Há 50 anos que morreu Pier Paolo Pasolini/PPP, escritor, poeta, dramaturgo,
Passam também 50 anos da estreia do seu último filme, filme maldito, amaldiçoado,
“Assistir a Salò ou os 120 Dias de Sodoma, de Pier Paolo Pasolini, hoje envolve uma experiência tão extrema e às vezes insuportável quanto há 50 anos, quando ocorreu sua estréia agitada. Suas cenas de sexo forçado, sadismo corporal, coprofagia, humilhação e mutilação, filmadas em cenários magníficos e a partir de um aparato formal de rara beleza, geram o mesmo horror, a mesma repugnância moral. Mas, acima de tudo, o campo em que o filme estende sua validade com mais autoridade é o político, que é o que mais interessou ao seu autor. O que Salò enuncia, que tem a ver com a violência subjacente ao exercício do poder nas sociedades capitalistas”. (Ianko López- El Pais –21/08/25)
Saló, no Norte de Itália, foi o último refúgio de Mussolini
PPP, clássico, cristão e comunista, tanto filmou o Evangelho Segundo São Mateo como Teorema, filme onde uma estranha personagem entra numa família burguesa, como um anjo exterminador, seduzindo pelo amor e ternura, preenchendo os lugares vazios do quotidiano, nele brilham todos os atores, entre os quais destaco Terence Stamp (belíssimo) recentemente
Seria um pecado não mencionar a sua bela trilogia, da literatura universal, As Mil e Uma Noites, Decameron e Os contos de Canterbury…todos eles vistos no cinema Olimpya do Porto (Passos Manuel…quem se lembra deste cinema?), assim como as suas belas adaptações para o cinema do Édipo Rei de Sófocles e a Medeia de Eurípides com interpretação de Maria Callas.
Também lembrar que como dramaturgo, foi representado em Portugal, as suas peças como as adaptações do grande clássico espanhol, Calderon de la Barca.
E finalmente lembrar que a sua morte/assassinato, consequência de um encontro sexual com um prostituto foi denunciado, na altura, como uma morte anunciada ou preparada pela direita italiana, segundo a jornalista Oriana Fallaci (*)e
Um belo filme sobre ele, protagonizado por um grande actor Willem Dafoe, com realização de Abel Ferrara.
Assinalar os 50 anos de carreira teatral de Emília Silvestre (1960). Conheci Emília quando era uma jovem de 15 anos, integrou com outros cinquenta jovens um dos três cursos de iniciação teatral quando dirigia o TEP/Teatro Experimental do Porto, nos anos 1975/78. Integrou o elenco de A Excepção e a Regra de B. Brecht, e de As Artimanhas de Scapino de Molière- cenários e figurinos do escultor José Rodrigues – em ambas encenações
Notas (**) Pasolini: cronaca giudizi
(*) La lettera di Oriana Fallaci a Pier Paolo Pasolini Salvatore Galeone15 Settembre 2023 Conhe
Os Artista Unidos , Companhia Profissional de Teatro, fundada por Jorge de Silva Melo publicou nos seus cadernos as obras de Pasolini: Orgia/ Pocilga (nº 16),Besta de Estilo (nº 17),Calderón (nº 21),Pílades (nº 23)


