“ESTAR NA CIDADE DA RIBEIRA GRANDE A RECEBER UM PRÉMIO NACIONAL PARA RABO DE PEIXE FOI, PARA MIM, MUITO ESPECIAL”

A cidade da Ribeira Grande recebeu, no passado dia 11 de junho, a 9ª edição da Gala “Estrelas no Atlântico” – Prémios Cinco Estrelas Regiões, numa cerimónia que reuniu dezenas de autarcas, empresários e personalidades de várias regiões do país. Entre os momentos mais marcantes da noite esteve a distinção atribuída a Rabo de Peixe, na categoria de Aldeias e Vilas, galardão entregue pelo apresentador da CMTV e filho daquela localidade, Rúben Pacheco Correia, que aproveitou a ocasião para defender a sua terra natal, combater preconceitos e reafirmar a importância de acreditar que “sonhar em Rabo de Peixe tem o mesmo peso de sonhar em qualquer parte do mundo”.

 

A Gala “Estrelas no Atlântico” transformou a Ribeira Grande num ponto de encontro entre representantes de várias regiões portuguesas, numa edição que assumiu especial significado para o concelho anfitrião. Coorganizado pela Câmara Municipal da Ribeira Grande, o evento distinguiu três referências locais: o CEmpA – Centro Empresarial dos Açores, o Areal de Santa Bárbara, ambos situados na freguesia da Ribeira Seca, e a vila de Rabo de Peixe.

O momento dedicado a Rabo de Peixe ganhou uma dimensão particularmente emotiva ao contar com a presença de Rúben Pacheco Correia, escritor e apresentador da CMTV, que foi convidado a entregar o prémio atribuído à sua terra natal. Nomeado recentemente embaixador da Ribeira Grande pelo presidente da autarquia, Jaime Vieira, o também empresário deslocou-se propositadamente aos Açores para participar na cerimónia.

Em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, Rúben Pacheco Correia mostrou-se sensibilizado pelo reconhecimento recebido. “Eu já sou embaixador da minha terra desde que nasci. Agora fui reconhecido como tal, mas de facto tenho feito as coisas sem pretensões e sem qualquer interesse por onde tenho passado. Ser embaixador de Rabo de Peixe e dos Açores é algo que tenho feito de forma natural”, afirmou.

O apresentador admitiu que o convite da autarquia teve um significado especial, ressaltando que “sabemos que é difícil sermos reconhecidos na nossa terra e, quando isso acontece, é duplamente gratificante. A vontade de promover os Açores eu já a tinha, mas fazê-lo agora de forma quase oficial no meu concelho é ainda mais especial”.

A emoção foi ainda maior por ter sido precisamente Rabo de Peixe uma das localidades distinguidas na gala. “Um dos prémios entregues foi à minha terra. Ainda para mais, sendo um prémio nacional entregue na Ribeira Grande a Rabo de Peixe, foi um motivo maior de alegria. Rabo de Peixe nem sempre é bem compreendido no próprio concelho e poder vê-la receber um prémio nacional foi para mim muito especial”, revelou.

Combater preconceitos e mostrar outra realidade

Ao longo da entrevista, Rúben Pacheco Correia falou abertamente sobre os preconceitos que, durante décadas, marcaram a imagem de Rabo de Peixe e sobre a missão pessoal que assumiu de contrariar essa visão. Recordando a infância e juventude, revelou que cresceu a ouvir descrições da vila que não correspondiam à realidade que conhecia. “Eu cresci a ouvir falar de um Rabo de Peixe que não correspondia à realidade do Rabo de Peixe que eu via nas ruas por onde andava”, contou.

Segundo explicou, essa perceção tornou-se mais evidente quando saiu da vila para prosseguir os estudos. “Quando fui estudar para Ponta Delgada percebi que, quando dizia que era de Rabo de Peixe, isso era quase motivo de riso, de diferença ou até de exclusão. Parecia que nascer em Rabo de Peixe era não ser tão capaz como nascer em Ponta Delgada ou em Lisboa”, asseverou.

Considerando que esse estigma criou a falsa ideia de que os sonhos dos jovens da vila teriam menos valor, o escritor afiançou que “a mensagem que passei foi que, afinal, sonhar em Rabo de Peixe tem exatamente o mesmo peso que sonhar em qualquer parte do mundo. Em Rabo de Peixe há portugueses tão bons quanto os portugueses de qualquer outra região do país”.

