O amador Martim Andresen Guedes, um dos associados mais recentes do nonagenário Clube de Golfe de Miramar, acaba de conquistar a Taça Artur Mariani (é dos torneios mais antigos que se disputam no clube), após ter derrotado tangencialmente (2/1), na final em duas voltas (36 buracos) o antigo campeão interno do clube, João Nuno Mendes Ribeiro, na sequência de um “match” caracterizado pelo equilíbrio, ao longo dos 36 buracos regulamentares. No entanto, a partida terminou no buraco 35, ou seja, um buraco antes do fim de percurso, uma vez que, nessa altura, Martim Guedes usufruía já de uma vantagem inultrapassável de dois buracos, que lhe asseguraria a vitória na competição.

O torneio em causa começou com uma volta de qualificação em sistema “medal” (com abono), para apurar os 16 melhores classificados para uma fase final em “match-play”, isto é, confrontos bipartidos buraco-a-buraco, até se apurarem os dois finalistas. Esta classificação, que serviu de base para a composição dos “matchs”, foi ganha por Rolf Kullman (“handicap”22), com 68 pancadas, seguido de Pedro Lobo e dos irmãos Mendes Ribeiro (João Nuno e José Migue), todos com 71. Porém, a classificação bonificada muito raramente coincide com a ordem real de capacidade competitiva dos jogadores e por aqui pode avaliar-se a importância do factor “handicap” nas classificações bonificadas. Aliás, o próprio Rolf Kullman, que venceu este apuramento com três pancadas de vantagem sobre os três opositores que se lhe seguiram – Pedro Lobo, João Nuno e José Miguel – foi eliminado no primeiro teste, perdendo com Rodrigo Santos, o último dos 16, por inerência do próprio sistema. Por outro lado, para se poder avaliar a comparação e os efeitos da bonificação na performance de cada jogador, basta recordar que aquele que era considerado como o concorrente em prova mais credenciado globalmente, Tomás Araújo (“handicap” 1), eliminou sucessivamente, o segundo classificado, Pedro Lobo, e o sétimo, Hugo Sousa Pinto, para ser travado numa das meias finais, por aquele que viria a classificar-se como “vice” de Martim Guedes, que para chegar ao primeiro patamar do pódio, teve que superar a oposição sucessiva de Luís Costa, Rodrigo Santos e José Pedro Pinto, embora tenha tido a frieza necessária para segurar as ambições do antigo campeão João Nuno, no último teste a valer. Talvez seja por estes pormenores, que os jogadores mais experientes Por outro lado, foi interessante registar a composição da primeira eliminatória, em cuja fase se defrontaram José Miguel Mendes Ribeiro, presidente do clube em exercício, e a jogadora mais (ou uma das mais, a par de Lili Oliveira) titulada das provas internas do clube miramarense. Desta feita, a vantagem pendeu para José Miguel, que cedeu logo na eliminatória seguinte, diante José Pedro Pinto. Tudo isto, para confirmar que em termos comparativos, interpretar o golfe que se dispute por pancadas, exige um estado emocional bem diferente sempre que se trate de uma disputa em “match-play”, onde a frieza e o calculismo podem ser factores determinantes.

A paixão pela modalidade

Apesar de se tratar de um associado relativamente recente da nonagenária instituição miramarense, Martim Andresen Guedes possui já uma grande experiência na modalidade, uma vez que, desde muito jovem, sob a direcção técnica do profissional Eduardo Maganinho, adquiriu grandes conhecimentos práticos no vizinho Oporto Golf Club (Espinho), por sinal o mais antigo clube português da modalidade, fundado por cidadãos britânicos no longínquo ano de 1890. Curiosamente, ao longo das comemorações do centenário, dessa mística instituição, o Oporto era já um “viveiro” abundante de praticantes com qualidade, que se têm espalhado um pouco pelos percursos de todo o País. Os próprios profissionais da Academia de ensino do Golfe de Miramar – os cotados irmãos Sérgio e Nelson Ribeiro – são disso prova evidente, pois já o progenitor de ambos, Adelino Ribeiro, com quem já tive a honra de competir (e “danificar” a relva), pelo menos no Oporto e no Axis de Ponte de Lima, foi sempre um amador extremamente dedicado à causa do golfe.