Tendo em vista dar resposta às necessidades da população mais idosa e dos cuidadores informais, a Marques Inovação e Ambiente criou o Projeto Cuidar & Viver, que abrange duas áreas, a unidade de geriatria e a unidade de convalescença.

 

 

A empresa Marques Inovação e Ambiente (Marques I&A) apresentou, no passado dia 9 de dezembro, em Ponta Delgada, o Projeto Cuidar & Viver: um serviço inovador na Região Autónoma dos Açores com o intuito dar resposta às necessidades e exigências da população que vive um processo natural de envelhecimento e, com ele, um declínio da capacidade funcional e consequentemente, das capacidades psicológicas e sociais.

Na apresentação do Projeto, que decorreu no Restaurante Anfiteatro da Escola de Formação Turística e Hoteleira, nas Portas do Mar, a Diretora Geral da Marques I&A, adiantou que este é “um projeto que moveu uma série de profissionais, na procura de uma solução integrada e multidisciplinar, para uma franja considerável da nossa população que necessita e merece viver com qualidade e de ser cuidada de forma única, personalizada”.

Margarida Martins salientou que “a sociedade atual carateriza-se pelo envelhecimento populacional, consequência do aumento da esperança de vida e melhoria da qualidade de vida”, que traz “novos desafios e mudanças”. “Vive-se mais, com mais doenças crónicas e também com declínio da autonomia, acrescendo a dependência de outros, bem como dos apoios sociais e familiares. Esta população envelhecida tem particularidades clínicas, pelo que, os cuidados de saúde devem ser adaptados, para uma melhor promoção de envelhecimento saudável, o que implica adaptar a prestação de cuidados à demografia atual, implementando modelos de gestão integrados e multidisciplinares, que incluam o doente e o seu cuidador formal ou informal e uma equipa multidisciplinar”, afirmou a responsável.

Nesta apresentação, a coordenadora clínica do Projeto assegurou que este projeto vai “prestar serviços de qualidade e adequados à população geriátrica”, que visam a “prevenção do declínio funcional”, de forma “abrangente e interdisciplinar”, num esforço “continuado e coordenado entre o serviço de saúde e casa, e vice-versa”.

Ana Beatriz Amaral explicou que a Unidade de Geriatria irá incluir serviços como “a Consulta de Geriatria, Cuidados Integrados ao Doente Geriátrico e o Internamento domiciliário”. Serão ainda disponibilizados outros serviços, como a Bolsa de Cuidadores Informais, que tem por objetivo “disponibilizar um profissional que será cuidador de um doente, por um determinado tempo, a pedido do próprio ou familiar, efetuar o acompanhamento diurno e/ou noturno de um doente, o acompanhamento para cuidados de saúde ou consultas ou cuidados de higiene”. Estará ainda disponível um serviço de Consultoria de Serviço Social, o que permitirá “informar acerca dos apoios sociais existente para o doente, família/cuidadores e ajudar na análise e preenchimento da documentação necessária para obtenção destes apoios”.

A adaptação de domicílios com barreiras arquitetónicas e o transporte de doentes são outros serviços integrantes do Projeto Cuidar e Viver, que vai também disponibilizar equipamentos e um software denominado “SmartAL”, para uso autónomo, permitindo ao doente “fazer a sua própria monitorização de tensão arterial, frequência cardíaca, glicemia, temperatura, entre outros, criar uma lista de medicação habitual com a respetiva posologia e agendar consultas”, disse Ana Beatriz Amaral.

Ao AUDIÊNCIA, Ana Beatriz Amaral explicou que este é “um projeto inovador, que abrange duas áreas, a unidade de geriatria e a unidade de convalescença, que também permite o descanso do cuidador” e que surgiu de um desafio que a empresa lhe fez para colmatar as necessidades do Serviço de Saúde Regional. “Este projeto permite também que os utentes ganhem qualidade de vida. O facto de muitos dos nossos serviços terem disponibilidade em domicílio, traz também algum conforto ao próprio doente, pelo facto de não terem de se deslocar sendo que alguns têm problemas de mobilidade”.

Na apresentação do projeto, o Enfermeiro Coordenador do Projeto, Lázaro Rodrigues, salientou que “o aumento da longevidade traz novos desafios e mudanças”, sendo necessário “aprender a viver com doença crónica, retardar o declínio da autonomia e encontrar os cuidados necessários/ajustados à situação de dependência”.

“Há a necessidade de adaptar a prestação de cuidados, implementando modelos de gestão integrados e multidisciplinares, que incluam o doente, o seu cuidador e uma equipa multidisciplinar, permitindo manter a pessoa com pluripatologia estabilizada, no domicílio e melhorar a sua qualidade de vida”, acrescentou.

Nesse sentido, o Projeto Cuidar e Viver vem colmatar essa necessidade com uma equipa multidisciplinar que irá fazer um plano individual, dependendo da situação de cada utente.

O Projeto Cuidar e Viver abrange toda a ilha de São Miguel, podendo chegar também a Santa Maria, nomeadamente através da Consulta de Geriatria.