A visita cultural intitulada “Estórias da margem esquerda do Douro” decorreu nos passados dias 18 e 19 de julho e foi organizada pelo arqueólogo Fábio Soares, em parceria com a Junta de Freguesia de Oliveira do Douro. Durante o percurso, que teve a duração de cerca de duas horas e contou com a presença de Dário Silva, presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Douro, foram dadas a conhecer inúmeras quintas setecentistas e oitocentistas que se localizam na margem esquerda e ribeirinha da Freguesia de Oliveira do Douro, assim como o património religioso e os usos e costumes que caracterizavam e identificavam esta localidade.

 

A última edição da visita pedonal denominada “Estórias da margem esquerda do Douro” realizou-se entre os dias 18 e 19 de julho e começou na Quinta dos Cubos, em Vila Nova de Gaia. A Quinta dos Frades, a Quinta da Fonte da Vinha, a Quinta da Torre Bella, a Quinta das Carvalheiras, a Quinta da Pedra Salgada, a Quinta da Alegria e a Praia Fluvial do Areinho de Oliveira do Douro foram pontos de paragem obrigatória deste percurso, que terminou com a subida à torre do Laboratório Engenheiro Edgar Cardoso.

O arqueólogo e organizador da iniciativa, Fábio Soares, contou ao AUDIÊNCIA que a ideia para a criação do evento “surgiu, inicialmente, com o passatempo fotográfico que aconteceu durante o mês todo de fevereiro, mais concretamente durante os fins de semana, em que fizemos uma pequena atividade, que contemplava fazer este percurso com uma pequena visita guiada, em que os participantes tiravam fotografias e depois enviavam para nós três fotografias. Nós tivemos um júri e o júri escolheu a fotografia vencedora e atribuiu ainda três menções honrosas, a partir desse passatempo e como tivemos uma forte adesão a essa iniciativa, percebemos que devíamos estender esse evento a outros mais abrangentes e de caracter mais cultural e com uma visita mais investida em termos de tempo e em termos históricos”.

“Nós percebemos que aqui em Oliveira do Douro havia uma série de quintas abandonadas, também algumas delas já são frutos de empreendimentos hoteleiros e percebemos que aqui havia história. Nós falamos com pessoas locais que nos contaram muitas histórias e memórias que guardavam destas quintas e começamos, efetivamente, a pesquisar nas fontes documentais e percebemos que algumas delas já vêm pelo menos desde o século XVI e que por aqui viveu e passou muita gente importante e que a história de Oliveira do Douro está, sobretudo, ligada também à história da cidade do Porto. Portanto, a nossa ideia é sensibilizar as pessoas locais, mas também as de fora, para que Oliveira do Douro não tenha só a melhor vista para o Porto, mas que tenha história, que nós queremos preservar e continuar a manter”, explicou Fábio Soares.

 

Neste seguimento, “Estórias da margem esquerda do Douro” contemplou um percurso por “quintas setecentistas e oitocentistas cheias de história, com uma paisagem ímpar e que realmente merece ser preservada, organizada e sobretudo passeada” e, segundo Fábio Soares, a iniciativa teve como principal objetivo “atrair, sobretudo, jovens, jovens adultos, mas também uma faixa mais sénior, porque são os portadores, efetivamente, das memórias, e também contribuem imenso para o enriquecimento destas visitas”.

O presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Douro, Dário Silva, fez questão de participar nesta iniciativa e aproveitou a ocasião para ressaltar ao AUDIÊNCIA que “este foi um bom projeto e só demonstra que é possível as entidades públicas colaborarem com jovens e sobretudo com jovens empresários, que tiveram a coragem de montar uma empresa numa área até bastante diversificada e que não tem grande resposta. Esta foi uma forma extraordinária, a Junta de Freguesia tem sido parceira e tem procurado desenvolver um conjunto de iniciativas que visam, sobretudo, a promoção dos aspetos mais significativos da Freguesia. Hoje, estamos a falar, por exemplo, dos percursos históricos das quintas de Oliveira do Douro, mas já tivemos a oportunidade de fazer a visita ao Parque da Lavandeira. Nós estamos sempre a procurar formas de poder divulgar a história, os costumes e as tradições da Freguesia. Portanto, esta iniciativa é muito boa nesse aspeto”, revelando que “ já estão previstas outras iniciativas até ao final do ano em parceria com o Fábio e, portanto, eu acho que esta é uma forma extraordinária de podermos divulgar a Freguesia de um modo diferente e com este nível de qualificação, pois estamos a falar de pessoas licenciadas em arqueologia, portanto, que se interessam pelo património e defesa local, que são da Freguesia e que fazem-no apaixonadamente, portanto, eu acho que temos de apoiar este tipo de iniciativas”.

Fábio Soares enalteceu ainda ao AUDIÊNCIA que “o nosso objetivo é mesmo abarcar o concelho de Vila Nova de Gaia na sua génese” e adiantou que “temos outras iniciativas em vista, nomeadamente o percurso intitulado «À descoberta do Rei Ramiro», que está agendado para o próximo dia 11 de setembro e contempla uma caminhada noturna, com visita ao Mosteiro da Serra do Pilar, ao Jardim do Morro, ao Convento Corpus Christi, à Quinta do Campo Belo, à Capela do Bom Jesus de Gaia e ao Castelo de Gaia”.

 

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