Em 31 de Março passado o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal saudou o anúncio, efectuado pelos Estados Unidos de um Plano de Transição Democrática para a Venezuela, salientando que o referido plano «pode constituir um passo decisivo, no sentido de permitir alcançar uma solução negociada para a grave crise que se vem arrastando naquele país».

Mais acrescentou o Ministério que «a emergência sanitária decorrente da pandemia COVID-19 veio agravar o cenário já extremamente precário que se vive no domínio humanitário na Venezuela. Neste momento, mais que nunca, é necessário ultrapassarem-se as divergências políticas, face aos enormes desafios que enfrentam todos os venezuelanos e a proposta anunciada pelo Governo americano, de apoiar um governo de transição para a Venezuela, acompanhada do levantamento progressivo das sanções, vai ao encontro da posição desde sempre sustentada pelo Governo português, de privilegiar uma solução política, inclusiva e pacífica para a situação na Venezuela».

Continuando, «neste contexto, apelamos a todos os atores políticos venezuelanos para que considerem, com sentido de Estado e responsabilidade, o Plano de Transição Democrática e apelamos à comunidade internacional para que continue a desenvolver todos os esforços que conduzam a uma solução pacífica».

O servilismo do ministro português dos Negócios Estrangeiros para com os seus patrões estado-unidenses torna-se cada vez mais ostensivo e não abona a política externa nacional e muito menos quem dirige o Ministério, ao mesmo tempo que não serve os legítimos direitos dos nossos compatriotas residentes na Venezuela.

Neste preciso momento e depois do incidente com o voo da TAP, as provocações orquestradas pelo imperialismo yankee contra a Venezuela Bolivariana intensificam-se e algumas assumem até inusitadas características, como as do navio de cruzeiros que entrou em águas venezuelanas e abalroou deliberadamente uma pequena embarcação da Guarda Costeira Bolivariana.

As últimas e insultuosas acusações lançadas pela Administração Trump contra o Presidente Nicolás Maduro, dirigentes e altos funcionários da República Bolivariana da Venezuela, usando caluniosamente alegadas questões ligadas a tráfico de droga, constituem um novo acto ignóbil que revela o fracasso de anteriores operações desestabilizadoras e insere-se na política de ingerência e agressão que violam as mais elementares normas do direito internacional, visando derrubar o legítimo governo venezuelano, situação que sendo do domínio público, não será seguramente desconhecida do ministro português dos Negócios Estrangeiros.

Nas actuais circunstâncias pandémicas, os EUA em vez de optarem pela promoção da cooperação e entreajuda no plano internacional, como China, Rússia e Cuba fazem, aproveitam a presente situação para intensificar uma intolerável agenda virada para a desestabilização e o reforço de medidas e sanções ilegais e arbitrárias contra países soberanos.

Quanto à Venezuela, desde há muito que os objectivos dos EUA são claros e declarados por responsáveis da administração estado unidense e incluem a «operação de mudança de regime» iniciada com as tentativas de golpe de Estado, o desencadear da guerra económica e a imposição de um bloqueio ilegal e desumano que atinge o povo da Venezuela e a comunidade portuguesa aí residente, derrotar a experiência libertadora e as conquistas populares da Revolução Bolivariana, instalar um governo fantoche ao seu serviço e apropriar-se das vastas riquezas naturais existentes neste país sul-americano, razões pelas quais a presente escalada de ingerência e agressão contra a Venezuela deve ser amplamente condenada no plano internacional e o Governo português deve assumir uma postura que, em conformidade com a Constituição da República Portuguesa e o Direito Internacional, se paute pelo inequívoco respeito da soberania e independência da República Bolivariana da Venezuela e a rejeição da campanha de ingerência e desestabilização dirigida pelos EUA.

 

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