A Assembleia Geral da Federação Agrícola dos Açores de 22 de junho voltou a eleger a Associação Agrícola de São Miguel, presidida por Jorge Rita, na presidência da direção. Em entrevista ao AUDIÊNCIA, Jorge Rita deu conta dos contínuos desafios de um setor que foi ficando esquecido em prol do turismo nos Açores.

 

Associação Agrícola de São Miguel foi reconduzida para presidir à direção da Federação Agrícola dos Açores, presidida por Jorge Rita. Fazem parte da mesma a Associação Agrícola da Ilha Terceira, a Associação de Agricultores da Ilha do Pico, a Fruter, a Associação de Agricultores da Ilha das Flores e como suplente a Associação de Agricultores da Ilha do Faial.

Por sua vez, a Mesa da Assembleia Geral mantém a Associação de Agricultores da Ilha Graciosa na presidência e como primeiro e segundo secretários a Associação de Agricultores da Ilha de São Jorge e o Núcleo de Criadores de Raças de Carna da Ilha Terceira, respetivamente.

No Concelho Fiscal, a Associação dos Jovens Agricultores mantém a presidência, tendo como vogais a Associação dos Jovens Agricultores Terceirenses e a Associação de Agricultores da Ilha de Santa Maria e, como suplente, a Associação de Agricultores da Ilha do Corvo.

De acordo com Jorge Rita em entrevista ao AUDIÊNCIA, este é um período de desafios para a Federação, mas voltar a ser reeleito é sinal de que “confiam no nosso trabalho”. O presidente afirma que “a Federação tem feito um bom trabalho com todas as associações, e a colaboração das mesmas faz com que a Federação também tenha um impacto na vida diária dos agricultores, pelas reivindicações que fazemos enquanto associação”.

Em tempos de pandemia, Jorge Rita admite esta é uma altura de grandes desafios para os agricultores não só devido aos efeitos da pandemia na economia local, mas também por causa do período de transição em Quadros Comunitários de Apoio e ainda devido à nova arquitetura da Política Agrícola Comum.

No entanto, ainda que com todos estes desafios e impactos menos positivos, o maior passa por recuperar a economia e, “aqui, claramente a agricultura tem um impacto extremamente importante”, desde já porque “nós não parámos. Mantivemos o mesmo nível de emprego e isso é extremamente importante”. Ainda que não se saiba o tempo de recuperação para este e para outros setores, Jorge Rita está confiante de que “a agricultura mantendo a sua produção, continua a produzir bens essenciais para a alimentação de todos”.

Quanto às dificuldades dos produtores de leite, quer seja por terem vendido menos durante algum tempo, quer seja por o preço do mesmo ter baixado, Jorge Rita esclarece que esta situação já aconteceu há alguns anos, pelo facto do setor não estar preparado para competir com determinados mercados. Quer seja pela “dispersão das nossas ilhas, pela nossa dimensão ou pelas poucas infraestruturas”.

Apesar da grande parcela de economia que o setor representa para a Região, o presidente da Federação Agrícola dos Açores sente que muitas vezes o turismo é beneficiado. Ainda que “o turismo seja um setor vital ao crescimento da nossa economia e beneficia claramente a agricultura, é bom que não se esquecerem que o discurso da agricultura se esqueceu durante uns anos em prol do turismo”.

Jorge Rita refere que exceto alguns dos ‘ex-libris’ das ilhas como as lagoas, a paisagem e o verde das ilhas “é feito pelos agricultores. Nós somos os jardineiros da nossa paisagem. Esquecer, seja lá quem for, o discurso da agricultura na região autónoma dos açores, é de uma grande incompetência”.

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