O Executive Tea Club reuniu, no passado dia 12 de fevereiro, dezenas de mulheres executivas no icónico The Yeatman, em Vila Nova de Gaia, para um encontro marcado pelo glamour, pela reflexão e por conexões transformadoras. Sob o tema “Pensar Fora da Caixa”, o evento contou com a participação de Joaquim Jorge, fundador do Clube dos Pensadores, numa tarde onde o pensamento crítico e a partilha de experiências estiveram no centro da conversa.
Num cenário de elegância e vistas deslumbrantes sobre o Douro, o Executive Tea Club celebrou o seu 43º evento, reafirmando-se como um espaço exclusivo de networking feminino que cruza a tradição, a estratégia e a visão contemporânea.
Inspirado na tradição do chá introduzida no século XVII por Catarina de Bragança, o clube assume-se como mais do que um encontro social, sendo, nas palavras das suas fundadoras, Raquel Mota Pinto e Elsa Ramalho, uma celebração vibrante de conexões autênticas, sororidade e empoderamento entre mulheres líderes.
“Bem-vindas a este que é o 43.º evento do Executive Tea Club”, começou por assinalar Elsa Ramalho, cofundadora do projeto, recordando que a iniciativa nasceu em 2023, inspirada na história da princesa portuguesa que se tornou rainha de Inglaterra e que introduziu o hábito de tomar chá e o uso de talheres na corte britânica. “Joaquim Jorge, o nosso convidado de hoje, partilha com Catarina de Bragança uma rara combinação de criatividade e imaginação usadas não como ornamento, mas como ferramentas de influência”, destacou, sublinhando o perfil provocador e independente do orador.
Também Raquel Mota Pinto, cofundadora do Executive Tea Club, evocou a força simbólica do chá enquanto ato de comunicação subtil. “Mais do que um ritual, o chá foi para Catarina de Bragança uma forma de pensar em público, sem o anunciar. Num país estrangeiro, onde cada gesto era lido, ela escolheu a inteligência do detalhe”, afirmou. Para a empresária, pensar é “criar ligação antes de criar consenso”, numa visão que se traduz na essência do clube, “um espaço onde se pensa com elegância, se conversa com tempo e se constrói com subtileza”.
O evento teve ainda uma dimensão solidária, revertendo a receita a favor da Mama Help e da Fundação Narciso Ferreira. Desde o primeiro encontro no Porto, o Executive Tea Club tem vindo a expandir-se para cidades como Aveiro, Lisboa e Coimbra, e a cruzar fronteiras até ao Dubai e Bahrain, reunindo mulheres executivas de diferentes geografias e setores.
A experiência sensorial do encontro foi enriquecida pelas propostas de Miguel Moreira, da Infusões com História. “Hoje temos aqui um upgrade”, anunciou, apresentando uma primeira mistura de três hortelãs. Seguiu-se um blend exclusivo preparado para o clube, com base de chá preto dos Açores e notas de lavanda, numa combinação pensada para refletir identidade e sofisticação.
O ponto alto da tarde foi a intervenção de Joaquim Jorge, fundador do Clube dos Pensadores e especialista em generalidades. Fiel ao seu estilo direto e provocador, explicou a origem do clube que fundou, ressaltando que “surgiu porque eu sou um provocador. Fui a uma reunião partidária e disseram-me que não podia falar. Então fiz um grupo ao lado para dizer o que quero e o que me apetece”.
Defensor da autenticidade e crítico do poder, Joaquim Jorge afirmou que “o poder é efémero” e criticou o que considera ser o deslumbramento das elites políticas. “Desde há 20 anos que no Clube dos Pensadores não trato ninguém por doutor. Este país tem de baixar à terra”, declarou, defendendo que os políticos deveriam ouvir mais e falar menos.
Assumindo-se como alguém que “adora provocar” e que detesta “rebanhos”, comparou-se a um leopardo pela sua aversão a manadas e unanimismos. “Generalidades é gozo, porque eu sou sarcástico”, afirmou, reiterando a necessidade de dizer o que pensa e de estimular o pensamento crítico.
Entre reflexões sobre liderança e relações humanas, deixou ainda uma nota sobre o papel das mulheres na política, salientando que “para haver mais mulheres na política, as reuniões não deviam ser só à noite”, afirmou, acrescentando esperar ainda ver uma mulher a assumir o cargo de primeira-ministra em Portugal.
Num ambiente de glamour e partilha, o Executive Tea Club voltou assim a afirmar-se como palco de ideias, debate e construção de redes sólidas, onde pensar diferente não é apenas um tema, é um compromisso.


