Em entrevista ao AUDIÊNCIA, Alexandre Gaudêncio, atual presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande e recandidato ao cargo, confessa que faz um balanço positivo dos últimos oito anos e que acredita mesmo que “estivemos à altura dos acontecimentos” e “tudo fizemos para não deixar ninguém para trás”. Com a vontade de “querer continuar a virar para o mar, quer seja na reabilitação urbana, quer seja com a captação de novos investimentos privados, para alavancar a economia privada”, o autarca recandidata-se pelo Partido Social Democrata (PSD) à autarquia ribeiragrandense, com um programa que pretende transformar a Ribeira Grande num “lugar melhor para se viver, principalmente para as gerações vindouras”.

 

 

 

O Alexandre Gaudêncio tomou posse, em 2013, dos destinos do município da Ribeira Grande, que lidera até ao presente. Porque decidiu recandidatar-se ao cargo de presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande?

O projeto autárquico que pretendemos continuar a liderar iniciou-se em 2013 com um horizonte temporal de 12 anos, porque delineamos uma linha de desenvolvimento estratégico, que previa que os grande investimentos fossem concretizados ao longo desse período. Por outro lado, a recandidatura a um último mandato acontece por sentir um forte apoio familiar, partidário e das pessoas que me levaram a acreditar que posso continuar a dar o melhor de mim, pelo desenvolvimento da nossa terra.

 

Quais são as principais motivações da sua recandidatura?

Acima de tudo ter um plano e uma estratégia de desenvolvimento para o concelho que se distingue das restantes candidaturas. A começar por querer continuar a virar para o mar, quer seja na reabilitação urbana, quer seja com a captação de novos investimentos privados, para alavancar a economia privada. Depois, com a preocupação de dar um novo impulso na transição climática com a recuperação de zonas degradadas, querendo dar uma nova vida à ribeira, que atravessa a cidade. E ainda com a transição digital, para dotar a cidade e as 14 freguesias de infraestruturas que tornem mais atrativo o nosso território, quer para os seus habitantes, quer para quem nos visita, sem esquecer a participação cívica e a preocupação de colocar a nossa população a discutir e a propor novos projetos para a nossa terra.

 

Passados oito anos, qual é o balanço que faz dos últimos dois mandatos?

Os últimos dois mandatos foram muito exigentes. Se nos primeiros quatro anos dedicamos grande parte do tempo a resolver questões financeiras, pois na altura estávamos sob as regras do PAEL (Programa de Apoio à Economia Local), que obrigavam a duras regras orçamentais, o segundo mandato ficou marcado por novos investimentos, mas também pela pandemia, que a todos nos apanhou de surpresa. Foram tempos conturbados, mas que provámos, novamente, que estivemos à altura dos acontecimentos, tendo sido pioneiros em medidas, que procuraram mitigar os efeitos nefastos da pandemia, na economia local. Não enterramos a cabeça na areia à espera que a tempestade passasse. Demos o peito às balas e estivemos sempre ao lado das pessoas, das empresas e das instituições, que passaram tempos de incerteza. Agora que já se vê a luz ao fundo do túnel, podemos afirmar que tudo fizemos para não deixar ninguém para trás e demos uma nova esperança a todos, respeitando sempre as recomendações das autoridades de saúde.

 

Como vê a evolução do concelho da Ribeira Grande nestes últimos anos? Existe algo que não fez e gostava de ter feito? Se fosse hoje, o que faria de diferente?

Desde 2013, a cidade e as suas 14 freguesias têm evoluído consideravelmente. Basta comparar, por exemplo, o número de alojamentos locais que havia (cerca de 12), sendo que, neste momento, são cerca de 200. Ou no apoio social, que antes era praticamente residual e no qual, ao longo dos últimos oito anos, investimos cerca de quatro milhões de euros. Ou na área associativa e no desporto, em que os apoios eram raros e discricionários e, agora, fruto de novos regulamentos de apoio em vigor, aumentámos, em alguns casos, seis vezes mais os apoios que haviam. Até à pandemia estávamos em velocidade de cruzeiro, no que diz respeito à captação de investimentos para o concelho, chegando a ser o local dos Açores, onde mais projetos privados havia. No entanto, com a pandemia, esse interesse resfriou, mas, mesmo assim, os investidores não desistiram dos seus projetos. Apenas estão a fazer um compasso de espera, para retomarem os seus investimentos. Isso fez com que tivéssemos que reorientar a nossa estratégia e acelerar os investimentos públicos, que estavam em carteira. Foi por isso que adjudicamos de forma mais célere novas empreitadas públicas, tendo o ano de 2020 batido todos os recordes no volume do investimento público. Essa foi, também, uma resposta ao mercado, para tentar manter as empresas de construção civil em laboração, perante as incertezas devido à pandemia. O que gostaria de ter feito e não fiz foi ao nível da revisão do PDM (Plano Diretor Municipal). Nestes últimos mandatos não conseguimos terminar a sua revisão. No entanto, esse atraso não se deveu apenas à autarquia, mas sim a várias entidades, que compõem a comissão de revisão do PDM, e por envolver várias entidades não tem sido fácil haver consensos.

