DIA MUNDIAL DA CONSCIENCIALIZAÇÃO SOBRE O LINFOMA

No dia 15 de setembro assinala-se o Dia Mundial para a Consciencialização sobre o Linfoma. Este é um momento importante para divulgar a doença junto da população e estimular a discussão sobre o tema, dado que o atraso no diagnóstico e referenciação podem piorar o prognóstico e reduzir a qualidade de vida dos doentes.

  Os Linfomas são cancros com origem nos linfócitos, células do sistema imunitário. Estima-se que em Portugal, sejam diagnosticadas com linfoma cerca de 1700 pessoas por ano, segundo dados da Direção Geral de Saúde.

 A incidência e prevalência têm aumentado nos últimos anos, com os Linfomas Não-Hodgkin a representarem o sétimo cancro mais incidente em Portugal, com 2239 novos casos diagnosticados em 2021.

Existem mais de 50 tipos de linfomas, sendo que alguns subtipos são considerados agressivos e o seu diagnóstico deve ser célere, contribuindo para um rápido inicio de tratamento. Os sinais e sintomas podem ser discretos ou pouco valorizados, pelo que é imperativo consciencializar a população para os identificarem e recorrerem ao seu médico de família. Os sintomas sugestivos podem incluir o aumento do volume dos gânglios do pescoço, axilas ou virilhas que dure mais de 2 semanas, sudorese nocturna ou febre, assim como a perda de peso considerável sem haver um motivo evidente.

Perante a suspeita clínica, o médico de família solicita exames imagiológicos para avaliação do tamanho dos gânglios e, caso sejam suspeitos, encaminha o doente para um Serviço de Hematologia Clínica devidamente capacitado ou para uma consulta de medicina interna para prossecução da marcha diagnóstica. O diagnóstico de linfoma exige, na maioria dos casos, a biópsia de gânglio ou de um órgão afetado. A celeridade deste processo pode variar de acordo com o acesso a médico de família, assim como pela disponibilidade de especialidades envolvidas no diagnóstico em cada centro hospitalar. Deste modo, a distribuição regional de recursos deve ser objeto de reflexão e melhoria constante pelas entidades responsáveis.

Alguns tipos de linfoma são raros, como os linfomas de células T sistémicos ou os linfomas primários cutâneos, devendo o seu tratamento ser realizado por equipas multidisciplinares com experiência na área. A organização de redes de referenciação e divulgação destas equipas pode contribuir para o aumento da sobrevivência e qualidade de vida destes doentes.

O tratamento evoluiu significativamente nos últimos anos, traduzindo-se num aumento da sobrevivência global e da sobrevivência livre de doença na maioria dos tipos de linfoma. Esta evolução foi acompanhada de redução da toxicidade, uma vez que atualmente utilizamos tratamentos dirigidos aos linfócitos ou mesmo às células do linfoma, reduzindo a lesão noutros órgãos. No entanto, o atraso do diagnóstico poderá conduzir a um agravamento do estado geral do doente que se traduz frequentemente em menor capacidade de tolerar os tratamentos e consequentemente na sua eficácia.

Atualmente, o tratamento da maioria dos tipos de linfoma é realizado em ambulatório, ou seja, sem internamento. Há tratamentos que exigem um cuidador dedicado presente 24 horas por dia no período inicial. Portanto, cada vez mais o suporte familiar é relevante e, caso não exista, o apoio de associações de voluntários dedicados pode ser fundamental. Garantir este suporte sem prejudicar os cuidadores será um dos desafios do futuro no tratamento das doenças oncológicas.

 

Ana Luísa Martins

Médica especialista em Hematologia com dedicação à área dos Linfomas

ULS São José, Hospital de Santo António dos Capuchos