Integrado no ciclo As Escolas de Teatro no Teatro Nacional São João, os alunos finalistas do Cursos Superior de teatro da Escola Superior Artística do Porto/ESAP apresentam; “A brevidade é irmã do talento”, escreveu Anton Tchékhov em 1889 numa carta ao irmão, também ele escritor, onde elencava outros conselhos, quiçá mais úteis, para uma vida literária de sucesso: “Não sejas piegas, não sejas polido, sê desajeitado e seco.” Tchékhov foi um exímio cultor das formas breves, fossem elas contos ou peças em um ato.

Estas últimas são miniaturas em que condensou, com precisão de ourives, muita da sua arte dramática.

O encenador Roberto Merino escolheu três delas para o exercício dos alunos finalistas de Teatro da ESAP. Em Três Peças em Um Ato, vamos encontrar Um Pedido de Casamento, O Urso e Aniversário no Banco, três exemplos maiores dessa arte de levantar em poucos minutos uma infinidade de mundos, povoados por personagens complexas, vitais, imorredoiras, universais.

Criaturas com quem nos poderíamos cruzar ainda hoje “na rua, no elétrico, na mercearia e nos passeios”, acredita o encenador. Em julho, vamos reencontrá-las na pequena Sala do Tribunal do Mosteiro de São Bento da Vitória, espaço ideal para acolher personagens que emergem de uma geografia a um tempo tão longínqua e tão próxima de nós.” (informação do TNSJ) Anton Pavlovitch Tchekhov: Sobre o autor, fala ele próprio “…na minha opinião, o teatro é uma perfeita rotina imbuída de puro convencionalismo.

Quando a cortina sobe, deixa à nossa vista um espaço delimitado por três paredes, iluminado por uma luz artificial, e vemos todos esses artistas sublimes, sacerdotes e sacerdotisas de uma arte sagrada, a imitarem como é que se come, como é que se bebe, se namora, passeia e veste o casaco. Com cenas vulgaríssimas e com frases ocas, põem-se a cozinhar uma moral de uso doméstico, bem ajeitadinha, pequenina, fácil de entender.

Afinal servem-nos sempre o mesmo prato de mil e uma maneiras, e eu, por mim, fujo a sete pés, como o Maupassant, espavorido com a vulgaridade da Torre Eiffel, que lhe atrofiava os miolos. No entanto, não podemos passar sem o teatro. Mas, são precisas novas formas. Temos de as conseguir. Se não arranjarmos formas novas, então o melhor é não termos nada. Nasci numa cidade de província, da Rússia, em Taganrog , situada no nordeste do mar de Azov no ano de 1860. É um porto marítimo no Golfo de Taganrog  .

Ali foram representadas as minhas primeiras peças…Estudei medicina em Moscovo, e em 1884, comecei a exercer a profissão de médico  “…Depois de um Tolstoi ou de um Zola, quem é que tem paciência para ler Tchekhov? Eu adoro a literatura. Em tempos que já lá vão, tinha um sonho desesperado: que a vida me desse duas coisas, casar-me e ser escritor. “A medicina é a minha legítima esposa; a literatura é apenas minha amante”. Leon Tolstoi disse-me uma vez: “Sabe, eu não consigo tolerar Shakespeare, mas suas peças são ainda piores…”

“Dizem que eu escrevo livros tristes para pessoas alegres: “sim…o mundo é cómico e triste ao mesmo tempo, e se não repararmos na sua comicidade não compreenderemos a sua tristeza porque são inseparáveis. “Mesmo que se seja um escritor menor, isso dá-me satisfação “A felicidade é uma recompensa para quem não a procura “ com interpretação de Ana Paula Santos, Andreia Ucha, Andreia Silveira, David Ângelo, Isabel Rocha, Mariana Vilaça, Paulo A. Jorge, Rafaela Teixeira, Raquel Ferreira, Tino Pinto e a participação especial de Luís Ribeiro, com encenação e dramaturgia de Roberto Merina, assistência de encenação Inês Cardoso, direção de atores Teresa Vieira, desenho de luz Júlio Filipe Cardoso e fotografias em cena de António Alves- Dias 17 e 18 de Julho no Mosteiro de São Bento da Vitoria, às 21.00 horas

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