Do interior nordeste transmontano à cidade, da vida rural ao quatidiano citadino de restauração e vinhos. O nosso novo colonista, natural de Peredo da Bemposta (Mogadouro) estudou e viveu a sua infância entre vinhas, oliveiras e animais de campo, mas muito jovem se mudou para a cidade e se dedicou à restauração e serviço de bebidas.

João Lourenço, que ligação o traz ao mundo dos vinhos?

Desde novo, ou quase de nascença, que passei grande parte dos meus dias nas vinhas a ajudar os meus pais nas tarefas diárias. Acompanhei e ajudei em todas as etapas das videiras, desde a plantação ao enxerto, poda e vindima.

E como vira completamente essa vida e veio para a cidade e se dedica a outra etapa do vinho?

Fui para trabalhar numas férias de verão, uma oportunidade de ganhar uns trocos e sair da lavoura. Gostei e fiquei até aos dias de hoje. Primeiro na copa e depois como empregado de mesa.

E a paixão sobre o conhecimento do vinho, como veio?

Com formações quis aprofundar o serviço de bebidas na restauração e existia o bichinho do vinho e veio ao de cima o serviço, as provas, as feiras e a grande paixão pelo vinho.

Que tipo de vinhos prefere?

Todos. Não descarto nenhum, há momentos adequados para todos. So é preciso saber quando é o momento de cada um para poder tirar o devido valor deles.

Costuma escolher primeiro a comida ou o vinho?

Depende, mas sempre em sintonia um com o outro, mas nem sempre escolho vinho, pois consumo muitas outras bebidas. Ou também vinho sem comida.

Depois de consumir vinhos de patamar superior, como se vê a consumir entradas de gama?

Com toda a naturalidade, aliás, se não consumirmos os entradas de gama não se sabe dar valor aos outros. Prova-se de tudo, todos eles têm o seu valor, aliás, existem vinhos muito acessíveis e tão bem feitos que nos dá prazer consumir e satisfaz muito bem.

Que mais o satisfaz nas harmonizações?

Ver os clientes satisfeitos com as nossas sugestões, e quando voltam já nem opinião pedem, dizem escolha o vinho para nós. Sim isso dá-nos uma vontade enorme de cada vez, fazer mais e melhor. Enchemos o ego.

Sei que tudo isso requer muita prática…

Sim, prática diária e formação constante e muita prova e muitos erros pelo meio.

Tem formação na área?

Formação de serviço de vinhos e de escanção, que muito e muito me alavancou.

Olhando para o seu trabalho parece um trabalho apetecível?

Parece sim, mas é preciso ter muita paixão, muita força de vontade e muito esforço. Não é só provas e degustações, há um trabalho de bastidores enorme. Gestão de garrafeira, viagens, leituras, em constante atualização, pois cada vez mais o cliente está mais informado e temos de andar sempre na linha da frente dessa informação.

É nacionalista ou não tem problema em escolher vinhos de outras nacionalidades?

Não tenho problema nenhum. Em Portugal temos vinhos de topo mundial, características únicas no mundo. Mas não somos únicos, muitos outros países de igual modo também têm vinhos de topo mundial e de características ímpares. Então temos de consumir outros vinhos. Na minha carta de vinhos no restaurante tenho algumas referências internacionais.

Como vê os vinhos portugueses no mundo?

Cada vez mais com uma qualidade superior e a igualar com outros vinhos do mundo. Cada vez mais somos respeitados e apreciados pelas nossas características singulares.

Trabalha no restaurante A Regional Valonguense onde acumula a função de empregado de mesa e escanção. O que se via a fazer se não fosse isto?

Só se fosse andar no meio das vinhas.

Qual a região de vinhos que mais o surpreende?

O Douro em finais de outubro, na queda da folha. Aquele painel de cores variadas dispersas entre os sucalcos e o rio, são mesmo de cortar a respiração.

Que região não visitou e gostava de o fazer?

Ui, tantas. Meio mundo vinícola. Mas gostava, em breve, de ir à Alsácia e a Barolo.

Qual o vinho que mais o surpreendeu?

Não consigo responder, no meio de tantas referências provadas e tantos momentos diferentes é dificil de classificar.

Visto que vai ser nosso colonista, o que promete trazer ao AUDIÊNCIA?

Em primeiro lugar, agradecer ao AUDIÊNCIA pela oportunidade. Depois desmistificar alguns mitos que ainda perduram em muitos consumidores e tentar que em cada edição do Jornal AUDIÊNCIA os leitores sintam vontade em ler as minhas colunas de opinião.

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