 

Se for reeleito, o que anseia concretizar durante o seu último mandato em prol do desenvolvimento da população e do concelho?

Terminar as obras que temos em carteira, como a Frente Mar e dar início aos projetos que fazem parte do plano estratégico 2030. Temos uma linha de atuação que extravasa o mandato autárquico e isso diz bem nota de que o que nos move não é apenas a reeleição, mas sim o futuro da nossa terra. Deixarmos um lugar melhor para se viver, principalmente para as gerações vindouras, é um desígnio que nos orienta diariamente.

 

Em caso de vitória, pode mencionar alguns projetos que serão implementados nas áreas da educação, saúde, desporto, cultura, ação social e ambiente?

Pretendemos continuar a desenvolver a nossa terra nas várias áreas que são da nossa competência. Na educação, prevemos reforçar a rede municipal de ATL’s, para responder à procura que continua sem oferta. Recordo que nos últimos anos criamos uma rede que dá apoio diário a 300 crianças, tendo sido criados 50 novos postos de trabalho. Na saúde, pretendemos continuar a reivindicar mais e melhores serviços para o Centro de Saúde da Ribeira Grande. Não podemos aceitar que, uma população com cerca de 32 mil pessoas, possa continuar a ter um Centro de Saúde que não consegue dar resposta às necessidades básicas das pessoas. No desporto, prevemos continuar a investir em novas infraestruturas, como polidesportivos cobertos, nas freguesias que ainda não têm esse tipo de equipamento. Na cultura, propomos investir num programa anual para o Teatro Ribeiragrandense, que possa recolocar aquele equipamento no centro dos eventos da ilha, sem esquecer a Rede Municipal de Museus, que poderá ter um papel descentralizador, com exposições itinerantes pelas freguesias. Na ação social, a prioridade será ao nível da habitação. Através da ELH (Estratégia Local de Habitação), prevemos dar resposta às várias solicitações, que todos os dias temos conhecimento. A falta de habitações, principalmente para jovens casais, poderá ficar resolvida com a implementação de várias medidas, que estão previstas nesse documento. No ambiente, a sustentabilidade e a recuperação de zonas degradas, em zonas verdes, serão compromissos que pretendemos contemplar, como por exemplo, a recuperação da ribeira que atravessa o centro da cidade, criando zonas de fruição públicas e abrindo a cidade à ribeira.

 

Que equipamentos ou infraestruturas acredita que enriqueceriam e proporcionariam melhor qualidade de vida na Ribeira Grande?

A aposta na mobilidade e no ambiente são áreas que podem ajudar a melhorar a qualidade de vida dos ribeiragrandenses. Na mobilidade, e após a construção da Rede de Ciclovias, pretendemos incentivar a população para adotar transportes amigos do ambiente, como as bicicletas, e permitir que se desloquem nos trajetos casa-trabalho ou casa-escola sem utilizarem carros a combustão. A cidade, por ter uma orografia relativamente plana, tem esse potencial. No ambiente, a criação de novas zonas verdes, com espaços de fruição pública e a criação de um parque verde da cidade, na zona do Monte Verde, são objetivos que pretendemos implementar num novo mandato.

 

Relativamente ao projeto autárquico que lidera para este concelho, pode falar-nos sobre a equipa que o está a acompanhar ao longo deste desafio?

Gostaria de aproveitar para agradecer a todos os que me acompanharam nos últimos anos. São pessoas que ficarão para sempre gravadas no meu coração. Para o novo mandato, a lista da Câmara conta com uma renovação de cerca 80%, contando com 50% de homens e mulheres, sendo, por isso, uma lista igualitária ao nível do género. São pessoas com experiência profissional e social e que tudo farão, para continuarmos a trabalhar, em prol do desenvolvimento do concelho.

 

Que mensagem gostaria de deixar à população?

Tem sido um privilégio dar o meu contributo, para o desenvolvimento da nossa terra. Encaro este novo desafio com mais vontade do que nunca, mas sempre com a preocupação de não defraudar as expetativas de quem deposita a confiança neste projeto. A Ribeira Grande e as nossas 14 freguesias não podem parar e é por isso que nos propomos a mais um mandato, sempre com o objetivo de colocar em “Primeiro lugar a Nossa Terra”.

 

 

Lista candidata pelo Partido Social Democrata (PSD)

  • Alexandre Gaudêncio
  • Carlos Anselmo
  • Cátia Sousa
  • José António Garcia
  • João Dâmaso Moniz
  • Eunice Sá
  • Octávio Amaral
  • Marta Medeiros
  • Hirta Tavares
  • José Maria Cabral
  • Hélder Bulhões
  • Noémia Medeiros
  • Tiago Silva
  • Leila Soares
  • Paula Félix
  • Pedro Almeida
  • Paula Teodoro
  • Francisco Rebelo
  • Renata Rodrigues
  • Filipa Silva Martins
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