Como já vem sendo tradição, a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, aliou às comemorações do Dia do Município, a homenagem àqueles que marcaram o ano no concelho, atribuindo-lhes, assim, as Medalhas Honoríficas. Este ano, a cerimónia que marcou ambas as ocasiões ocorreu no Auditório Municipal de Gaia, no dia 20 de junho. Foram 13 as personalidades homenageadas e Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da autarquia, aproveitou para fazer um balanço, lembrando as apostas de Gaia na área do apoio social, educação e saúde, destacando o trabalho em rede e os benefícios que estre trouxe, sobretudo, durante a pandemia.

O Auditório Municipal de Gaia foi palco da cerimónia de comemoração do Dia do Município 2022 e, ao mesmo tempo, da cerimónia de atribuição de Medalhas Honoríficas a entidades distinguidas pelo concelho, no dia 20 de junho. Na cerimónia estiveram presentes todas as edilidades do concelho, bem como as forças de segurança, entidades associativas e civis, e, ainda, os homenageados da noite e as suas famílias.

Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, começou por lembrar que “dois anos volvidos, voltámos a um momento de encontro para evocar o Dia do Município, um concelho que se construiu há um pouco mais de 500 anos e que tem vindo a trabalhar, nos últimos, de forma ativa”. O autarca destacou alguns projetos recentes de Vila Nova de Gaia que, na sua opinião, mostram o bom caminho que tem sido feito. “É, de facto, possível, hoje, conciliar o investimento de carácter infraestrutural com a abordagem de caráter imaterial, pensar, ao mesmo tempo, nas pedras e nas pessoas, pensar, ao mesmo tempo, na inovação, do ponto de vista da sustentabilidade, das novas tecnologias aplicadas ao dia a dia, mas nunca esquecer aqueles que, por variadíssimas razões, vivem situações de maior debilidade. E foi por isso, ou é por isso, que o município de Gaia é, ainda hoje, o único do país que tem um programa municipal próprio de apoio aos cuidadores informais”, sublinhou o edil gaiense. Outro dos aspetos que salientou com pujança, foi a questão da educação e dos investimentos que a Câmara de Gaia fez, desde sempre, neste domínio, mesmo quando, aparentemente, as situações não eram da sua responsabilidade. “A área da educação é o pilar de um país, mas é, ao mesmo tempo, um pilar que se constrói no dia a dia. Não há país no mundo, não há cidade no mundo, que se pretenda próspera no futuro, se não estiver ancorada nos domínios da educação e, sobretudo, da educação para todos”, disse o professor de Sociologia.

À semelhança da educação, Eduardo Vítor Rodrigues, referiu, também, as apostas na área da saúde, elencando, por exemplo, o Centro de Saúde da Madalena e as obras no Hospital de Gaia. “Não era da nossa responsabilidade, tínhamos outras coisas da nossa competência para fazer, mas havia um domínio ético”, referiu o presidente, assumindo que foram decisões “absolutamente determinantes para a qualidade de vida das pessoas”.

“Um concelho como Vila Nova de Gaia tinha a obrigação de ter um hospital de referência, com urgências polivalentes, tinha a obrigação de ter respostas de qualidade em áreas como a reabilitação, com o Centro de Reabilitação do Norte a passar para a sua jurisdição. Tinha a responsabilidade de se ligar ao meio universitário e de reforçar a área de investigação, internacionalizando muito desse trabalho”, continuou o edil, que disse que, mesmo assim, “a Câmara nunca se esqueceu de olhar para o pequeno problema do dia a dia dos cidadãos”.

O autarca gaiense reforçou que tudo o que foi conquistado, só foi possível graças ao trabalho em rede, e “se havia dúvidas quanto às virtualidades desse modelo, a pandemia da Covid-19, veio trazer-nos algumas certezas”, declarou Eduardo Vítor, lembrando, uma vez mais a forma como os gaienses se uniram e se entreajudaram. Deu, como em muitas outras ocasiões, o exemplo das ofertas que recebeu de associações de pais e coletividades, que se disponibilizaram para usar as cantinas das suas instituições, para fazerem refeições para os mais frágeis e que estavam a sentir, em maior escala, as consequências da pandemia. “Conseguimos perceber que, todos juntos, e quando nos envolvermos, somos muito mais fortes como cidade e como país”, afirmou.

