Inspirada na sua filha Luz e com a vontade de, através da educação, “tentar mudar o mundo e deixá-lo um bocadinho melhor”, a cantora, compositora e violinista Noa, o nome artístico de Lia Gesta, lançou uma coleção de livros dirigida aos pais e às crianças, que se intitula “O Mundo da Luzinha” e conta a história de uma bebé curiosa, que tem uma ávida vontade de conhecer o mundo que a rodeia. “Bom dia!” e “A Hora da Papa” foram as primeiras obras publicadas e visam estimular através do ritmo, melodia, harmonia e timbre, a atividade motora e intelectual dos bebés.

 

 

 

A Noa está, desde muito cedo, envolvida no mundo das artes. É cantora, compositora, violinista e editou, recentemente, dois livros intitulados “Bom dia!” e “A Hora da Papa”, que integram a coleção “O Mundo da Luzinha”. De que forma é que a sua filha Luz a inspirou na criação destas obras?

A Luz foi o motor e a chama que faltava. Posso dizer-lhe que foi a Luz quem me incentivou a fazer algo que eu já queria ter feito há muito tempo, que era lançar um livro. A coleção de livros infantis “O Mundo da Luzinha” baseiam-se, por isso, na minha filha, no meu amor pelo violino. A intenção é deixar para a posterioridade a semente da música e da arte, a começar desde bebé.

 

A publicação destes livros representa a concretização de um sonho antigo. O que sentiu quando almejou o que tanto ambicionava?

Eu fiquei incrédula. Quando soube que os livros estavam à venda nas livrarias, onde eu só ia como cliente, eu senti um orgulho muito grande, nervos, ansiedade, alegria e até medo, porque eu não sabia como era o mundo dos autores, mas sempre tive essa vontade de passar a ser autora, pois eu sou mestre em Literatura e é a minha área. Então, eu sempre li e, agora, sou lida, de uma forma tradicional, que é através dos livros, com o aspeto físico e aquele cheiro que os caracteriza. Posso afirmar que foi uma sensação, sem dúvida, arrebatadora.

 

Considerando que a Luz é a sua primeira filha, de que forma é que a maternidade a inspirou e a conduziu ao processo criativo?

Desde o nascimento da Luz, eu sinto-me uma pessoa diferente, em constante mudança e percebi que ela assimilava e aprendia muito melhor as coisas quando eu cantava e que ao lidar com ela de uma forma mais ritmada, conseguia levá-la a fazer aquilo que eu queria, sem ser autoritária, ralhar, ameaçar ou castigar. A Luz proporcionou-me muitos momentos e situações novas, que eu antes não conhecia, e eu tive de descobrir novos caminhos para chegar ao objetivo. Portanto, foi desta forma que ela me mostrou novos mundos e me incentivou a criar o projeto “O Mundo da Luzinha” para pais e crianças, com músicas inspiradas nos momentos que eu passo com ela.

 

Neste contexto, podemos afirmar que nos livros está presente uma simbiose entre a maternidade e a sua paixão pela música e a literatura?

Exatamente. A música é como se fosse uma ferramenta, porque através do ritmo, melodia, harmonia e timbre eu consigo fazer com que a Luz faça aquilo que eu quero, por exemplo, que coma, acorde bem-disposta e ande calminha. Por outro lado, a Luz ao ouvir as músicas também vai percebendo como é que o mundo funciona. Portanto, ambas aprendemos. Desta forma, a Luz, também, aprende o que a rodeia e estimula a memória, porque ela, inclusivamente, já sabe como é que acabam as músicas e já repete o final das frases. Como tal, podemos afirmar que é o desenvolvimento cognitivo que está por detrás disto.

 

Neste contexto, qual é a missão e a finalidade desta coleção?