Para o apresentador, a principal responsabilidade que hoje assume é servir de exemplo às gerações mais novas. “Quero que as crianças da minha terra possam olhar para mim e pensar: está ali um rapaz de Rabo de Peixe, ele conseguiu, eu também consigo. Essa é a minha responsabilidade”, assegurou.

Da vila piscatória para a televisão nacional

Atualmente à frente de um dos programas matinais da CMTV, Rúben Pacheco Correia reconheceu que a sua trajetória profissional representa uma responsabilidade acrescida. “Todos os dias, quando começo o programa, penso que continua dentro de mim aquela criança de Rabo de Peixe”, garantiu o apresentador, recordando as dificuldades inerentes à origem geográfica e social de muitos açorianos. “Sei que nascer em Rabo de Peixe não nos dá as mesmas condições que nascer numa família rica em Lisboa”, atestou.

Outro dos aspetos abordados foi a questão da pronúncia açoriana, tendo já sido alvo de comentários. “Eu tinha um complexo comigo próprio por causa da minha pronúncia. Hoje tenho a certeza de que é algo que me define e distingue. A televisão portuguesa não é de uma só pronúncia. Portugal tem várias pronúncias e a minha não é um problema, bem pelo contrário”, sustentou o apresentador.

Novo romance inspirado na maçonaria portuguesa

Entre os projetos para o futuro, Rúben Pacheco Correia revelou que está a preparar o lançamento do seu primeiro romance. “Vou lançar um romance, que será publicado no próximo ano e será de ficção, mas inspirado em factos reais e acontecimentos históricos à volta de Lisboa, cidade maçónica. Portanto, a obra será à volta da maçonaria e dos segredos da maçonaria escondidos pela cidade de Lisboa e um pouco por todo o país”, divulgou o escritor, que continua a conciliar a atividade televisiva com os estudos de Direito.

Empresário cauteloso perante o futuro do turismo açoriano

Além da televisão e da escrita, Rúben Pacheco Correia mantém a sua atividade empresarial, através dos restaurantes Botequim Açoriano, em Rabo de Peixe, e Mercado da Vila, em Vila Franca do Campo.

Questionado sobre novos investimentos, o empresário mostrou-se prudente perante o atual contexto económico e turístico da Região. “Estamos a passar uma situação muito complexa nos Açores em termos de turismo e, infelizmente, não me parece que este seja o momento para grandes aventuras empresariais”, confidenciou.

Na sua opinião, fatores como a saída da Ryanair da Região e a escassez de mão de obra poderão trazer dificuldades adicionais. “Creio que os Açores vão passar por uma fase menos positiva nos próximos anos e a falta de mão de obra também não ajuda”, assegurou.

Ainda assim, Rúben Pacheco Correia garantiu que o objetivo passa por consolidar os projetos existentes. “O Botequim Açoriano celebrou este ano o seu décimo aniversário e o Mercado da Vila celebra o quarto. O objetivo é manter aquilo que já foi construído”, enalteceu.

Ligação a Gaia e presença anunciada na maior Fan Zone do Norte

No final da entrevista, Rúben Pacheco Correia deixou uma mensagem especial para os leitores do AUDIÊNCIA, sublinhando a ligação afetiva que mantém com o Porto e Vila Nova de Gaia. “Sinto Gaia e o Porto também um pouco como a minha terra. São locais onde já fui muitas vezes e que me acolheram muito bem”.

O apresentador traçou ainda um paralelismo entre a realidade açoriana e a do Norte do país. “Se nos Açores existe alguma discriminação em relação a Rabo de Peixe, também sinto que, no continente, existe uma tentativa de desvalorizar o Norte face a Lisboa. Estamos juntos nessa luta contra o centralismo”, aludiu.

Antes de terminar, anunciou uma visita próxima a Vila Nova de Gaia, no início do mês de julho. “Vou estar em Gaia muito em breve, porque têm a maior Fan Zone do Norte do país, promovida pelo grupo Medialivre, pela CMTV e pelos jornais do grupo. Vou acompanhar um dos jogos da Seleção Nacional e fazer transmissão para a CMTV”, anunciou Rúben Pacheco Correia.