“Se pudesse, hoje, seriam homenageadas todas as pessoas, individuais e coletivas, que trabalharam ao longo deste tempo de uma forma absolutamente extraordinária. Não posso, não porque não consiga identificá-las, mas porque seriam muitas e quando atribuímos muitas medalhas, tendemos a parecer que as desvalorizamos”, declarou o presidente de Gaia sobre todos os que meteram mãos à obra durante a pandemia e, aproveitando o mote para referir aqueles que, sim, sairiam da noite com uma homenagem por parte do concelho. “Hoje, ao mesmo tempo, aproveitamos o Dia do Município, nos seus já mais de 500 anos, para nos apropriarmos de entidades absolutamente inspiradoras, pessoas individuais e coletivas. Apropriar-nos delas através da entrega da Medalha do Mérito Municipal e de Honra, porque são pessoas que, por variadíssimas razões e em diversos momentos, inspiraram a vida do município, marcaram-na, mas ao mesmo tempo, nós queremos que passem a integrar o leque dos gaienses, se não por nascimento, ao menos por adoção de cidadãos ou instituições de mérito”.

A Medalha de Honra, que concede o título de “Cidadão Honorário de Vila Nova de Gaia” aos que a recebem, foi entregue a João Pedro Matos Fernandes, ex-ministro do Ambiente, e a Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do Futebol Clube do Porto. Por sua vez, a Medalha de Mérito Cívico, Grau Ouro, foi entregue a Manuel Moreira da Silva e a Manuel da Silva Maia, ao passo que a Medalha de Mérito Cultural, também Grau Ouro, foi oferecida a Rui Manuel Reininho Braga. Manuel Gomes Pereira e Mário Miguel Oliveira Marques dos Santos foram os homenageados com a Medalha de Mérito Desportivo, Grau Ouro, enquanto a Medalha de Mérito Profissional, no mesmo grau, foi concedida ao Juiz Conselheiro José António de Sousa Lameira, a José Eduardo Lima Pinto da Costa, a título póstumo, e a Manuel Martins de Carvalho. Ricardo Bastos, proprietário da dreamMedia, foi o galardoado com a Medalha de Mérito Empresarial, Grau Ouro.

No final do seu discurso, Eduardo Vítor ainda salientou que os títulos concedidos se tratavam de responsabilidades e não de simples louros. “Eles vêm aqui receber a Medalha do Mérito Municipal com o apreço e o carinho que temos por eles, pelas suas pessoas, pelas suas entidades e pelas suas carreiras, mas eles vêm aqui, também, para, a partir de hoje, fazerem parte da nossa comunidade, levarem o nosso nome o mais longe possível, fazerem de Vila Nova de Gaia uma cidade marcante em múltiplos domínios e mostrarem, ele próprios, na diversidade que os compõe, que é nessa diversidade que nós temos de ser capazes de dar as mãos e caminhar em frente, para um país melhor, uma cidade melhor e para pessoas com melhor qualidade de vida”, concluiu.

João Pedro Matos Fernandes, homenageado da noite, falou em nome de todos os que receberam uma medalha. “Somos, todos, muito gratos por nos ter proporcionado esta noite e por nos ter concedido esta honra, mas somos, sobretudo, muito gratos por aquilo que a sua equipa faz por Vila Nova de Gaia”, foram as palavras do ex-ministro do Ambiente para Eduardo Vítor Rodrigues. O galardoado ainda referiu que, hoje, Vila Nova de Gaia “é uma cidade referência no país, na Europa e no mundo, por aquilo que faz e pela forma como um território tão complexo, tão diferente nas suas parcelas, consegue ser tão coeso do ponto de vista social”, terminou elogiando.

Albino Almeida, presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia, também dirigiu uma curta mensagem aos presentes, sobretudo aos medalhados. “Muito obrigado pelo vosso exemplo, muito obrigado pela vossa perseverança e pela vossa dedicação”, disse o autarca, salientando que o concelho se honra muito por ter “a possibilidade de homenagear aqueles que, por obras valerosas, se tornam cidadãos de Gaia para sempre”.

A cerimónia terminou com a atuação de MIRAMAR FRANKIE CHAVEZ & PEIXE, que brindou todos os presentes com um concerto musical sublime.