O objetivo é semear no bebé, porque não tem perceção do mundo que o rodeia, o gosto e o sentido da arte, assim como estimular a sensibilidade e os aspetos sensoriais todos, neste caso, claro, eu faço maior incidência sobre a audição. Em causa está, também, estimular os laços familiares entre o pai e a mãe, aumentando o vínculo afetivo. Eu acredito que, desta forma, a criança vai nascer com uma panóplia de escolhas diferente, porque como já ouve muitas coisas, vai conseguir selecionar melhor aquilo que é melhor para ela e para as situações que a hão de rodear ao longo do crescimento. Portanto, no limite, eu acredito que um bebé com estimulação musical, forte, aconselhada e orientada, vai ser um cidadão melhor.

 

De que forma é que anseia inspirar os pais e as crianças através das suas obras?

Cada volume desta coleção narra um momento do dia-a-dia com a bebé, estimulando a sua atividade motora, intelectual e afetiva através do ritmo, melodia, harmonia e timbre. Eu, em cada livro, tenho uma série de sugestões de mímica e música para os pais. No entanto, não é nada fechado, aliás é uma sugestão, é uma experiência minha como mãe. Eu dou aulas de música há muitos anos, mas ninguém é detentor da verdade e o facto de funcionar com a Luz, não quer dizer que funcione com o “Rodrigo”. A ideia é os pais saberem a música, saberem como é que se chegou àquela música e terem espaço para eles, também, fazerem as suas próprias músicas, para os próprios filhos. Portanto, os pais podem substituir o nome da Luz, por “Rodrigo”, ou por “Ana”, mas, também, têm espaço para criarem outras músicas, que funcionem com eles, porque, aqui, o objetivo é esse, pois, depois, tudo de mantém. A base mantém-se, isto é, o gosto pela música, o gosto pelas artes, o estímulo da sensibilidade e tudo isso está inerente, quer seja com a minha música, quer seja com a música do “Rodrigo”.

 

Além das letras, ilustrações e músicas, o que é que os pais e as crianças podem encontrar nas suas obras?

Para além da literatura, através de um QR Code que se encontra no livro, os pais podem aceder a uma aplicação, onde podem, por exemplo, ouvir músicas de violino, tocadas por mim, que têm uma função de musicoterapia. Os livros têm uma ferramenta de apoio e de suporte. Porquê? A Luz está a habituada com livros desde que nasceu, aliás, mesmo antes de nascer, eu já lhe lia livros de poesia para a barriga, mas, de facto, é muito difícil contornar e combater o telemóvel. Portanto, eu não posso negar o telemóvel, não posso dizer à Luz que não vai ver internet, não vai ver desenhos animados na televisão, porque é mais forte do que eu, pois está em todo o lado. Agora, eu posso tentar é orientar, aqui, os trilhos, então, ao ter uma aplicação, mesmo que eu não tenha o livro físico comigo, a Luz pode consultar o livro, tem o audiolivro, através do qual ela pode ouvir a mãe a contar a história, ela pode ver os videoclipes, ouvir as músicas e jogar com a Luzinha. Inclusivamente, através da aplicação os pais podem inscrever as crianças nas aulas de música e de ballet, assim como consultar inúmeras dicas, entre as quais, sobre a alimentação. Portanto, existe, aqui, uma ferramenta que apoia e que solidifica, mas que não substitui. Eu não quero nem que a Luz, nem que as crianças deixem de ter contacto com os livros, por isso é apenas um complemento.

 

Depois deste, que outros sonhos ambiciona concretizar no futuro?

Eu vou continuar na área da literatura, porque ao lançar “O Mundo da Luzinha” lancei, também, a Euridice Editores, a minha editora. Portanto, vou manter-me na literatura, vou continuar na música, obviamente, e eu gostava muito de lançar um livro de poesia. Confesso que, acho que o próximo livro vai ser de poesia. Paralelamente, eu vou dar continuidade à coleção “O Mundo da Luzinha” e o próximo livro será publicado em fevereiro do próximo ano e intitular-se-á “A Hora de Nanar”. É importante salientar, ainda, que tanto o livro “Bom dia!”, como “A Hora da Papa”, estão disponíveis nos principais pontos de venda, desde Worten, Continente, Bertrand, Almedina, também online, através da Wook, assim como do contacto direto, através do Instagram, ou até mesmo da aplicação.

