O Fórum Mundial da Democracia que decorre em Estrasburgo escolheu como tema para 2017 o populismo. O slogan escolhido para o debate tem como pano de fundo a questão “É o populismo um problema?”.

Um pouco por todo o mundo temos assistido à propagação e crescimento de adeptos de discursos políticos populistas e isolacionistas.

Fenómenos como o da Frente Nacional de Le Pen devem fazer-nos reflectir.
Como foi possível tantas pessoas num país cuja bandeira são os direitos humanos e os valores de liberdade, fraternidade e igualdade terem votado na Frente Nacional?

É certo que as pessoas se sentem afastadas da política, dos partidos e dos actores políticos, no entanto é incompreensível que os mesmos discursos radicais que no passado alimentaram guerras e ditaduras surjam agora mascarados como sendo a solução para todos os problemas dos povos mundiais.

Ainda mais grave é observarmos inúmeros partidos numa tentativa de sobrevivência eleitoralista adaptarem os seus discursos a esta “nova” estirpe de fazer política.

E é neste contexto que têm proliferado movimentos ditos independentes mas cujos actores políticos são caras bem conhecidas nos seus países.

São na realidade pseudo alternativas às democracias bafientas em que vivemos não trazendo nem renovação nem novas ideias, apenas oportunismo político.

Estes actores políticos surgem aparentemente renovados, com discursos de esperança baseados na suposta participação da sociedade civil demonstrando assim que são uma alternativa aos partidos.
Convém não esquecermos que os partidos são também eles compostos por cidadãos de carne e osso, pessoas que transpiram cidadania em acção.

É extremamente saudável para a democracia que surjam novos ventos, novas pessoas, novas soluções desde que estas sejam autênticas e compostas por gente anónima para a maioria de todos nós.
O debate de ideias e de pensamento em democracia deve sempre ser proporcionado dentro e fora dos partidos na sociedade civil onde reside o pulmão da vida da democracia.

Infelizmente o que temos assistido um pouco por todo o mundo não traduz isso, cavando mais fundo ainda a democracia em que vivemos.

Em Portugal as eleições autárquicas vão contar com mais de 70% de candidaturas independentes em relação às de 2013. É provável que passemos de 88 candidaturas para mais de 150 segundo declarações ao Jornal de Notícias do Presidente da Associação Nacional de Movimentos Autárquicos Independentes.

Em 2013 foram conquistadas 13 autarquias por movimentos independentes, na sua maioria todos compostos por independentes com rastilho partidário.

É naturalmente legítimo que quem deixa de se rever com a matriz actual dos partidos, bastante desgastada junto do eleitorado possa participar na democracia através de outros movimentos, no entanto aquilo que necessitamos é de renovação.

No fundo necessitamos que a sociedade civil inunde os partidos e estes movimentos fazendo respirar a democracia com novos rostos, novas soluções, novas ideias…

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