O meu Natal de criança ficou retido na minha memória como uma bela recordação, que guardo com carinho no meu coração.

  Nasci numa pequena aldeia de Gémeos em Celorico de Bastos, a minha família era muito humilde a minha Mãe Emília, o meu pai Aventino; eu Maria Augusta o meu irmão Firmino e a minha irmã mais nova Adelaide éramos pobres mas muito felizes.

  O Natal em casa era preparado com muita alegria de manhã muito cedinho, íamos com o meu Pai ao pinhal cortar um pinheirinho pequenino e redondinho, apanhávamos musgo verdinho e a pequena árvore era colocada num bonito vaso, ao seu redor colocávamos cartão que marcavam as montanhas e os caminhos eram serpenteados com serrim para sinalizar os caminhos, as ovelhinhas eram espalhadas pelos montes sem faltar o pastor, as imagens do presépio eram feitos de barro e as bolas do pinheirinho eram feitas com os bugalhos forrados com chumbo dos chocolates que davam o tal brilho especial, o meu Pai fazia uma estrela de papel que era colocada na gruta do Deus Menino. No entanto quando se terminava de fazer a árvore, o meu Pai escondia atrás do pinheirinho um saquinho de chocolates ( carrinhos, garrafinhas de champanhe, pai natais pequeninos, lacinhos,) que eram divididos quando se desmanchava o pinheirinho.

  Na véspera de Natal depois de almoço a família metia-se a caminho para casa dos meus Avós paternos Avô Manel que nós pedíamos a bênção( beijo na mão ) e Avó Delfina )que nos recebia com muito carinho, era uma alegria. Com a lareira acesa, o cheirinho dos doces aletria, rabanadas, doces de bolina, leite-creme, bacalhau cozido, bolinhos de bacalhau, bacalhau frito polvilhado com açúcar amarelo, os cheiros eram tão intensos que ainda passados estes anos os sinto como se fosse hoje.

  Na mesa era colocada uma linda toalha de linho, tecida pela minha Avó Delfina que era tecedeira e a comida era servida em louça inglesa e em travessas muito bonitas pintadas à mão.

  A minha Avó secava sempre uvas de mesa e guardava numa caixa de madeira maçãs brancas envolvidas em palha que libertavam um cheirinho delicioso e o meu avô apanhava pinhas cheiinhas de pinhões.

  A noite chegava a casa quentinha pela lareira a comidinha pronta todos sentados à mesa ansiosos, mas o meu Avô não deixava ninguém começar a jantar sem rezar o terço pedindo a bênção do Deus Menino para a nossa família.

  Ao chegar perto da meia-noite antes de regressar a casa, a minha Avó fazia uma cafeteira de café que todos bebiam e a mesa da ceia de Natal nunca era levantada, porque os “ Anjinhos “ vinham comer!

  Ao chegar a casa nós os três colocávamos no fogão os nossos socos e de manhã muito cedinho estavam cheios de chocolates, rebuçados e bolachas, era uma Festa.

  O meu Natal de criança era muito especial, simples e pobre, o espírito de família e união estava presente naquela noite, que marcou a minha vida e deixou recordações e memórias tão presentes que fazem a diferença do Natal consumista e egoísta que vivemos nos nossos dias cheios de solidão, abandono e sobretudo muitas vezes sem alegria, Paz e AMOR.

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