 

Que outros projetos tem em vista no horizonte?

Eu vou dar início, agora, a uma série de aulas de música e poesia para bebés, dos 0 aos 3 anos, nas quais os pais podem estar presentes. Para isso, basta inscreverem-se através do Instagram “O Mundo da Luzinha”, ou do meu, “Noa”, ou através do e-mail: geral@noa360.com, e depois os recebem toda a informação para estarem presentes nas aulas. A primeira aula vai ser no dia 25 de setembro, em Oeiras e a segunda aula vai ser dada no dia 26 de setembro, no Porto, na Rua Zeca Afonso, mais especificamente na Academia onde eu dou aulas, também, de violino. O próximo single vai sair no final de setembro. Depois, no início de novembro vou lançar um álbum de Natal, que já está pronto. Em janeiro, vai sair o segundo single. Em fevereiro vou publicar o livro “A Hora de Nanar” da coleção “O Mundo da Luzinha” e em março lançarei o terceiro single, que ainda não sei se vai sair, ou não, juntamente com um EP só de originais.

 

Qual é a mensagem que pretende transmitir?

A mensagem que eu gostava de transmitir é que, através dos livros e da música, é possível formar e moldar a personalidade de uma pessoa. Quase que é perigoso, porque se nós lermos os livros errados, na altura errada da nossa vida, isso pode marcar-nos de uma forma indelével e influenciar as nossas decisões daí para a frente. Eu falo isto por experiência própria, porque eu li livros que não devia ter lido muito cedo, porque eu tinha acesso a eles e muitas vezes nem percebia o que lia. Quando eu estava a ler “A Metamorfose” de Kafka, devia ter cerca de 12 anos, e não percebi nada. Eu sei que quando terminei o livro o meu pensamento foi “isto não pode ser o que eu acabei de ler”. Com 14 anos li, também, a coleção de Eça de Queiroz e foi muito cedo. Não é que não devesse ter lido, mas, agora, a esta distância, percebo que devia ter tido outro tipo de acompanhamento. Eu acho que tendo esta sensibilidade e esta noção, agora que tenho uma filha e tenho maior visibilidade, para dizer coisas e para alertar os pais que, como eu, têm filhos pela primeira vez, para a importância de termos cuidado com aquilo que mostramos aos nossos filhos. Portanto, temos de selecionar muito bem aquilo que queremos mostrar e aquilo que queremos que eles desenvolvam. Eu acho que, estimulando com a música e a literatura, nós conseguimos ter crianças mais calmas, mais empáticas, mais viradas para fora, para o outro e mais solidárias. Podemos trabalhar o bullying, podemos trabalhar uma série de valores que cada vez estão mais fortes, como o racismo, a questão dos géneros, a generosidade e podemos trabalhar esses valores com ou sem eles se aperceberem, só nós, pais, tendo essa perceção e indo orientando, quase como se eles fossem as nossas marionetas, dizendo-lhes “lê isto, ouve isto” e mesmo que eles não queiram ouvir, põe-se a música em casa, ou no telemóvel e a criança passa e vai ouvindo aquilo sem querer e aquilo vai entrando, vai solidificando e vai cimentando a personalidade da criança. Portanto, a minha mensagem é: ponham os bebés a ouvir música desde muito cedo, levem-nos a aulas de música, musicoterapia, concertos para crianças, concertos para bebés, teatros, enfim, estimulem o mais possível os vossos bebés, para eles serem cidadãos melhores quando crescerem e é nisso que eu acredito. Esta é a forma que eu tenho de tentar mudar o mundo e deixá-lo um bocadinho melhor, através da educação, sempre da educação.

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