Este espetáculo deveria ter acontecido no ano passado e integrado na homenagem nacional ao dramaturgo Bernardo Santareno (*), idealizada pela actriz, encenadora e responsável pela companhia profissional de teatro de Lisboa A Escola de Mulheres, Fernanda Lapa, infelizmente desaparecida há um ano. No entanto as comemorações se foram realizando na medida do possível, destacamos também as nossas leituras comparadas do António Marinheiro, o Édipo de Alfama lido e revisitado à luz da tragédia clássica de Sófocles realizada pelos alunos da licenciatura em teatro da ESAP/ Escola Superior Artística do Porto e que estará em cena no próximo mês de novembro na Tuna de Santa Marinha- Vila Nova de Gaia, integrado na 3º edição do Festival de Teatro José Guimarães.  

Com esta estreia a companhia Seiva Trupe mantém a sua actividade e o seu compromisso cultural com a cidade depois de muito abalada pelo corte de subsídios e pelo triste incidente protagonizado com a autarquia do Porto quando foi despejada das suas instalações no Teatro do Campo Alegre, para quem queira lembrar o episódio deixo ficar um site para ler que pelo seu título já diz em poucas palavras muito! De: Pedro Figueiredo “Um rio que só serve para fazer despejos” https://porto.taf.net/dp/htmlnode/9022&print.html

E já agora lembrar também um texto de opinião de Isabel Pires de Lima com o título Um gesto mesquinho de um homem infeliz, publicado no Jornal de Notícias/JN, no dia 20/10/2013.

“Talvez a verdadeira ‘bruxa’ da Ti’Zefa (interpretada por Paula Guedes), que incitou à queima da infeliz Joana (por Linda Rodrigues), talvez a alma ferida desta ou a do pobre também acusado de ‘atraído pelo demónio’ Padre Júlio (por Joel Sines) por quem ela se teria apaixonado… Talvez da mãe deste (por Clara Nogueira) ou daquele mulherio que ajudou à ‘queima da danada’ (por Filomena Gigante, Maria Irene, Romi Soares) ou da jovem mãe (por Rute Miranda), que achou que a Joana foi a culpada da morte do seu bebé… Talvez as dos repelidos pretendentes a namorados, que acabaram, com morte, em combate de ‘machos’ (por Jorge Loureiro e Daniel Pinheiro), talvez mesmo a do bom ‘padre velho’ (por Fernando Soares), talvez a da rival da ‘lindeza daquela Terra’ (por Teresa Vieira) …

Quem sabe se as verdadeiras vítimas do Crime de Soalhães em que Bernardo Santareno se baseou para escrever este “O Crime de Aldeia Velha”? Ou o mais possivelmente nada disto, mas as ‘poucas sortes’ de coisas que acontecem… Certo, certo é que foi um longo caminho de sobressaltos (e anos!) e dificuldades para que este ‘sonho’ de Júlio Cardoso encenar a obra do grande dramaturgo e seu amigo, se viessem a tornar realidade! –  Espetáculos nos dias; 26, 27 e 28 de agosto (21:30) e 29 (18:00) no Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery, em coprodução com a respectiva autarquia e o apoio da DGArtes/Ministério da Cultura.”  (informação da Seiva Trupe)

Notas(*) Bernardo Santareno, pseudónimo literário de António Martinho do Rosário (Santarém, 19 de novembro de 1920 — Oeiras, 29 de Agosto de 1980) foi um dos mais importante dramaturgos portugueses do século XX.

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