A extensão do desafio “policiário” que constitui o sexto problema do torneio de decifração “Solução à Vista!” (e do concurso de produção “Mãos à Escrita!”, que decorre em simultâneo), leva-nos a dividi-lo por duas edições do AUDIÊNCIA GP (21 e 28 de maio), publicando hoje a sua primeira parte, alargando-se também o prazo de envio de propostas de solução até ao último dia do próximo mês de junho. Entretanto, recordamos os nossos confrades que se realiza no dia 31 de maio o grande convívio nacional da Tertúlia Policiária da Liberdade, que decorre no restaurante Taverna dos Trovadores, em São Pedro de Sintra (praça D. Fernando II, nº 8), a partir das 12h30, podendo os interessados fazer a sua inscrição através do email [email protected] ou do telemóvel 917340400, onde se prestará também os esclarecimentos julgados necessários.
A ementa do repasto é já conhecida, destacando-se as excelentes entradas (onde sobressaem queijos regionais e enchidos variados), os apetitosos pratos de carne (arroz de pato à portuguesa e salada) ou peixe (bacalhau do campo – com legumes – gratinado no forno) e as deliciosas sobremesas (pudim flan, farófias, Mousse chocolate, cheesecake frutos vermelhos e fruta variada), sem esquecer o acompanhamento das respetivas bebidas (águas, refrigerantes, cerveja, sangria, vinho e café). Tudo por 27,50 euros. Quanto ao programa do evento, o destaque vai naturalmente para a entrega dos prémios conquistados no Torneio do Cinquentenário de “Mistério… Policiário” da revista Mundo de Aventuras (1975-2025), nas vertentes da decifração e produção, estando ainda prevista a entrega dos prémios relativos ao “Torneio de Verão-Nove” e ao Problema Desenhado a Prémio do Convívio de 2025, para além da já tradicional homenagem da TPL a um policiarista recentemente desaparecido. Mas não se ficam por aqui as surpresas!…
Entre as surpresas (e pronto, agora já não será surpresa”…), salienta-se a realização de dois passatempos, “a dois tempos”, propostos pelo confrade Virmancaroli, compostos por desafios originais de géneros que começam a fazer furor entre a “tribo policiária”: Um Policiário clássico em Banda Desenhada (“A Misteriosa Morte do Professor”) e Um Desafio MURDOKU (Sudoku policiário) para iniciados (“O Assassinato de Rosa”). Num primeiro tempo, estes desafios serão apresentados aos convivas, que poderão, se assim o entenderem, apresentar as respetivas propostas de solução durante o convívio. E num segundo tempo, os desafios serão publicados nos diversos blogues policiários ativos e nas páginas do jornal AUDIÊNCIA GP, com prazo de resposta até meados de julho, a enviar através do email acima, do orientador da secção O Desafio dos Enigmas.
Torneio de Decifração “Solução à Vista!” – 2026
Problema nº 6
Acidente Misterioso, de Rigor Mortis
I – Parte
O inspetor Tiago Rodrigues sentou-se confortavelmente na sua poltrona favorita e cruzou as pernas, mirando a sobrinha, Júlia, sentada à sua frente. Como sempre, Júlia tinha-se mostrado imensamente interessada na descrição que o tio lhe tinha feito do seu último caso, a morte de um homem para os lados de Estremoz. Esse homem, Custódio Ramires de seu nome, abastado industrial da construção civil, tinha acumulado uma considerável fortuna adquirindo habitações devolutas, recuperando-as cuidadosamente e vendendo-as a seguir. Viúvo há mais de uma década, vivia numa casa nos arredores de Estremoz, próximo de uma das várias pedreiras de mármore da região, com duas filhas na casa dos vintes, Rita e Amélia, uma espécie de “mordomo de família” – Frederico, filho de famílias pobres, que o acompanhava há décadas, desde que ambos tinham servido no Exército, na guerra colonial, onde cada um tinha salvo várias vezes a vida ao outro – e uma cozinheira que trabalhava todo o dia lá em casa, mas de facto habitava na sua própria casa, na vila vizinha.
– Apesar dos seus setenta e tal anos, o Custódio tinha boa saúde e mantinha uma vida bem ativa – disse o inspetor. No dia em que veio a morrer, tinha saído sozinho de casa a conduzir o seu carro, um Volvo com uns anos, mas em excelente estado, logo de manhã cedo, para se dirigir a Coimbra, onde iria observar as obras que estava a fazer para recuperação de uma enorme vivenda nos arredores. Foi nessa viagem, a poucos quilómetros de casa, que teve o acidente fatal. Por razões que se desconhecem, de facto, perdeu o controlo da viatura quando seguia por uma estrada mesmo ao lado de uma grande pedreira de mármore. O carro galgou o frágil muro que delimita a estrada e precipitou-se pela pedreira abaixo, acabando totalmente destruído.
– Mas não ia em excesso de velocidade, pois não? – perguntou a Júlia.
– Nada na estrada dava a entender que pudesse ir a grande velocidade. E não havia quaisquer marcas de travagem ou de derrapagem. Foi como se o condutor o tivesse dirigido diretamente contra o muro limítrofe. Tudo ainda mais estranho porque o Custódio conhecia perfeitamente aquela estrada, por onde passava sempre que precisava de ir a Coimbra, ou a Lisboa, o que era no mínimo uma vez por semana.
– Não havia nada de suspeito com o carro?
– Não. Mau grado o estado em que estava, a Polícia investigou cuidadosamente o veículo, claro, e não encontrou nada de errado nem com os travões, nem com a direção.
– Suicídio? Embriaguez? – questionou a Júlia.
– Totalmente implausível. O Custódio Ramires não bebia álcool, de todo. Estava bem da vida, profissional e economicamente, e tinha excelente saúde, aparte uns problemas de asma que o afligiam ao acordar. Mas umas inalações receitadas pelo médico dele resolviam o problema, pondo-o em condições para o resto do dia. Assim mo disseram quer o mordomo, quer as filhas. Tinha sempre a respetiva máquina na mesa de cabeceira, preparando ele próprio a mistura dos medicamentos receitados pelo médico pessoal, ao deitar-se, deixando tudo pronto para poder fazer as inalações assim que acordava, usando o bocal que se adaptava sobre a boca e o nariz, ainda deitado. Era uma mistura de líquidos e uma pastilha que se dissolvia nesse líquido durante a noite.
(continua na próxima edição)


