Nesta minha primeira crónica gostaria, em primeiro lugar, de agradecer ao Jornal Audiência, e ao seu diretor, a oportunidade para poder escrever neste jornal de referência no Grande Porto e poder, de alguma forma, fazer parte do mesmo.

Portugal atravessa, ainda neste momento, tempos conturbados e de muitas incertezas. Obviamente que a questão da pandemia e da 5ª vaga, que estamos atravessar, nos leva a enfrentar as próximas semanas com alguma ansiedade e cuidado. Felizmente os números atuais são bastante mais animadores, no que se refere a doentes internados e ao número de mortos, mas sabemos já todos que o aumento de casos trará obviamente o aumento dos outros números. O processo de vacinação correu excecionalmente bem, fruto da boa organização e do empenho de todos os envolvidos ajudando, também, o histórico que Portugal e os Portugueses têm relativamente à vacinação em si. Portugal é tradicionalmente um dos países que mais vacina e no qual a sua população melhor aceita administração das vacinas. Foi importante, para todos, este nosso bom hábito e a forma como, em massa, os Portugueses se vacinaram.

Precisamos, assim, de enfrentar as próximas semanas com confiança, com segurança, mas acima de tudo com cuidados redobrados e boas práticas, para salvarmos o máximo possível de vidas humanas e evitarmos os casos de doenças graves que a doença pode trazer. Tudo está nas nossas mãos e a fórmula do sucesso é muito simples: confiança, segurança e cuidados básicos.

Mas não é apenas devido à pandemia que Portugal está neste momento atravessar um período de incerteza, pois estamos a poucos dias de uma dissolução, já anunciada, da Assembleia da República, por parte do Presidente da República, devido ao chumbo do Orçamento de Estado para 2022.

Num momento em que Portugal se prepara para “sair” da crise pandémica e avançar para a tão esperada recuperação e para a implementação do Plano de Resiliência e Recuperação, entramos numa crise política e num impasse político, mas acima de tudo económico.

Sabemos que a economia neste momento não pode esperar por um novo Governo e pelas novas políticas económicas de desenvolvimento, porque num momento em que é preciso implementar um novo arranque, digamos um recomeço, este stand by apenas irá atrasar e prejudicar todo o processo.

O “calculismo político/partidário” faz parte da atividade normal da política e deve ser visto e enquadrado nessa normalidade, mas o interesse nacional também deve ser considerado e, digamos, sempre em primeiro lugar.

E chamo à conversa este interesse nacional, porque está bem definido na cabeça de todos que nada do que se passou, e digamos do próprio chumbo do Orçamento de Estado, foi matéria do foro orçamental. O Orçamento de Estado que foi apresentado era, sem qualquer dúvida, um orçamento de resposta a muitas das pretensões sociais que estão na primeira linha, como por exemplo o aumento do salário mínimo nacional ou o aumento de verbas disponíveis para as Autarquias Locais. Não respondia a todas as pretensões, obviamente que não e certamente que não seria possível.

O que teremos então nas próximas eleições será, por um lado, a avaliação da prestação do Governo nestes 6 anos e, por outro, a avaliação da prestação da oposição neste processo de chumbo do Orçamento de Estado e na provocação de eleições antecipadas.

Certamente que os Portugueses farão esta avaliação e, em consciência, tomarão a melhor decisão, mostrando que temos já uma democracia estável e madura e que em democracia, as crises resolvem-se com eleições e com a decisão popular.