Embora não tenha nascido na Freguesia da Maia, considero-me maiata, porque foi lá que cresci e vivi grande parte da minha vida. Como tudo aquilo que estimamos, desejamos o melhor – o melhor para o local e para as suas gentes, para que possam todos viver em segurança e sem hostilidades.

Em todas as localidades deve haver esta pretensão e não existem, nem nunca deverão existir, pessoas de primeira nem de segunda. Todos devem ser respeitados e tratados com dignidade. Infelizmente, nem sempre foi este o cenário a que assistimos nos últimos anos. Basta irmos aos relatórios do Tribunal de Contas para verificarmos a segregação de que foram alvo as Juntas de Freguesia que não eram da mesma cor partidária na altura do Governo Socialista.

Em 2018, quase 30% dos fluxos totais para as freguesias (cerca de 623 mil euros) foram concentrados em apenas oito freguesias, das 155 situadas no território da Região Autónoma dos Açores. As mesmas (que por sinal eram todas socialistas) obtiveram valores superiores a 50 mil euros, mas as de São Roque (Ponta Delgada), com 148 mil euros, e da Maia (Ribeira Grande), com 130 mil euros, beneficiaram dos maiores fluxos. Estas freguesias foram, durante muitos anos, filhas de um Deus maior! Mas, de repente, a Maia sente-se órfã e vem com lamurias queixar-se ao povo. Agora até diz ser discriminada pela Câmara Municipal da Ribeira Grande (CMRG) em relação às Juntas de Freguesia do PSD. Impõe-se repor a verdade! A CMRG transfere verbas com base em critérios muito transparentes, tendo por base o racional do FEF (transferências do Estado para as Juntas). Não há cá malabarismos, como houve em tempos!

Mas ainda assim, a Junta apresenta um rol de queixas! Foi deixada de parte numa reunião da CMRG com os deputados do PSD/Açores, um presidente de Junta e a Santa Casa da Misericórdia da Maia. Foi castrado o princípio de articulação com e de respeito pela entidade suprema daquela freguesia, pensaram alguns! E lá vieram apressadamente mostrar o seu descontentamento e publicar “desinformação” para toda a população. Não os censuro, porque alguns estavam realmente habituados a que tudo girasse à volta da Maia! Não, lamento dizê-lo, mas não! Tratou-se de uma reunião preliminar para a definição de linhas de ação para uma intervenção cirúrgica numa das freguesias do concelho, que não a Maia! Os deputados reuniram com o presidente da Junta de Freguesia dos Fenais d’Ajuda que, por sua vez, é cumulativamente o responsável pelos assuntos das freguesias na Câmara Municipal da Ribeira Grande. Reuniram, também, com a Santa Casa da Misericórdia da Maia por esta ter já mostrado interesse em colaborar ao nível da formação, como, de resto, já fez no passado. Portanto, não se excluiu ninguém, como foi alegado. Exclusão era o cenário do passado, quando se pensavam em estratégias de desenvolvimento de determinadas zonas em que os principais interessados nem eram ouvidos. Como acham que as restantes freguesias se sentiam quando era a Maia a “gerir” as necessidades da zona oriental do nosso concelho?

Foi tanta a indignação com esta reunião, mas a Junta não se coibiu de excluir a Câmara Municipal no encontro que promoveu com as forças económicas da sua freguesia para falar sobre o caminho da Lombinha-Maia! Então, não é a CMRG a responsável pela obra? Não teria uma palavra a dizer? Incoerências. Estas e muitas outras. No entanto, tenho de dar a mão à palmatória e acabar com uma palavra de apreço por algumas atitudes da atual presidente. Ao contrário do que pensava, não é um rosto sem voz! É um rosto com voz que calou aquele que pensava que continuaria a decidir a seu belo prazer os destinos desta freguesia. É assim… Saiu-lhe o tiro pela culatra!