A 13ª edição do iNstantes – Festival Internacional de Fotografia de Avintes foi inaugurada a 8 de maio e prolonga-se até ao próximo dia 31, reunindo 48 fotógrafos de 12 países e mais de 500 obras distribuídas por 24 exposições em vários espaços culturais de Avintes, Valadares, Lourosa, Vila do Conde e Braga. Apesar do balanço positivo, o presidente da Direção do iNstantes – Associação Cultural, Pereira Lopes, lamenta a reduzida adesão da comunidade local a um festival que considera “aberto ao mundo” e uma importante montra cultural e económica para o território.
A freguesia de Avintes voltou a afirmar-se como um dos principais palcos da fotografia contemporânea em Portugal, com a realização da 13ª edição do iNstantes – Festival Internacional de Fotografia de Avintes, iniciativa que reúne artistas oriundos da Argentina, Bangladesh, Brasil, Canadá, Colômbia, Coreia do Sul, Costa Rica, Cuba, Estados Unidos da América, Finlândia, França e Portugal.
Ao longo do mês de maio, o festival apresentará mais de 500 trabalhos fotográficos distribuídos por 24 exposições instaladas em diferentes espaços culturais, não apenas de Avintes, como é o caso do Centro de Reabilitação do Norte, a Casa da Cultura de Lourosa, o Teatro Municipal de Vila do Conde e a Universidade do Minho, numa dimensão que, segundo Pereira Lopes, demonstra que o projeto “há muito que extravasou as fronteiras de Avintes e de Vila Nova de Gaia”.
“O iNstantes é um encontro de culturas. É uma viagem pelo mundo”, afirmou o responsável pela associação organizadora, acrescentando que “a partir do momento em que se encontram aqui imagens obtidas em sítios tão distantes como Cuba, Bangladesh ou Coreia do Sul, é uma viagem pelo mundo e um encontro de culturas, porque as pessoas vêm cá, convivem, fazem amizades e novas parcerias”.
O dirigente associativo destacou ainda a crescente internacionalização do festival, revelando que o iNstantes estabeleceu recentemente uma parceria com o festival cubano FotoCanimar, realizado em Matanzas, garantindo que “nós estamos abertos a fazer essa partilha”.
Ao longo de 13 edições, o festival já contou com a participação de mais de 760 fotógrafos oriundos de 80 países, consolidando-se como um espaço de intercâmbio artístico e cultural. “Praticamente todos os continentes já estiveram aqui representados através dos seus fotógrafos”, sublinhou Pereira Lopes.
Entre as principais novidades desta edição encontra-se a grande exposição dedicada ao fotógrafo português Eduardo Gageiro, considerada pelo presidente da Direção do iNstantes como “o núcleo central do festival”. Patente na Casa da Cultura de Avintes, a mostra reúne 62 imagens distribuídas por duas salas, com curadoria do fotógrafo Valter Vinagre, tendo contado com a colaboração da Câmara Municipal de Torres Vedras.
“Nós temos aqui uma exposição importantíssima que merece ser visitada. É a maior exposição do Eduardo Gageiro fora de Lisboa”, destacou Pereira Lopes, recordando que o fotógrafo faleceu no ano passado, aos 95 anos. “São imagens que retratam os últimos 70 anos da nossa história”, frisou.
Outra das iniciativas em destaque é a exposição coletiva desenvolvida em parceria com a Federação Finlandesa de Clubes de Fotografia, que reúne dez fotógrafos portugueses e dez fotógrafos finlandeses. Segundo Pereira Lopes, esta mostra integra a programação oficial de Oulu – Capital Europeia da Cultura 2026, seguindo posteriormente para a Finlândia. “É para as pessoas perceberem que estamos a levar a cultura portuguesa além-fronteiras”, referiu, assegurando que “é uma honra ter esta exposição integrada numa Capital Europeia da Cultura”.
O festival inclui ainda exposições dedicadas a temáticas sociais e culturais, como a preservação das culturas indígenas no Brasil, a ocupação de territórios e outras questões contemporâneas ligadas à cultura, à identidade e aos direitos humanos.
Apesar do reconhecimento nacional e internacional alcançado pelo evento, Pereira Lopes mostrou-se preocupado com aquilo que considera ser uma insuficiente valorização do festival no próprio território onde nasceu. “As pessoas continuam com os olhos tapados para esta realidade e isso preocupa-nos”, lamentou, salientando que “se as entidades oficiais estivessem mais envolvidas, isto podia ter outra dinâmica para os locais.”
O responsável destacou igualmente o impacto económico indireto que iniciativas culturais desta dimensão podem gerar no comércio, restauração e hotelaria locais, defendendo que “a cultura não é uma despesa. A cultura gera receita económica e gera outra coisa que é mais difícil de mensurar: a visibilidade das localidades”. Como exemplo, Pereira Lopes recordou a experiência do festival internacional de fotografia de Arles, em França, que atrai anualmente milhares de visitantes e gera uma receita de milhões de euros. “Não estou a dizer que aqui em Avintes se iria conseguir isso, porque as realidades são bem distintas, mas é para as pessoas perceberem o potencial que a cultura pode ter”, explicou.
O presidente da associação lamentou também a reduzida adesão da população local ao festival, apesar da forte participação de visitantes vindos de diferentes pontos do país. “Somos capazes de receber visitas de pessoas de Lisboa, mas os avintenses que estão aqui tão perto vão ver os guarda-chuvas a Águeda”, comentou, confessando que “gostava que os avintenses viessem ao festival”, porque “isto é aberto à comunidade, dá muito trabalho a montar, custa dinheiro e às vezes sentimo-nos um bocadinho defraudados com a ausência do público local”.
Ainda assim, Pereira Lopes garantiu que o entusiasmo dos participantes e do público vindo de fora continua a ser um incentivo para manter vivo o projeto. “Avintes não é só broa nem teatro. Também há este evento que extravasa a freguesia”, evidenciou.
O iNstantes conta ainda com a colaboração do Instituto de Artes e Imagem e continua a cruzar a arte, a diversidade cultural e o compromisso social numa programação que pretende aproximar comunidades e promover o diálogo através da imagem.


