O Teatro Ribeiragrandense voltou a receber mais uma edição das Jornadas de Segurança e Saúde no Trabalho, um evento que reuniu profissionais e empresários, assim como trabalhadores, para dois dias dedicados a discutir estratégias e visões sobre a área. Organizado pela GECITE Açor, este evento teve lotação esgotada e muitos oradores que vieram de várias zonas para partilhar experiências e conhecimentos.

 

 

O Teatro Ribeiragrandense recebeu, nos passados dias 11 e 12 de novembro, as 5ªs Jornadas de Segurança e Saúde no Trabalho, uma iniciativa da GECITE com o apoio do Governo dos Açores e da Câmara Municipal da Ribeira Grande, bem como de algumas empresas regionais.

Com vários oradores durante os dois dias do evento, foram abordadas temáticas sobre os desafios atuais e futuros da Segurança no Trabalho, bem como foi entregue, logo na sessão de abertura, o prémio de Segurança Infantil – Gil Estevez, e duas menções honrosas, a uma IPSS da Ribeira Grande, em homenagem ao professor que esteve presente nas últimas jornadas e que faleceu.

No seu discurso de abertura, Hélder Silva, responsável da GECITE a nível nacional, lembrou que passaram “praticamente 10 anos desde o lançamento da iniciativa”, destacando os que se têm juntado ao longo dos anos à realização destas jornadas e os feitos conquistados desde então.

“Já nos chamaram videntes, tendo em conta alguns riscos que abordámos nestes quase 10 anos. Em 2018, aproveitámos as 4as jornadas para o lançamento da marca “AUXILIOR – We Keep You Safe” com a disponibilização de KITS de emergência e formação dedicada ao lockdown. Lançamos, nas últimas jornadas, o desafio de acreditar o laboratório de ruido na triangulação: ruido de máquinas, ruido ambiental e ruido laboral. Este ano obtivemos a acreditação pelo IPAC com estas três valências simultâneas na RAA. Não existirá, portanto, e a partir deste momento, a desculpa para não validar máquinas e equipamentos na RAA, pelos custos eventuais de deslocação das mesmas ao Continente”.

Já para este ano, Hélder Silva revela que o objetivo é o lançamento da Pós-Graduação em Coordenação de Segurança na Construção Civil. Uma parceria GECITE/Universidade Lusófona que terá início no 1º trimestre do próximo ano. Em relação às jornadas em si, esta edição abordou temas como os modelos híbridos do trabalho; a igualdade de género e os desafios que vários sectores tiveram de ultrapassar recentemente.

Ao AUDIÊNCIA, Hélder Silva admitiu que “o trabalho deu os frutos desejados”, embora considere que ainda há muito a fazer. “Esta é uma área que, mais do que trabalhada, precisa de ser divulgada. Infelizmente, muitos dos vossos colegas jornalistas ainda não perceberam a oportunidade que existe de divulgação de uma matéria que é transversal a todas as áreas do trabalho e da educação. E enquanto isso não for conseguido que é a barreira da passagem desta informação e do trabalho que se vem desenvolvendo ao público em geral é muito difícil incentivar por exemplo os mais novos a enveredar por uma carreira destas”, afirmou o responsável.

Contudo, Hélder Silva mostrou-se satisfeito com a lotação esgotada do evento, considerando que é “sinónimo de grande interesse e de a maioria dos técnicos e a população em geral estar desejosa de se voltar a ver, trocar impressões, trocar experiências que foram tendo neste último ano e meio”. “Tenho feito um desafio de trazer oradores do exterior e fazer uma mescla com oradores da casa, leia-se, da região. O que é curioso é perceber que em muitas matérias já fazemos muito mais do que se faz no continente. É pena é que essa informação não chegue, não haja uma partilha entre pares”, adiantou.

O responsável aproveitou ainda para agradecer todo o apoio dado ao longo destes anos, lembrando as dificuldades de organizar um evento desta natureza para uma pequena empresa. “As jornadas vão na 5ª edição e nunca tivemos problemas de apoio ao nível do poder político. Até sublinho a facilidade que existe na Região Autónoma dos Açores de efetuar algumas pontes entre as empresas privadas e os organismos que estão mais ligados à área do licenciamento e da responsabilidade social. Muitas vezes é difícil levar a cabo um evento desta natureza com o esforço financeiro para uma microempresa da nossa dimensão e na área de influência que temos”.

