“EM PEDROSO, TÊM-SE CUMPRIDO MUITOS DOS DESÍGNIOS DE ABRIL”

A Junta de Freguesia de Pedroso assinalou o 52º aniversário do 25 de Abril com uma sessão solene marcada pela evocação dos valores da liberdade, da democracia e da participação cívica. A cerimónia, realizada no Salão Nobre da edilidade, reuniu representantes políticos, coletividades, escolas e instituições locais, culminando com a entrega das Medalhas de Honra e Mérito da Freguesia referentes a 2025, num reconhecimento público do trabalho desenvolvido em prol da comunidade pedrosense.

 

 

O Salão Nobre da Junta de Freguesia de Pedroso encheu-se de simbolismo, emoção e reflexão democrática nas comemorações dos 52 anos da Revolução dos Cravos. Entre discursos políticos, homenagens institucionais e referências constantes ao legado de Abril, a sessão solene destacou a importância da liberdade conquistada em 1974 e os desafios contemporâneos da democracia.

Perante representantes de coletividades, estabelecimentos de ensino, associações e entidades civis, o presidente da Junta de Freguesia de Pedroso, Joaquim Tavares, abriu a sessão sublinhando o carácter comunitário da cerimónia. “Neste dia, o que nós pretendemos é uma homenagem muito simples e singela, não só ao 25 de Abril, mas essencialmente às forças-vivas de Pedroso”, afirmou o edil, recordando a transformação do país após a Revolução dos Cravos.

“Há 52 anos, Portugal mudou”, assegurou Joaquim Tavares destacando conquistas como “o acesso à educação, à saúde, à segurança social, à igualdade, ao papel da mulher, ou o acesso à gestão autárquica”, considerando que, apesar das imperfeições da democracia, “o resultado é muito ou extremamente positivo”.

O presidente da Junta de Freguesia de Pedroso alertou, contudo, para os desafios atuais, apontando para “tempos de incertezas” e para o impacto das novas tecnologias na sociedade. “Muitas vezes somos dirigidos e condicionados pelas mesmas. Criam divisões, ilusões, levando as pessoas a acreditar no que muitas vezes não é real ou a deturpação da realidade”, advertiu.

Ainda assim, Joaquim Tavares garantiu que, “em Pedroso, têm-se cumprido muitos dos desígnios de Abril”, reforçando que o executivo trabalha “para as pessoas e na procura de soluções para os seus problemas”.

A sessão contou também com intervenções dos representantes das diferentes forças políticas com assento na Assembleia de Freguesia, que refletiram sobre o significado contemporâneo da liberdade e da democracia.

Em representação do Chega, Daniel Silva defendeu que “o 25 de Abril pertence a todos os portugueses”, recusando leituras exclusivas da data histórica. “Celebrar Abril não é apenas recordar o passado, é assumir responsabilidade no presente”, referiu, acrescentando que “muitos portugueses sentem que essa liberdade continua incompleta”.

Já Sandra Oliveira, representante do CDS-PP, destacou que a liberdade “não é um dado adquirido”, mas sim “uma conquista construída com sacrifício”. A deputada centrista alertou para “narrativas simplistas que fragilizam as instituições” e defendeu uma democracia “plural, estável, credível e próxima das pessoas”.

Pela Iniciativa Liberal (IL), António Henrique centrou a sua intervenção na responsabilidade individual e no papel da sociedade civil. “A liberdade é uma tarefa diária da nossa comunidade”, asseverou, defendendo que “cada pessoa em Pedroso deve poder escolher o seu caminho, criar, empreender, associar-se e viver com segurança e dignidade”.

O representante da IL considerou ainda que o poder local deve ser “limitado nas coisas que faz mal e ambicioso nas que faz bem”, valorizando o contributo das associações, famílias, empresas e voluntariado para o desenvolvimento da freguesia.

Ruben Pinto, representante do Partido Social Democrata (PSD), trouxe uma perspetiva geracional ao debate, lembrando que pertence “à geração que nasceu e cresceu em liberdade”. Para o social-democrata, a democracia vive-se “na forma como nos tratamos dentro desta casa, casa que é de todos os pedrosenses”.

“Respeitar a oposição não é uma concessão, é um imperativo democrático”, afirmou o deputado do PSD, defendendo que “Abril ensinou-nos que não há bónus da liberdade”.

Em representação do Partido Socialista (PS), Gonçalo Riscado evocou o período da ditadura e as desigualdades sociais vividas antes da Revolução. “Foi contra esse tempo que muitos se levantaram”, recordou, homenageando “todos os que resistiram” e os que “ajudaram a abrir caminho à vitória da liberdade”.

O socialista alertou ainda para “o crescimento de discursos simplistas e divisionistas” e para “o reaparecimento de ideias que julgávamos ultrapassadas”, defendendo que “o caminho iniciado em Abril permanece inacabado”.

A cerimónia prosseguiu com um dos momentos mais simbólicos da sessão, a entrega das Medalhas de Mérito e da Medalha de Honra da Freguesia de Pedroso.

A Medalha de Mérito distinguiu personalidades e instituições que se destacaram nas áreas social, cultural, desportiva e comunitária. Entre os homenageados estiveram o Atlético Futsal de Pedroso, o campeão europeu de sub-17 Duarte Ferreira, os voluntários Maria Duarte e Simão Matos, Daniel Fernandes e o Futebol Clube de Pedroso.

Já a Medalha de Honra da Freguesia foi atribuída à Associação Pró Infância de Pedroso – Jumbo Jardim Infantil, pelo percurso de contributo em prol da comunidade e da promoção do nome de Pedroso.

A encerrar a sessão, o presidente da Assembleia de Freguesia de Pedroso, Manuel Moreira, sublinhou que “o 25 de Abril não é apenas um marco histórico”, mas “um símbolo maior daquilo que um povo pode alcançar quando se une em torno de valores fundamentais”.

O autarca destacou que a democracia “não é um ponto de chegada”, mas antes “um processo contínuo, exigente, que requer o contributo de todos”, valorizando particularmente o papel do poder local democrático nas freguesias.

“Cabe-nos garantir que a memória não se desvanece e que os valores que nos foram legados continuam a orientar o nosso presente e o nosso futuro”, enalteceu.

Numa mensagem final de esperança e compromisso coletivo, Manuel Moreira concluiu dizendo que, “enquanto houver memória, participação e compromisso, Abril continuará a viver em cada um de nós”.