Joana Borges Coutinho, da SustainAzores, entidade responsável pela dinamização da Cartilha nos Açores, implementada pelo Governo Regional em 2017, Ano Internacional para o Turismo Sustentável, que tornou os Açores o primeiro arquipélago sustentável certificado, em 2019, abordou o tema num contexto mais local, explicando a importância que esta Cartilha de Sustentabilidade tem para o desenvolvimento sustentável da região. Joana Borges explicou ainda todo o funcionamento da Cartilha e os objetivos a que as empresas que subscrevem estão indicadas a cumprir.

“Estamos a ser um case study, acho que é um motivo de orgulho para todos nós, percebermos que enquanto região nos estamos a posicionar, muito firmemente, neste quadrante e a dar uma mensagem clara de que não há destinos nem negócios sustentáveis, todos têm impacto, o que importa é estarmos conscientes e a percorrer um caminho que nos leva a um fim pré-definido”, afirmou, acrescentando que são já 170 subscritores e mais de 600 compromissos, números que acredita duplicarão em um ano.

Para 2022 e para a frente, Joana Borges admite que a visão é que “continuemos a cumprir, cada vez mais, o valor do ativo da paisagem dos Açores, é o nosso maior ativo”. “Que este capital natural único é fundamental preservar, sem ele não há empresas, não há futuro”.

No final da iniciativa, o presidente do conselho de administração do Crédito Agrícola Açores, António Gomes de Sousa agradeceu a presença de todos para debater “um dos temas mais importantes da agenda internacional e nacional”.

“Somos cada vez mais organizações e pessoas empenhadas em fazer a diferença e a repensar os modelos económicos de forma a que possamos, de forma natural, incluir a preocupação com os temas sociais, ambientais e éticos nas nossas decisões diárias como pessoas e como profissionais. Gostaria que saíssemos daqui com estes números memorizados: 46 anos, 22 dias e um minuto. O planeta Terra onde vivemos tem 4,6 mil milhões de anos, se colocarmos esse número à escola de 46 anos, então, a raça humana existe há apenas 22 dias e a revolução industrial começou há apenas 1 minuto. Nesse ínfimo 1 minuto, conseguimos destruir 50% das florestas a nível mundial e estamos a destabilizar o nosso sistema terrestre que demorou milhões de anos a ser criado e que até agora nos deu todas as condições necessárias para existirmos e prosperarmos”, afirmou o presidente.

António Gomes de Sousa lembrou ainda que “o mundo de amanhã é definido pelos investimentos que fazemos hoje” e que existe uma necessidade “de mudar o modelo económico regente para um que respeite os limites do planeta e os equilíbrios necessários do sistema terreste”.

“Mais de 50% da economia mundial depende, direta ou indiretamente, de recursos naturais, portanto, por quanto tempo achamos que poderemos usar e abusar dos recursos e condições do planeta e dos seus ecossistemas até entrarmos num ponto de rutura? É por isso que o Crédito Agrícola assumiu publicamente o seu compromisso para com a sustentabilidade. A nossa ambição é tornarmo-nos reconhecidos no mercado nacional como grupo financeiro de referência na sustentabilidade, e gostávamos de ser reconhecidos pelos nossos clientes e empresas como parceiros de aspirações e de negócios”, referiu.