Também Tiago Silva, responsável da GECITE Açor, fez um balanço muito positivo desta 5ª edição, afirmando que o sucesso demonstra que este “é um tema, cada vez mais importante, independentemente da atividade económica”. “Tivemos toda a parte da Inspeção Regional de Trabalho, todos os técnicos de higiene e segurança no trabalho quer da parte privada quer da pública, tivemos muitas empresas representadas pelo departamento de recursos humanos ou pelo próprio departamento de Segurança e Saúde no Trabalho, portanto, penso que alcançamos todo o público alvo que nos interessa”, acrescentou.

Tiago Silva lembrou ainda que as questões da Segurança e Saúde no Trabalho, “têm de ser vistas como transversais, não de uma profissão ou outra em específico”. “Obviamente que sabemos que existe maior número de riscos e com consequências maiores para o trabalhador em algumas atividades económicas, como a construção civil, mas em todas as atividades económicas existe riscos no trabalho e a higiene e saúde tem de estar presente no dia a dia desses trabalhadores e das gestões, e lançar também estas questões para as escolas, de forma a que os próprios alunos levem essa palavra para casa”, referiu.

A 5ª edição das Jornadas de Segurança e Saúde no Trabalho contou também com a presença do Brigadeiro-General Eduardo Jorge Faria, do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores que enalteceu iniciativa, afirmando que “muitas mais deviam ser organizadas devido à sua importância e ao contexto em que estamos envolvidos”. “A nossa insularidade obriga-nos a contar só connosco, tanto a nível local como a nível regional. Por isso, há que falarmos e debatermos os assuntos e tudo o que nos preocupa de forma a que estejamos preparados para as adversidades. Algumas das coisas debatidas aqui vão muito ao encontro do que é o nosso dia-a-dia e fazem parte de alguns dos pilares em que assenta a nossa atividade: a sensibilização, a formação e a segurança. E a sensibilização é feita com eventos deste género”.

Presente na cerimónia esteve também Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, que aproveitou a ocasião para realçar o facto de a autarquia ter já implementado também um plano no âmbito da Segurança e Saúde no Trabalho, envolvendo todos os funcionários e assessorado pela GECITE Açor.

“São feitas consultas médicas regulares por médicos especializados e a autarquia tem um serviço próprio dedicado à temática da segurança, o qual é coordenado pela Divisão de Proteção Civil”, explicou o autarca que adiantou ainda na altura a sua intenção de promover o turismo de congressos, aproveitando as mais valias do Teatro Ribeiragrandense e toda a logística inerente. “Esta será uma forma de dinamizar a economia local e quebrar a sazonalidade do turismo no concelho”, acrescentou.

Já Catarina Sousa, uma das participantes destas Jornadas, confidenciou ao AUDIÊNCIA que esta iniciativa serviu de “aprendizagem de alguns conhecimentos que desconhecia”, já que esta não é a sua área de formação. “Aprendi bastante com estas Jornadas, e penso que é muito importante, principalmente para os empresários para terem mais noção com os seus trabalhadores na Segurança e Saúde no Trabalho. Devia-se apostar mais neste tipo de formação”, acrescentou.

As próximas Jornadas realizar-se-ão dentro de dois anos e o responsável da GECITE a nível nacional adianta que poderá ser novamente na Ribeira Grande, apesar de ter outras propostas. “Uma empresa que está localizada numa determinada cidade, como é o caso da GECITE Açor, se recebe trabalho da sua terra, dos seus conterrâneos, tem uma obrigação que é deixar também o fruto desse trabalho na sua terra. Não nos parecia correto estarmos sediados na Ribeira Grande e estarmos a desenvolver o evento noutros lados. Embora tenha havido nos últimos dois anos grandes assédios no sentido de transportarmos este evento para o exterior, mas até agora temos conseguido ceder a esse assédio”.